Divirta-se Notícia - Confira sessão On The Road em Machu Pichu

Divirta-se

Seção : ragga - Noticia - 06/07/2009 08:59

Confira sessão On The Road em Machu Pichu

A melhor noite do mundo fica perto do Céu

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Bernardo Biagioni


“Vocês estão prontos para perder o controle?”, gritou o guia de turismo pelo microfone recém-roubado do DJ que coçava a cabeça, procurando o disco do Terra Samba. O sujeito dançava impune em cima do palco, todo o seu corpo trepidava em movimentos rápidos e oscilantes, ele queria provar para todas aquelas gringas fogosas que era um andino quente e cheio de amor para dar. “Vamos todos dançar sensualmente”, disse ainda pelos alto-falantes antes que o segurança lhe desse um belo pombão na lateral direita do rosto. Em vez de silêncio, bastante recomendável à situação, o DJ tratou logo de emendar o clássico brasileiro ‘Carrinho de Mão’ na pista. Todo mundo voltou a dançar.

Bernardo Biagioni


Cusco é uma cidade selvagem. Situações como essa são tão normais como as buzinas ininterruptas dos carros que perambulam pela renomada Plaza de Armas, no centro da cidade. A antiga capital do império inca resguarda, além de grandes museus e pomposas catedrais espanholas, algumas das boates menos respeitáveis de toda América do Sul. Uma delas é a Mama’s África, que costuma receber de segunda a segunda gringos de todas as partes do mundo, andinos taciturnos, jornalistas sem escrúpulos e guias de turismo alimentados por grossas balas de ecstasy.

Nos últimos anos, a cidade mais turística de todo o Peru deixou de ser o “Umbigo do Mundo” para ganhar o título de “Coração da Selvageria”. E, por favor, não entenda isso de forma negativa. Não há nada melhor do que uma cidade que sabe ser selvagem sem perder a elegância.

Bernardo Biagioni


“É normal que você sinta alguma dor no estômago durante as primeiras noites em Cusco. Alguns chamam isso de mal da altitude. Eu prefiro dizer que é apenas emoção de se estar mais perto do céu”, suspira o taxista Juarez Sanches, que lembrava um guru espiritual do amor cheio de cartas para colocar na mesa. Escondido sob um poncho calorosamente alaranjado, o peruano serpenteava sua van pelas ruas da cidade com destreza e velocidade enquanto ministrava longos discursos cheios de poesias libertárias. “A novela mexicana está destroçando a cabeça dos latino-americanos”, conspirou. Concordei com a cabeça e continuei ouvindo Henrique Iglesias cantar pela rádio local.

Bernardo Biagioni


Cusco está a 3.400m acima do nível do mar, mais de um quilômetro a mais que a renomada cidade perdida Macchu Pichu. Os efeitos provocados pela elevada altitude incluem dores de cabeça, náuseas, ansiedade e vontade compulsiva de se mergulhar em largos copos de água. Ficar mais próximo de Jah tem o seu preço e ele é cobrado logo no aeroporto: “Tome Sorojchi Pills e não estrague a sua viagem”, diz um outdoor gigante indicando o medicamento certo para se dormir tranquilo. É uma maneira sutil de fazer dinheiro: “A altitude vai foder você, mochileiro. Rá rá rá.” Em todo caso, não se acanhe. Mastigue algumas folhas de coca, beba alguns chás e não exagere na comida. Tudo isso é permitido.

Proibido mesmo é ir para o hotel antes das oito da manhã. A oferta de bares, pubs e restaurantes é tamanha que todos eles oferecem um cardápio variado de bebidas gratuitas. Não beba nenhum uísque. “Criminosos vão te oferecer droga, não aceite”, recomenda o guia de turismo (um sóbrio, dessa vez). “É melhor você comprar comigo mesmo”, completa o sujeito. Ele está falando sobre cocaína, viagra, benflogin, bike, aspirina e outros barbitúricos potencialmente alucinógenos que circulam livremente pelas ruelas estreitas do Centro Histórico. Isso sem falar de sexo, rituais xamânicos e massagens sexuais.

Bernardo Biagioni


E, acima de tudo, fica difícil pensar em outra cidade da América do Sul que tenha uma população tão humilde, feliz e hospitaleira. Por sua importância histórica, Cusco está entre os principais destinos dos europeus e norte-americanos que buscam se refugiar do caos urbano. Não que o paraíso mais tranquilo do mundo esteja no Peru. Mas, volto a dizer: Cusco sabe ser selvagem ser perder a elegância. Agende a sua visita com um guia de turismo confiável e tire suas próprias conclusões. Rá.

Bernardo Biagioni