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Seção : Teatro - 20/04/2009 09:58

Thiago Lacerda mostra compromisso e seriedade em Calígula


Janaína Cunha Melo - EM Cultura
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João Caldas/Divulgação
Calígula surpreende a plateia

Thiago Lacerda não é um ator pronto, que chegou ao auge de suas possibilidades em cena. Por isso mesmo, sua atuação em Calígula torna ainda mais especial o espetáculo, que, com texto exigente de Albert Camus e direção brilhante de Gabriel Vilella, faz o protagonista transcender ao cômodo papel de galã, defendido na televisão. Depois de Mateo, em Terra Nostra, que o revelou, e de Garibaldi, o guerrilheiro sedutor de A casa das sete mulheres, ambos na Rede Globo, ele enfrenta com talento o maior desafio de sua trajetória. Jovem, bonito e carismático, Lacerda tem atributos para se acomodar em personagens fáceis, mas assume com responsabilidade o compromisso de tratar com percepção aguda conteúdo mais relevante que as amenidades comerciais.

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Gabriel Vilella, mais uma vez, surpreende a plateia com ponto de vista para além do senso comum. Faz do imperador autoritário e amoral um sujeito bufão, quase cômico, que tem problemas para lidar com a própria tirania, diferentemente do que se imagina. Embora essencialmente perverso, ele não é apenas mal. Assim como a humanidade, que personifica, Calígula também defende a morte como um ato de amor, de generosidade, e coloca à prova sentimentos de seus súditos. Ele tem consciência da pouca sanidade que o persegue.

A passagem da peça pelo Grande Teatro do Palácio das Artes no fim de semana praticamente encerra a temporada 2009 – que tem contadas apresentações confirmadas nos próximos dias –, porque Thiago Lacerda tem outros compromissos na televisão. Ele está no elenco de Viver a vida, de Manoel Carlos, e se prepara para as gravações da nova novela global. Mas, com certeza, a peça tem fôlego para ser retomada em 2010, como espera e anuncia o ator.