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Seção : ragga - Noticia - 09/06/2009 09:39
Conheça os coletivos
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Em um período em que a individualidade e a ânsia pelo lucro se tornam cada vez mais presentes, nos deparamos com o surgimento dos coletivos, organizações com um objetivo comum: a sede de fomentar a cultura e realizar mudanças em alguma cena. Pode ser de música, artes plásticas, artes visuais ou teatro. O importante é o movimento realizado em prol da cultura e de grupos independentes que possuam uma qualidade de trabalho que mereça mais exposição. Nem tudo está perdido nestes novos tempos. Há 8 anos, em Cuiabá, onde a cena musical se resumia a bandas covers, “surgiu a necessidade de uma organização continuada em prol da música autoral”, como conta Lenissa Lenza, uma das fundadoras do Coletivo Espaço Cubo, criado em 2002. Durante a edição de 2001 do Festival Calango, que contava com bandas da capital e do interior do Mato Grosso, o produtor musical Tadeu Valério lançou a real de que era necessário um trabalho permanente para o fortalecimento da cena. Criou-se, então, o Espaço Cubo. Atualmente, a entidade é tão organizada a ponto de ter criado o CuboCard, uma moeda complementar. “Como trocávamos os serviços de maneira informal, resolvemos organizar essas trocas”, relata Lenissa. Uma banda que se apresenta é remunerada com alguns CuboCards. Esses créditos servem como moeda na hora de alugar um estúdio, fazer um site, comprar instrumentos, se alimentar ou fazer tatuagens. Tudo dentro de uma teia de estabelecimentos conveniados. É a famosa camaradagem se mostrando mais organizada, dentro do princípio de economia solidária e da sustentabilidade.
Nos dias de hoje, coletivos pipocam de norte a sul do país. Dois dos que se mostram bem organizados é o Goma, de Uberlândia, em Minas, e o Catraia, de Rio Branco, no Acre. Juntos, os três (Goma, Catraia e Espaço Cubo) formaram, em 2005, o Circuito Fora do Eixo. “A ideia era fazer uma movimentação que aglutinasse cenas fora do eixo Rio-São Paulo”, relembra Talles Lopes, um dos responsáveis pela criação do Goma, que, inclusive, já criou o GomaCard. Hoje, mais de 30 coletivos fazem parte do circuito. “Nossa intenção é criar um ambiente que seja diferente do modelo capitalista, com valores diferentes dos que norteiam as ações da maior parte dos produtores e músicos”, explica. “Buscamos mudar o processo de difusão e produção cultural, democratizando o acesso a vários setores da sociedade”, completa. Muitos coletivos focam suas ações em outras áreas, como o audiovisual e as artes plásticas. É o caso dos Coletivos Branco de Olho, de Recife e do Coletivo Chá de Fita, de Belo Horizonte, coordenado por Juliano Jubão. “Existia uma rede de pessoas que já trabalhava com cinema. Decidimos nos organizar, aproveitando as potencialidades de cada um”, diz. Apesar de ainda não ter realizado ações efetivas, o grupo já possui projetos de mostra de curtas e filmes independentes em praças públicas. Jubão é também integrante do Coletivo Pegada, da capital mineira, que pretende em breve implementar sua moeda complementar, a Pegadinha.
BH também conta com o Coletivo Teatro 171, e tem o colombiano Javier Galindo como um de seus representantes. “Antes fazíamos parte de peças isoladas. A possibilidade de fazer algo próprio nos pareceu mais interessante”, entrega. “Com a criação do grupo, mudaram as condições e perspectivas de trabalho”, resume. Segundo ele, para um coletivo crescer e se fortalecer, basta uma única coisa: planejamento. Dois dos principais pontos ligados aos coletivos são a importância da troca contínua de informações e tecnologias entre os grupos e a ideia do artista-pedreiro. “O artista deve entender que, para sobreviver de música, ele não pode só fazer música. Ele tem que ser produtor, roadie, carregar caixas etc.”, explica Lenissa Leza. É o tal do “do it yourself”, uma espécie de faça, mas por você e pelos outros. Algumas das bandas que apareceram graças à ação de coletivos são Vanguart e Macaco Bong, de Cuiabá, e Móveis Coloniais de Acaju, de Brasília. O princípio da parceria e ralação integrada que norteia os coletivos é algo muito comum nos dias de hoje, mas que só agora adentra em um cenário mais profissional. O poder público vem, aos poucos, reconhecendo a movimentação, que ainda promete dar bons frutos e fazer surgir grandes nomes, promovendo a renovação da cena cultural brasileira. Assista a vídeo da banda Macaco Bong |





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