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Seção : ragga - Noticia - 09/12/2009 06:10

Conheça as pranchas alaias

Parece uma tábua, mas a alaia é uma prancha de madeira que relembra os primórdios do surfe havaiano

Daniel Ottoni - Ragga
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Arquivo pessoal

 

Surfar como os havaianos faziam há mil e quinhentos anos, nos primórdios do esporte, deve ser uma sensação completamente diferente. Essa é apenas a consequência de praticar o surfe com uma alaia, nome havaiano que designa as primeiras pranchas utilizadas pelos moradores da ilha paradisíaca. Naquela época, o esporte rolava a borda de tábuas de madeira e nada mais. Hoje, temos réplicas que se aproximam bastante do que era um dos maiores passa-tempos da época.

 

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Engana-se quem pensa que basta resgatar aquela tábua de madeira esquecida nos fundos da garagem do seu avô. Muita pesquisa e estudos precederam a recriação de uma alaia, nos dias de hoje. Um dos que mandaram bem na construção dessa preciosidade foi o desenhista industrial Tiago Matulja, da Flora Surfboards, localizada no Ubatuba (SP), especializada na produção de pranchas de madeira. “A alaia é bem mais fácil de construir do que a prancha tradicional, e pode-se criar uma em apenas um dia. Ela pode ou não ter acabamento, que normalmente é uma resina vegetal”, explica Tiago. Para cada tipo de madeira utilizada, um tipo de alaia. Para deixar a ideia ainda mais roots, nada melhor do que tentar fazer algo 100% biodegradável. “Utilizo resina ecofriendly em vez de poliester. Além disso, toda a madeira usada é legalizada, extraída com a devida autorizaçã”, conta o produtor.

 

Arquivo pessoal
 

 

Na hora de entrar na água, o esquema é outro. “Aqui no Brasil, as ondas não são as ideais para se surfar com uma alaia. Mas tem gente que encara o desafio”, mostra Tiago. Um dos que não titubearam na hora de tentar se manter firme em cima da fina ‘tábua de madeira’, que pode medir de três a nove pés, foi o surfista de 22 anos Júnior Faria. “Meu amigo Luis Felipe Gontier, o Pipo, é um grande colecionador e trouxe algumas réplicas para o Brasil. Para mim, as alaias são as pranchas mais retrô que se pode ter hoje”, solta o morador do Guarujá. “A prancha não tem flutuação nem quilhas, a remada e a entrada na onda ficam muito mais difíceis”, analisa. “A alaia é diferente de qualquer outra prancha que já inventaram”, pontua.

 

“Tem muita gente querendo fazer a sua própria alaia”, garante o biólogo Felipe Siebert, da Siebert Surf Boards. Para dar aquela mão para a galera, Felipe pretende, em breve, comercializar os blocos essenciais para a construção da prancha.

 

Arquivo pessoal

 

Um equipamento diferente requer métodos diferentes. Não adianta acelerar a remada loucamente, achando que vai dar certo. Além do novo aprendizado, o bacana das alaias é ter uma sensação bem próxima das que os guerreiros e nativos havaianos tiveram quando pegavam suas ondas, há tantos anos. Uma bela mistura de épocas distintas do surfe, com uma boa pitada do conhecimento tecnológico do novo milênio.