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Seção : Teatro - 19/11/2008 09:49
Luna Lunera apresenta o clássico O cortiço
A proposta da montagem é mostrar como o texto de Aluísio Azevedo continua tão atual e contundente
Sérgio Rodrigo Reis - EM Cultura
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Toda essa ambientação serve de pretexto para ressaltar algo mais amplo: os conflitos da existência humana. “Associamos a uma metáfora do Brasil, um país que nasce nesta tropicalidade e é cheio de problemas causados pela ação do homem. Escrito há quase 100 anos, o texto ainda funciona como um retrato do país”, compara o ator Cláudio Dias, um dos integrantes da companhia, que entra em cena, quarta e quinta, às 20h, no Odeon Espaço Cultural, no Barro Preto. Cooperativa Batizado com a canção homônima de Gregorio Barrios, que fez parte da trilha do espetáculo de estréia da companhia, Perdoa-me por me traíres, o grupo Luna Lunera sempre estabeleceu suas criações no processo coletivo, desde que foi fundado, em 2001. Ou seja, a cada novo projeto, os atores se reúnem para propor coletivamente um espetáculo. “As montagens têm muito de caráter biográfico e de nós mesmos”, explica Cláudio Dias. O cortiço não foge à regra. Só que, à vivência de cada intérprete, somou-se a experiência corporal do coreógrafo e bailarino Tuca Pinheiro, convidado para dirigir e coordenar dramaticamente a peça. “Chamamos o Tuca porque queríamos desenvolver algo com foco no trabalho corporal. A tentativa foi construir um espetáculo a partir de um olhar do corpo”, justifica Cláudio Dias. Mas o que a pesquisa tem a ver com a obra de Aluísio? O ator argumenta que o texto faz uma análise descritiva dos personagens, compara-os a animais e a tentativa foi aliar as narrativas à linguagem do coreógrafo. A reflexão empírica se materializa com a ajuda do cenário, formado por 1,2 mil garrafas plásticas cheias de líquido, que vão sendo manipuladas pelos personagens, invadindo o palco. Os elementos cênicos têm relação estrita com o texto, que fala dos fluidos corporais, do suor do trabalhador, do sangue, dos secreções sexuais, que na narrativa atravessam os cômodos da alma humana. “Não tem nada de realista”, pontua Cláudio, que ao lado dos outros atores em cena (Débora Vieira, Júlia Guimarães, Marcelo Souza e Silva e Rômulo Braga), escolheu como protagonistas das metáforas personagens como João Romão, o dono do cortiço; a escrava Bertoleza; os portugueses Jerônimo e Piedade; a baiana faceira Rita Baiana e a menina Pombinha. O CORTIÇO
Quarta (19/11) e quinta (20/11), às 20h, no Odeon Espaço Cultural (Rua Tenente Brito Melo, 254, Barro Preto). Ingressos a R$ 24. Classificação: 16 anos. Informações: (31) 3295-4264 |



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