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Seção : ragga - Noticia - 08/04/2009 09:49
Confira cobertura e entrevista do show do Nenhum de Nós
Por Raquel Silva
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O relógio marcava 23h da noite. O dia: sábado. O local? Music Hall. Cerca de 1.500 pessoas esperavam ansiosas pelo início do show comemorativo de mais de 20 anos da banda gaúcha Nenhum de Nós, com o disco Nenhum de Nós a céu aberto, que trouxe hits como Amanhã ou depois, O Astronauta de Mármore e Camila Camila.
Quando o público já gritava incansavelmente por Nenhum, a banda iniciou o show. Para surpresa de todos, Thedy Corrêa se apresentou ao público trajado em um terno listrado muito louco e o tecladista João Vicenti, literalmente, incorporou o Zorro no palco com o seu chapéu megastyle. Apenas uma palavra poderia defini-los: estilo. Muito estilo.
O momento mais emocionante foi quando Thedy pediu ao público que invocasse Raul Seixas. Todos, em uma só voz , invocaram o gênio da MPB. Deu para sentir o espírito do rei cantando na voz do vocalista. Raul Seixas literalmente esteve no Music Hall naquela noite de 4 de abril. A iluminação do palco atemorizava a galera. Luzes de todas as cores dilatavam as pupilas de quem não conseguia desviar o olhar do palco. Aquela energia toda que envolvia o público contagiou toda a minha semana. Gestos e olhares de quem cantava a sua própria história invadiram a plateia. Um sorriso único tomou conta daquele show que eu queria que durasse uma eternidade. Mas, infelizmente, os momentos bons são temporários, o show acabou e deixou BH na saudade. Entrevista exclusiva com a banda Nenhum de Nós Antes de ler esta entrevista, tente lembrar quantas vezes você ouviu música. Não só o som do rádio, mas também os antidepressivos na sala de espera do dentista. É provável que você não tenha passado um único dia sem escutar algum acorde. Talvez nunca tenha se dado conta, mas a música nos cerca por todos os lados diariamente. E, para acelerar o ritmo do coração, nada melhor do que selecionar boas músicas. Quando fiquei sabendo do show da banda Nenhum de Nós em BH, confesso que meu coração disparou. Eles conseguem traduzir em melodia os sentimentos mais profundos de quem ama e acredita na vida. Entrevistar os grandes ídolos do rock nacional foi um prazer imensurável. A banda chega a BH comemorando os 20 anos de carreira com mais de 1.300 apresentações e mais de um milhão de discos vendidos. Confere aí. As músicas de vocês têm como matéria-prima a vida cotidiana, vista de forma política, social ou comportamental. Por que isso? Carlos- Concentramos sempre os conteúdos das letras em verdade e sinceridade, porque se fossemos criar histórias, não teria sentido. Preferimos falar de acontecimentos do cotidiano, porque elas tendem a atingir mais as pessoas. Sady - Sentimos na pele quando ainda éramos garotos, que grande parte do público é tratado como objeto, produto e também como imbecil. Achamos que a maneira de comunicar com esse público deve ser valorizada.
Quais são as suas principais influências musicais? Veco Marques - Tem uma meia hora para a gente falar? Rs. Coletivamente apostamos muito em Beatles, Oasis, rock brasileiro dos anos 80, Paralamas e principalmente R.E.M. Nós fizemos abertura da turnê deles no Brasil. Vocês vêm mantendo a mesma formação desde o início, fato raro na cena rockeira nacional. Ocorrem desavenças? Veco Marques - Olha o tamanho do Sady! Você acha que eu encaro? Rs Carlos - Desavenças acontecem sempre. Mas aprendemos a relevar. O nosso relacionamento é muito parecido com o relacionamento marido x mulher. Acontece de tudo, mas vamos aprendendo a administrar. Sady - A banda começou baseada na amizade de três pessoas que eram amigas e resolveram verbalizar suas idéias. Depois, acabou integrando o Veco e o Vicente. Mas consideramos que mais importante do que a banda, é a nossa amizade e o respeito que temos um pelo outro. Como o Carlos fala, nós já conhecemos o freguês e sabemos quando o cara não teve um dia bom ou não está passando uma fase muito legal. Então, aprendemos a relevar e conversar no momento adequado para evitar brigas desnecessárias. Existem bandas que brigam por detalhes desnecessários, discussões por nada e que não vão levar a nada. Carlos - Acho que conseguimos administrar isso muito bem. Colocamos a banda sempre em primeiro lugar.
