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Seção : ragga - Noticia - 11/08/2009 10:02
Rico de Souza bate recorde com maior prancha do mundo
Quando o assunto é quebrar um recorde mundial, qualquer centímetro pode fazer a diferença
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Rico de Souza não costuma ficar mais de dez minutos na água sem conseguir uma boa onda. Dono de seis títulos brasileiros de surfe, três deles em cima de um longboard, o carioca de 57 anos também leva no currículo um vice-campeonato mundial amador, disputado em 1989. Porém, na manhã do dia 12 de junho de 2009, sob um sol escaldante e seguido pelo olhar atento de centenas de espectadores que acompanhavam o Petrobras Longboard Classic, em Jacaraípe, o surfista apresentava dificuldades para subir na prancha. “O mar estava grande e tinha muito vento. Achei que não ia conseguir nem atravessar a rebentação”, conta. As condições climáticas não seriam nenhum problema para Rico de Souza se aquele fosse só mais um dia de surfe no Espírito Santo. O que realmente estava atrapalhando eram as especificações da prancha que o surfista arrastava por cima das ondas com dificuldade. “Tinha exatamente 9,42m e pesava cerca de 100 kg. Se eu perdesse o controle do long, ele poderia acertar alguém, quebrar uma perna e até desacordar uma pessoa”, explica. Era nada menos que a maior prancha de surfe do mundo, equivalente a quase três andares de um prédio. Se o carioca conseguisse surfar a “invenção” por mais de dez segundos, seu nome seria estampado no famigerado livro dos recordes, o 'Guinness Book', e consolidaria ainda mais a sua trajetória na história do esporte. Havia silêncio e expectativa por cada canto da praia.
Em todo caso, Rico já estava se familiarizando com aquela sensação pouco confortante de ansiedade. Há quatro anos, o carioca colocou o Brasil no Guinness ao tirar da Austrália o recorde de “maior número de surfistas descendo a mesma onda”. “Eles tinham juntado 38 pessoas. Eu me candidatei e consegui bater com 42”, conta. Em 2007, o sul-africano Paul Botha, responsável pela organização dos campeonatos do WCT da Billabong, criou o Earth Wake (no Brasil ficou conhecido como “Onda Global”), propondo que vários países se organizassem para colocar o maior número de surfistas em uma única onda. Rico de Souza defendeu a primeira posição do Brasil ao reunir 84 pranchas para o recorde e, em 2008, conseguiu elevar essa cifra para 100.
Mas naquela sexta-feira dos namorados, dia 12 de junho, não era o número de surfistas que estava em jogo. Rico queria pegar de volta um recorde que já havia sido dele. “Entrei para o Guinness em 2006 ao surfar numa prancha de 8,5m, na Praia da Macumba, no Rio. Dois anos depois, bati o meu próprio recorde surfando uma de 9,16m”, aponta. Porém, logo em seguida, um japonês roubou o “título” do carioca ao construir um longboard de 9,20m. “Tive que refazer a minha prancha, coloquei mais envergadura e troquei a cor”, lembra. Na hora certa, Rico de Souza jogou a prancha na água e foi remando com calma. Atravessou a zona de rebentação, achou uma posição confortável e esperou a onda ideal. “Fiquei mais de uma hora tentando e nada. Quando consegui, nem acreditei. Só precisava surfar por dez segundos, acabei ficando 29”, conta. O carioca saiu da água carregado pelos espectadores e, sem negar seu empenho e dedicação, hoje fala: “O nome do estado era Espírito Santo e a capital, Vitória. Posso ser sincero? Não podia ter dado errado.”
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