Divirta-se Notícia - Lirinha é a atração de hoje do projeto Pele do asfalto

Divirta-se

Seção : Teatro - 20/04/2009 09:53

Lirinha é a atração de hoje do projeto Pele do asfalto

Montagem se inspira no livro que o músico lançou no ano passado

Eduardo Tristão Girão - EM Cultura
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Thiago Carvalho/divulgação
Lirinha diz que sua escola foi um microfone, um pedestal e 15 minutos
Será apresentado hoje à noite, no Teatro Alterosa, o espetáculo Mercadorias & Futuro, criado e protagonizado pelo escritor, ator e músico pernambucano Lirinha, líder do grupo Cordel do Fogo Encantado. A direção é assinada por ele e a mulher, a atriz carioca Leandra Leal. A montagem, que de julho para cá já passou por várias capitais brasileiras, faz parte da turnê Pele do asfalto, idealizada pelo artista mineiro Danislau Também e integra a programação paralela do evento Conexão Vivo. Na quarta-feira, a turnê chega ao fim com recital do poeta carioca Chacal e a montagem Star putz, do próprio Danislau, ambos no Teatro João Ceschiatti.

“Esse espetáculo é um monólogo que conta a história de Lirovsky, personagem que vende profecias. Elas entram como metáfora de poesia, no caso, poesia sobre o futuro. Ele é um vendedor desse produto e usa estratégias de venda – som e luz – em seu carrinho. É nele que o personagem gerencia seis pedais, que disparam 68 sons durante a peça. Há também mesa de luz acoplada nessa geringonça. Por meio disso, Lirovsky conta histórias e desenvolve o seu objetivo, que é a venda de um livro sobre profecias”, como explica Lirinha.

O espetáculo tem sua origem no livro homônimo que Lirinha lançou em agosto passado. “Para mim era importante tocar nesse assunto de comércio e poesia. Sei que esse conflito não se resolve na nossa sociedade, mas não se trata de uma resolução, mas de histórias contadas nesse conflito entre venda e poesia. O espetáculo usa recursos como a música eletrônica e também muitos elementos de poesia da memória”, diz.

Lirinha esclarece que a montagem não carrega uma mensagem explícita. “O teatro tem esta característica: envolver numa história que não necessariamente chega a uma moral. O personagem não busca isso, ele questiona o ‘vender o que não se vende’, bota preço naquilo que não tem preço”, observa. Segundo o artista, há no texto certo tom biográfico: ele começou a recitar poesias em festivais de cantadores no Nordeste, ainda criança. Eram peças decoradas e declamadas. “Minha escola foi esta: um microfone, um pedestal e 15 minutos”, define.

Mercadorias & Futuro apresenta, ainda que de maneira discreta, referências à poesia rimada e metrificada típica do Nordeste. “Passo por alguns poetas de lá e, em algum momento, cito Manoel Filó. Também digo uma poesia de um cantador de São José do Egito, chamado Cancão”, conta. Ele garante ter se esforçado para evitar se apoiar no rico caldo cultural da sua região (nasceu em Arcoverde), o que seria muito cômodo. Houve, segundo ele, a tentativa de criar um outro território, imaginário, com as próprias “emoções, ilusões e desilusões”.

Olhar de fora A parceria com a mulher, a atriz Leandra Leal, foi obra do acaso. Percebendo a dificuldade do marido em transpor Mercadorias & Futuro das páginas para o palco, ela entrou em ação aos poucos. “Primeiro, fui para um estúdio dominar a geringonça do Lirovsky, sempre com muita dificuldade para entrar no ambiente teatral. Nesse momento, Leandra começou a ir comigo ao teatro, participar de aquecimentos, marcações de cena. Ela se tornou o olhar de fora, questionando coisas que eu criava. Disse a ela que o mais justo seria assinarmos a direção juntos”, revela Lirinha.

Mercadorias & Futuro
Espetáculo de Lirinha, com direção dele e de Leandra Leal. Segunda-feira, às 20h, no Teatro Alterosa (Avenida Assis Chateaubriand, 499, Floresta). R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). Informações: (31) 3237-6611.