Divirta-se Notícia - Confira matéria sobre o fim do mundo

Divirta-se

Seção : ragga - Noticia - 22/04/2009 10:16

Confira matéria sobre o fim do mundo


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Bruno Senna
Grande interessada na cultura maia, Flávia Miranda afirma que o 21 de dezembro de 2012 marcará o fim do mal
Crise econômica mundial, demissões em massa, assustadores desastres ambientais. O medo nas grandes cidades. Tem até mulher se transformando em fruta. O cenário é um tanto desanimador, não é mesmo? Se você é dos mais pessimistas, expressões como armagedon, apocalipse e juízo final vêm à cabeça. Para piorar, no dia 2 de março de 2009, um asteroide de 40 metros de diâmetro passou sete vezes mais próximo da Terra que a Lua. A queda seria capaz de varrer uma cidade inteira do planeta. Isso não é Hollywood, é vida real. Aquilo que o poeta-vocalista dos Doors, Jim Morrison, disse ser seu belo e único amigo, está bem próximo: o fim. A data para a música acabar e as luzes se apagarem é 21 de dezembro de 2012. Pelo menos é o que reza a teoria dos maias, um dos três povos pré-colombianos (incas e astecas são os outros dois) que habitaram o que hoje seria Honduras, Guatemala e sul do México de 500 a.C até a invasão espanhola, quando o século XV já quase fazia parte do passado.

A data do nosso eterno dormir é baseada no complexo calendário inventado por eles, que se encerra justamente no vigésimo primeiro dia de dezembro de 2012. De acordo com o tal calendário, nesse dia o Sol sofrerá violentas tempestades, emitindo chamas e partículas que atingirão nosso pobre planeta.

Outra hipótese é a de que a Terra estará alinhada com o Sol e com o centro da Via Láctea, podendo causar grandes desastres ambientais, como terremotos e vulcões.

Mas quem já está arrancando os cabelos pensando no que fazer até dia 20 de dezembro do ano apocalíptico pode se acalmar. Não há motivos para vender todas as suas tralhas e esperar o juízo final. É o que garante o físico Renato Las Casas, coordenador do Grupo de Astronomia da Universidade Federal de Minas Gerais. “Não há nada que possa indicar o fim do mundo em 2012. Se assim fosse, a gente saberia.” Apesar de existirem estudos sobre o fim dos dias, Las Casas diz que a ciência não leva a sério esse tipo de teoria. Já a terapeuta alternativa Flávia Miranda se interessa muito quando o assunto é a cultura maia. Apesar de acreditar no calendário, ela não enxerga o 21 de dezembro de 2012 como nosso derradeiro dia. “Não acredito no fim do mundo, mas sim no fim do mal. Nessa data, o mal vai embora.”

O professor de teosofia (estudo da ciência de Deus) Donato Donati estuda a cultura maia há seis anos. Para ele, o último mês de 2012 marcará o início de uma série de transformações e desastres, como terremotos e chuvas de pedras. Segundo o professor, o ser humano será forçado a aprender a viver de outra forma, mais harmoniosa, menos egoísta.

O físico Las Casas reconhece que a humanidade possa até ser destruída em 24 horas. “O que mais nos ameaça é a autodestruição”, aponta. Mas destruir o planeta é outra história. Ele usa o exemplo dos dinossauros, que foram extintos, mas a Terra continuou firme e forte. Para tranquilizar de vez quem já pensa que não dará tempo nem de assistir a uns joguinhos da Copa de 2014, Las Casas é taxativo: “Acredito no fim do mundo, mas daqui a 4 ou 4,5 bilhões de anos. Não admito a possibilidade de o planeta acabar antes disso.” Aliviado?

Bruno Senna
Alheio à teoria, o físico Renato Las Casas acredita que nosso maior inimigo é o próprio homem


Quem poderá nos defender?

Quem passa pela Praça Sete, no centro de Beagá, pode pensar que aquele sujeito de corpo delgado está convocando o povo para uma revolução. Não é nada disso. Naquela tarde de calor absurdo, André Alves transformou o quarteirão fechado da Praça Sete em sua igreja e pregou “a palavra do Senhor” para cerca de 20 pessoas, tal como faz há oito anos. Algumas concordavam balançando a cabeça e dizendo “amém”, outras riam como se estivessem no circo.

Alves, evangélico há dez anos e pastor há três, afirma que, de acordo com as profecias da Bíblia, “o fim está próximo para o homem, mas a Terra vai continuar do jeito que está”. Sobre a teoria, ele bate o pé: “Quem marca data está errado, só Deus sabe a hora certa. Ele tem o controle de tudo.” A única salvação, segundo o pastor, é acreditar em Jesus.

O professor do Programa de pós-graduação em Ciências da Religião da PUC Minas, Roberlei Panasiewicz, entende que todo momento de instabilidade é propício para o surto religioso. “Em tempos de crise econômica, política e social, há uma tendência para o surgimento de messias com a promessa de salvação coletiva.” Na prática, o teólogo explica que o cristianismo não dá credibilidade para a teoria dos maias, mas a reconhece como parte da cultura da América Central.

Os enigmas que acompanham o ser humano desde o início de sua existência – de onde veio, o que faz aqui e para onde vai –, estarão sempre no imaginário coletivo, transformando-se em inspiração para muitos cineastas, músicos e escritores. Cuidado com os maias, cantou certa vez o ex-beatle George Harrison, em sua música ‘Beware of darkness’. Será que ele tinha razão?