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Seção : ragga - Noticia - 06/04/2009 11:47

O lifestyle das motos de estrada

A Ragga foi conferir de perto como é essa verdadeira paixão

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Paula Meireles
Quem não gostaria de ter uma máquina dessas?


Uma cachaça. É essa comparação entre a tradicional bebida mineira e a paixão por motos que é feita por Marcos Costa, 50, também conhecido como Feijão, dono da Feijão Motos Locatrans, um grande galpão na Zona Sul de Belo Horizonte, onde faz customizações e reparos de motocicletas de diversos estilos, tamanhos e preços. Além disso, no local também funciona uma concessionária de aluguel de motos para empresas dos mais diversos segmentos. A história de Feijão começa na adolescência, quando começou a dar seus primeiros passeios com o irmão mais velho. Até hoje ele mantém uma relação diária com as máquinas, ao contrário do irmão, que enveredou por outro caminho. Um dos momentos mais importantes na história de Feijão foi a participação do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, entre 1988 e 1990.

Confira galeria de fotos da Feijão Motos

A maior parte dos pedidos que chega é relacionado à customização de motos. “Importamos as peças do exterior para montar a motocicleta de acordo com a solicitação do cliente. Quanto mais antigo for o modelo, mais difícil de se achar as peças. Normalmente, a intenção é deixar as motos bem parecidas com o modelo original, de várias décadas atrás”, conta. E uma brincadeira dessa não sai barato. Tem que ter disposição e uma boa quantidade de dinheiro para investir. Muitas vezes, o preço de uma restauração é igual ou maior ao preço de uma moto nova. Mas ele admite ter um sabor especial ao restaurar, por completo, uma moto, colocando as peças originais e ver a máquina sair andando por aí. “Atualmente pouquíssimas pessoas dão valor a essa paixão por motos antigas. Hoje existem no mercado muitas motos chinesas, de preço baixo e qualidade abaixo da crítica. Coisa descartável mesmo”, lamenta.

Paula Meireles
Feijão investe no aprimoramento contínuo de seus funcionários


O galpão lotado de motos também tem um espaço reservado para a turma que aparece por ali aos sábados, para tomar uma cerveja e conversar sobre tudo, inclusive sobre o que os une há tantos anos. Prova de que a paixão é uma verdadeira loucura foi o que aconteceu com Feijão, em 1981. Após fazer uma trilha com amigos em Macacos, foi-lhe oferecida uma troca entre sua moto e um terreno. Aceitou a proposta no ato e acabou sendo julgado por muitos. Mas em nenhum momento ele mostrou arrependimento. Comprou outra moto para continuar seus passeios e mantém, até hoje o terreno na região também chamada de São Sebastião das Águas Claras. Para Feijão, a principal diferença dos trilheiros de sua época para os de hoje é a mudança no perfil. “A turma de hoje está muito competitiva, tudo se transforma em uma grande disputa, mesmo quando saem para se divertir. Na minha época, saíamos mais para encontrar a turma e estarmos juntos. Hoje também existe uma pressão por parte de ambientalistas preocupados com desmatamento e devastação da área onde se vai andar”, comenta.

Paula Meireles
Os três amigos harleyros (Edgard, ao centro)


Feijão investe pesado no seu negócio. Coloca, constantemente, seus mecânicos para fazer cursos e estarem, a todo momento, se aperfeiçoando.

Um dos grandes amigos de Feijão é Edgard Baldo, 55. Apaixonado por Harley Davidson, Edgar anda em seus modelos há 10 anos, ininterruptamente. “Mas minha paixão começou bem cedo. Meu pai já andava de Harley quando eu era moleque e fiz vários passeios com ele. Mas acabei virando aviador e isso me distanciou um pouco das motos. Mas depois de me aposentar, decidi me dedicar integralmente às motocicletas”, comemora. Quando tomou a decisão, foi muito contestado pela esposa. “Ela esbravejou, dizendo que não iria tomar conta de um velho todo machucado dentro de casa”, brinca. Mas a situação sofreu uma reviravolta, quando após um ano andando sem parar em suas máquinas, Edgar propôs à esposa que o acompanhasse em um passeio. Ela acabou aceitando e até hoje anda na garupa do maridão. “Ela admite que quando está andando de moto, esquece dos problemas e relaxa. Para ela não tem tempo ruim”, diz. Algumas das viagens realizadas pelo casal inclui passagens por estados como São Paulo e Mato Grosso e países como Argentina, Uruguai e Paraguai”.

Paula Meireles


A paixão de Edgar pela Harley é tamanha que atualmente, ele possui quatro delas. Uma para cada ocasião. “Quando ando sozinho, utilizo uma. Quando saio com a esposa, ando em outra”, comenta. O ex-comandante já chegou a ter doze motos de diversas marcas, mas a burocracia e o alto custo o fizeram ser mais modesto. Edgar possui, dentro de casa, uma verdadeira oficina, onde passa horas ajeitando alguns detalhes, fazendo algum tipo de manutenção ou limpando uma ou outra coisa. “A esposa xinga muito pelo tempo que passo dentro da oficina”. No local, uma verdadeira estrutura está montada, com armários, geladeira e até colchão.

Edgard e Feijão são apenas dois dos milhares amantes de Harley do mundo. Eles garantem que dentre os fanáticos, existem pessoas de várias idades, profissões e estilos. Edgard integra o grupo mundial Harley Owners Group, que possui adeptos em vários países. “Se você chega com uma camisa com a logo da Harley em qualquer lugar do mundo, você será bem aceito. Logo se estará conversando sobre modelos e novidades das motos”, conta. Ele ainda admite um fato curioso que acontece com frequência. “Conheço muita gente pelas motos. A gente conversa sobre as alterações que foram feitas desde a última vez que nos encontramos. Ficamos horas conversando, sem saber o nome do companheiro”, ri.

Paula Meireles
O nosso entrevistado, Feijão


Outro fato curioso é quando conversa com ex companheiros de aviação. “Digo a eles que fui para outros países. Eles perguntam por qual companhia e digo que fui de motocicleta, com minha mulher na garupa. Eles custam a acreditar”, brinca. Edgard afirma que anda de 35 a 40 mil quilômetros, por ano, com suas duas fiéis companheiras.

A internet e veículos especializados são boas fontes de informação para os amantes da Harley,. “Através deles, ficamos sabendo das novidades em relação a equipamento e dos encontros que vão acontecer”, relata. Dentro de casa, os filhos de Edgard brincam e dizem que por ali, os pais é que são os radicais.

A maior vontade dos fãs de Harley é ter em Belo Horizonte, um bar temático, onde encontros e eventos possam acontecer constantemente. “Mas o mineiro fica com um pé atrás no momento de realizar um investimento deste porte”, comenta Feijão. Um lugar como este já existe em São Paulo e faz um baita sucesso.

Paula Meireles
A Harley Davidson possui fãs espalhados por todo o mundo


Para estes aventureiros, o que vale é sentir o vento na cara na hora de pegar estrada. A adrenalina e a emoção de fazer parte desta verdadeira tribo, definitivamente, não tem preço e cada quilômetro rodado é aproveitado ao máximo por quem tem uma Harley Davidson correndo nas veias. “É o nosso brinquedo. A diferença deste para os brinquedos de crianças ficam somente no tamanho e no preço”, conta o ex-piloto, descontraído.

Para entrar em contato com o Feijão, ligue para (31) 3225-0000

Paula Meireles


Assista a vídeo de passeios de Harley Davidson