Qual a diferença marcante do Nenhum de Nós de hoje com o de outubro de 1986, quando estreou num bar de Porto Alegre? Acho que a grande evolução é esta: Nós aprendemos a fazer música focada no cotidiano, aprendemos a nos relacionar e, principalmente, estamos crescendo. A cada dia aprendemos a respeitar o público e as pessoas. Sady - Nós temos uma política de relacionamento constante com nossos fãs. Hoje,sabemos quem realmente gosta de Nenhum de Nós, quem é o público que começou a ouvir agora e quem escuta a muito tempo. Qual a importância da internet e do meio digital para a música na opinião de vocês? São a favor de baixar música pela internet? Sady - Hoje é fácil piratear qualquer coisa. E os efeitos na música considero mínimos. Apenas um tentáculo. Claro que a pirataria é maliciosa, diferente da divulgação na Internet, em que as pessoas podem conhecer a banda e ter um canal direto, sem intermediários. Isso é legal. Ganhar dinheiro com o trabalho dos outros que não é legal, como na pirataria. O lançamento de Nenhum de Nós a Céu Aberto tem como faixa de trabalho a canção Camila Camila, um dos maiores hits do fim dos anos 80. O que essa música representa? Qual o significado dela? Carlos - Nenhum. Ela não representa nada. (Rs) João Vicenti - Ela é a tentativa de mostrar que somos uma banda de uma música só. (Rs) Essa música faz apologia contra a violência à mulher? Carlos - Ela se tornou hoje um dos significados da banda. Quando as pessoas falam de Nenhum de Nós, essa é a primeira música que vem à cabeça. Ela foi construída em cima disso. É emblemático isso, porque Camila Camila tem um tema pesado e acabou tendo um grande sucesso comercial. Nesses 20 anos de banda, vocês nunca tiveram um recesso? Carlos – Os integrantes sempre foram os mesmos e nunca paramos. Quais os caminhos a banda deve seguir? Inovar o som cada dia mais, misturar ou seguir no ritmo que ganhou dos fãs? Veco - Não tem como colocar uma pedra no meio do passado e falar: “A banda começou agora”. Estamos sempre olhando para frente, mesmo buscando músicas antigas do começo de tudo. Não tem como dividir o antes e o depois. Nós mexemos um pouquinho, mas a banda é sempre a mesma. Vicenti - Não temos vergonha de nada que fizemos. Não temos a ideia de retomar ou voltar ao passado. Nós vamos nos atualizando, sem perdermos a autenticidade. Stein - No universo do Pop Rock , existe uma certa tensão em mudar, principalmente porque somos uma banda de 23 anos. Estamos sempre lidando com duas oposições: a retrospectiva e a ideia de não ficarmos repetindo ao mesmo tempo, já que queremos lançar novidade. Queremos sempre lançar coisas novas sem apagar o nosso passado. Esse é um grande desafio.
Qual é a pior banda de todos os tempos para vocês? Sady - Pala Velho. Uma banda gaúcha antiga que resolveu mudar de musical no meio de um show. Essa é a pior maneira de terminar e de começar uma banda. Vicenti - Não digo a pior banda do mundo, mas um movimento que não está fazendo bem para ninguém é o Calypso. Sady - Eu adoro Calypso. Rs . É a linha tênue entre o brega e o legal, talvez a maneira de cantar. Um exemplo é o Peninha, que era considerado brega mas acabou entrando no meio clean. E atrás disso aí Claudinho & Buchecha e a Tati Quebra barraco. Para mim, isso não passa de punguismo, pegar alguma coisa que está dando dinheiro e usar. Carlos - No meu ponto de vista, todas os grupos têm o seu dia de pior banda do mundo. Quem sou eu para falar. Vicenti - Há alguns anos, nós tocamos em um show com o público de costas para gente. Sady - Nesse dia nos sentimos a pior banda do mundo. Carlos - Nós não fomos a pior banda do mundo. Acho que poderíamos falar isso se tivéssemos parado o show e saído. Vocês consideram esse o pior momento da banda de vocês? Carlos - Também. Mas nós superamos, continuamos o show. Para mim, a pior banda é a que, covardemente, sai do palco no meio do show. E qual é o melhor ? Carlos - Temos uma certa tendência a sempre considerar o melhor momento shows grandiosos. Mas temos procurado fugir um pouco disso e aprendido a valorizar momentos simples também. Sady - Particularmente, acho a turnê do acústico 2. Foi um momento muito bom da banda. Foi verdadeiro. Como fica o coração quando estão em um show e o Inter Jogando? Sady – Quando o Inter voltou ao Brasil, após ter ganho a final do mundial contra o Barcelona, estávamos tocando no Beira Rio. O time entrou no estádio para comemorar e nós ficamos loucos. O coração acelera.
Qual o público de vocês? Sempre tocamos para um público bastante renovado. Mas eu sinto que em Minas, pegamos mais os saudosistas da década de 80. O que esperam do palco mineiro? Carlos - É um público afetuoso. Estávamos com saudade desse público. Temos tido momentos muito emblemáticos em Minas. Sady: O público mineiro é prazeroso. Têm mulheres lindas! (Rs) Assista a vídeo do Nenhum de Nós tocando em BH |







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