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Seção : ragga - Noticia - 29/12/2008 06:20
Confira reportagem da Ragga #22 sobre cervejas artesanais 
Thaís Pacheco - Ragga
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Para quem curte os prazeres quase inexplicáveis que novos aromas e sabores podem trazer, cervejas artesanais não deixam nada a desejar. Inclusive, aos que curtem a onda de bancar o sommelier, é bom saber que há mais tipos de cervejas do que de vinhos. A profissão é rara no Brasil e é possível começar tudo isso na sua casa.
A cerveja é, talvez, a bebida alcoólica mais antiga do mundo, chegando a registros de incríveis seis mil anos, muito antes do vinho ser glorificado na Santa Ceia, de Platão dar uns golinhos ou dos vikings pensarem em existir. Ainda assim, o prazer de experimentar os diferentes sabores, pelo menos no Brasil, dá lugar a uma cultura acostumada aos produtos dos grandes fabricantes que, em prol de rapidez para disponibilizar o produto, chegam a usar cereais não tão adequados. Ou, a pular etapas importantes da produção, como as duas semanas mínimas necessárias para que haja refermentação. Aliás, refermentação, cereais, mostro e outros seres estranhos ao vocabulário de quem não é engenheiro de alimentos são palavras bem usadas no mundo dos homebrewers, como são conhecidos os cervejeiros caseiros, que nos passaram sua receita. Anota aí: água, malte, lúpulo e levedura (ou fermento). O malte é um grão de cevada, ou de trigo, que sofre o processo de malteação. “Ele é molhado e imerso em água para ativar algumas enzimas, depois, o processo é interrompido e o malte é torrado.”, explica brevemente o (acredite, contabilista) Danilo Mendes, tesoureiro da Acerva Mineira, Associação de Cervejeiros Artesanais de Minas Gerais. Já o lúpulo, é uma florzinha bonitinha, que dá em trepadeira (vai fazer piada?). A flor é moída, para dar o aroma e o amargor da cerveja. “Há mais de 50 tipos diferentes de lúpulo”, esclarece Danilo. A levedura é o toque final. “O fermento, que é a levedura, confere à cerveja sabor específico. Na composição de malte, lúpulo e fermento, você pode criar mais de 40 estilos diferentes. Dentro desses estilos, até 80 tipos de cerveja diferentes, só mexendo na composição”, finaliza. Os homebrewers, além de grandes conhecedores de história e fãs de diferentes épocas da humanidade (todas regadas a água, malte, lúpulo e levedo), também são pessoas interessadas em processos biológicos e, até, em design, como é o caso de Armando Fontes, produtor da cerveja artesanal Vilã: “Quando comecei a fazer a minha cerveja, achei que a marca tinha que ser a mais diferente possível, sem clichês como as mesmas cores e elementos gráficos”, lembra. Os biólogos Rodrigo Parisi e Paulo Patrus, ao lado do terceiro sócio, Daniel Gontijo, provaram sua soberania e habilidade na multiplicação de fermento, por exemplo, nos últimos concursos: 1º lugar no estadual e 3º no nacional de cervejas artesanais. A cervejaria deles já tem nome: Smedgard, palavra retirada de um dialeto viking.
Guarde esse nome, pois, em breve, Smedgard pode sair da classificação de cerveja artesanal, feita em casa, para amigos, e passar a ser cerveja especial, fabricada em micro-cervejaria, aquelas com capacidade para produzir, no máximo, 200 mil litros por mês. É o meio-termo entre os homebrewers e as AmBev da vida, que fabricam, em média, 10 vezes mais. Hoje, Minas Gerais abriga sete micro-cervejarias: Artesamalt, Áustria Beer, Backer, Brusk, Trovense, Wals e Falke – esta última, de propriedade de Marco Falcone e seus irmãos, Ronaldo e Juliana. Marco é um dos maiores entusiastas da arte em Minas e, também, presidente do Sindbebidas, que organizou o Minas Bier Fest, em novembro passado: “O que a gente trouxe para o público de Belo Horizonte foi a cultura cervejeira. O objetivo era que as pessoas conhecessem cervejas diferenciadas, fizessem a degustação e a harmonização com cardápios gourmet. É um papel bastante cultural e de turismo.” Viu? Cerveja vai além de chapação. FAZER E BEBER Fazer cerveja em casa demora, no mínimo, 21 dias. Custa, em média, R$ 3,50 a cada 600ml e faz bem para o ego: “Você produziu em casa, a baixíssimo custo e, além disso, tem o charme de abrir a cerveja, oferecer aos amigos e dizer ‘fui eu que fiz’”, brinca Pablo Carvalho, designer que também ocupa a função de tesoureiro da Acerva. Mas se a intenção é experimentar um produto das micro-cervejarias mineiras, em Belo Horizonte, siga o roteiro montado por Rodrigo Lemos e gentilmente cedido à Ragga. Lemos é cervejólogo, beer sommelier e homebrewer: Frei Tuck Slow Beer – Av. do Contorno, 5757 – Carmo Sion Haus München – Rua Juiz de Fora, 1257 – Santo Agostinho Café Viena – Av. do Contorno, 3968 – Santa Efigênia O Bar – Rua Cláudio Manoel, 296 – Savassi Mundaka – Rua Pium-Í, 787 – Anchieta Graças a Deus – Rua Padre Odorico, 68 – São Pedro |





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