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Seção : ragga - Noticia - 19/03/2009 17:14

Ciclocross chega, em passos lentos, ao Brasil


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Alessandro Souza - Arquivo Pessoal


Quem curte pedalar já deve ter ouvido falar em ciclocross. A modalidade surgiu nos anos 1900, com o soldado francês Daniel Gousseau. Ele sempre percorria trilhas difíceis, ultrapassando obstáculos. Tudo para manter a forma durante o inverno. Os generais do pelotão de Gousseau observavam seus treinos solitários e decidiram que toda a tropa deveria realizar o mesmo tipo de treinamento. Os companheiros do soldado não devem ter ficado nada felizes com a nova determinação.

O primeiro campeonato amador rolou na França, em 1902. Daí, pipocou por toda a Europa, em países como Bélgica, Suíça, Espanha e Itália. Até hoje a essência do ciclocross se mantém. O objetivo é percorrer um caminho entre dois e quatro quilômetros, ultrapassando obstáculos naturais, como rios e poças de lama, ou artificiais: caixas de areia, escadas e tábuas de madeira, só para citar alguns. Em certos momentos das provas, o ciclista é obrigado a carregar a bike, o que dá aquela quebrada no ritmo e força ainda mais a resistência do competidor. Definitivamente, não é pra qualquer um.

Carlos Hauck


Em Belo Horizonte, conseguimos achar uma única figura que possui uma ciclocross. Marcelo Carvalho, 33, pedala desde 1993 e já tinha ouvido falar na modalidade. “Um amigo meu foi aos EUA e voltou com uma bicicleta. Quando ele chegou aqui, viu que era uma ciclocross. Como ele não queria ficar com ela, decidi comprar”. Marcelo, constantemente, dá os seus passeios com a sua mais recente aquisição e garante que vale a pena. “O ciclocross exige mais preparo e resistência. Como não tem suspensão, é preciso ter mais força e muito reflexo”, conta. Algumas diferenças são o tamanho reduzido da coroa, o quadro mais aberto, facilitando a passagem de lama, o pneu mais largo e a maior altura do pé-de-vela em relação ao solo. Outro detalhe é o triângulo dianteiro da bike (parte logo abaixo do assento), que é maior para facilitar a vida do competidor no momento de carregar a nobre companheira. Para adquirir uma ciclocross, somente por encomenda. “Um modelo básico gira em torno dos R$ 4.500, pronto pra sair pedalando por aí”, conta Marcelo.

Carlos Hauck


Apesar de o Brasil estar longe de ter uma competição de ciclo, o país tem forte nome nas gringas. Trata-se do paulista Alessandro de Souza, 35, campeão do estado de Nova Jersey em 2002. Ele recebeu um convite para participar de uma competição do esporte, mas não tinha sequer a bike. O frio, a chuva e a neve eram fortes aliados para a desistência. Por fim, o brazuca conseguiu uma bike emprestada e tirou forças não se sabe de onde para competir. “Depois disso, não parei mais. Ciclocross é como uma droga”, compara.

Alessandro Souza - Arquivo Pessoal


Alessandro aconselha que os interessados em se iniciar no ciclocross já tenham praticado outra modalidade anteriormente. Mas é somente um conselho. Quem quiser começar direto no ciclo, pode ir fundo. Haverá algumas dificuldades, mas nada que evite o vício. O brasileiro garante que nenhuma modalidade do ciclismo requer mais esforço do que o ciclocross. “As competições duram no máximo uma hora e o esforço é intenso durante todo o percurso, que conta com trechos de grama, terra e asfalto. Quanto pior as condições de clima e terreno, melhor”, relata.

Carlos Hauck - Esp. EM


Se no Brasil o ciclocross ainda é raridade, isso acontece apenas por falta de iniciativa, garantem Marcelo e Alessandro. “Apesar de as condições brasileiras não serem as ideais, é possível, sim, praticá-lo no país. Se alguém introduzir o esporte, lentamente ele vai crescer e conquistar adeptos”, acredita Alessandro. Marcelo concorda: “No Retiro das Pedras, nos arredores de Belo Horizonte, por exemplo, é possível delimitar uma área, colocar obstáculos e brincar de ciclo. Ainda mais na época de chuvas”, exemplifica.

Quem é fã de pedal com certeza gostaria de ver mais uma modalidade por aqui. Às vezes, pode ser mais vantajoso do que você imagina trocar a sua magrela de longa data por uma ciclo, que também pode ser usada em competições de mountain bike e até no asfalto. Quem sabe você não será o pioneiro em aplicar os viciados em ciclismo neste novo esporte?

Assista a vídeo de ciclocross