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Seção : Teatro - 08/02/2009 17:04
No limite da humanidade em Dois perdidos numa noite suja 
Janaína Cunha Melo - EM Cultura
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É preciso coragem e talento para encarar a interpretação de um clássico do porte de Dois perdidos numa noite suja, de Plínio Marcos. A densidade da obra está na simplicidade da escrita honesta e sem meandros do dramaturgo, que trata da realidade com o que ela tem de melhor e pior, no limite da humanidade de cada um. A consciência do imenso desafio a que se propôs, a Cia Cênica de Teatro revela no palco, superando expectativas, com interpretação competente de Paulo Victor e Leonardo Fernandes. Veja mais fotos de Dois perdidos numa noite sujaA peça, em cartaz pela Campanha de Popularização do Teatro e da Dança às terças e quartas, na Sala João Ceschiatti do Palácio das Artes, provoca risos incômodos na plateia. Paco e Tonho, que ganharam versão em cinema com Debora Falabella e Roberto Bomtempo como protagonistas em filme de José Joffily, são dois jovens unidos pela miséria de uma época de poucas esperanças. Solitários na busca da própria identidade, eles não compartilham qualquer tipo de certeza além das próprias necessidades – imediatas ou não. Embora não caminhem na mesma direção, estão irmanados pela mesma busca e, em alguma medida, completam-se como desiguais. Dirigidos por Marcelo do Vale, Paulo Victor e Leonardo Fernandes demonstram intimidade com a obra. Entregues aos personagens, ao final do espetáculo eles agradecem à plateia como se fossem outros, em incrível capacidade de vestir Paco e Tonho num instante e, momentos depois, entregá-los ao público como uma lembrança incômoda, a ser levada para casa, sem cerimônia. Em cena, estabelecem jogos e defendem com personalidade os temperamentos distintos, ambíguos e aparentemente divergentes dos protagonistas. Contam com artifícios de cenário criativo – modesto, mas com recursos que se multiplicam ao longo do espetáculo. Apesar de não propor interação com a plateia, Dois perdidos numa noite suja fala diretamente ao público, tocando em feridas sociais crônicas. Como poucos, Plínio Marcos criou há 40 anos obra cuja atualidade não deverá ser contestada durante muitas décadas. Agudas, as reflexões do dramaturgo estão além das fronteiras do tempo e suas conjunturas. Não trata da incompetência política de uma época, mas da humanidade e do preço de seus desacertos. DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA Em cartaz às terças e quartas-feiras às 20h na Sala João Ceschiatti (Av. Afonso Pena, 1537) Até dia 04/03 Ingressos: Ingressos: R$ 10 (postos do Sinparc); no teatro, R$ 24 (inteira) e R$ 12 (meia-entrada) |


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