Divirta-se Notícia - On The Road no Parque da Mônica

Divirta-se

Seção : ragga - Noticia - 11/02/2010 06:10

On The Road no Parque da Mônica

E todas as teorias da conspiração que envolvem o parque de diversões sonhado por 15 em cada 10 crianças.

Bernardo Biagioni - Ragga
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Bernardo Biagioni


Eu me sentia exatamente como Alice, aquela do País das Maravilhas. Mas não tinha entrado por uma toca de coelho ou qualquer portal transcendental estranhamente peculiar. Na verdade, eu só tinha cruzado a porta de um shopping. De repente, estava perdido naquele cenário aterrorizante e sombrio: bonecos gigantes, cores vibrantes, objetos psicodélicos, criaturas flamejantes e muitas, muitas crianças completamente alucinadas. Sim, confesso: eu também queria a minha mãe.

Conhecer o Parque da Mônica, na megalomaníaca e psicoativa São Paulo, exige muito de um cidadão respeitável. A começar pela idade: o ambiente é perfeito exclusivamente para crianças e para os bem idosos, aqueles que já são tão velhos que o mundo parece sempre rodar na velocidade de uma tartaruga. Para os normais, também são necessários máscaras de oxigênio, preparo para escalada, paciência de pipoqueiro e gelo, muito gelo para esfriar a cabeça.

Bernardo Biagioni


Tá, mas como fui parar no Parque? Bom, veja bem, meu amigo. Sou um destes tantos brasileiros que teve como professor de português um sujeito pra lá de misterioso, também conhecido por Mauricio de Souza. Por anos cultivei o desejo quase íntimo de correr por aqueles brinquedos tão sinceros que ilustravam algumas publicações da turma da Mônica. E, de repente, me vejo nas proximidades do shopping Eldorado, o grande guardião daquele universo tridimensional. Não havia nada que impedisse minhas míseras horas de diversão, que foram tão contidas ao longo da minha infância. Finalmente, eu conheceria o Cebolinha!

Mas hoje o Mr. Souza não me engana mais. Sei bem que ele sempre esteve tramando algo, alienando e corrompendo uma vastidão de neurônios inocentes que perambulam pelas bancas de revista deste nobre país. E não vá achando que isto aqui não passa de uma Teoria mirabolante da Conspiração. O Sr. Mauricio ambiciona povoar este universo de personagens criados à sua semelhança. Dê uma olhada no espelho, meu leitor: pode ter certeza que você encontrará alguma característica que corresponde ao tracejado de Magali, Mônica, Cebolinha ou Cascão. Não deixe que o sistema passe por cima de sua despontada intelectualidade. Lute!

Bernardo Biagioni


Crenças à parte, de uma coisa tenho certeza: se o inferno existe, ele foi reproduzido no Parque da Mônica. Em um espaço destinado a 2 mil pessoas, transitavam pelos brinquedos, freneticamente, nada menos que 6 mil crianças. Sem contar aquelas tantas almas que conseguiam se perder pelos caminhos de outrora. O alto-falante ecoava seguidamente em seu lamento: “Atenção, Marta! Seu filho Manoel te espera na recepção. Atenção, Antônio. Seu filho...” As mães corriam desesperadas pelos corredores empunhando bolsas de gelo, enquanto tentavam desenvolver um diálogo que soasse atrativo para os moleques desenfreados. Gritos loucos, barulho de pipoca, lágrimas depressivas, o karaokê no último volume e um cheiro de carne que fugia da quitanda de hambúrgueres. Sábio o poeta que cunhou o enunciado: “sobreviver é uma arte”.

Bernardo Biagioni


Mas péra lá: se o parque se movimenta à toda semelhança do inferno, isso quer dizer que alguém esteve passeando pelas plataformas underground deste planeta. Algum sujeito macabro se infiltrou por aquelas bandas para criar tumbas, carrinhos de bate-bate, máquinas de algodão-doce e outros tantos utensílios para distrair os humanos. Você tem dúvidas de que estamos falando do Mr. M? Meu amigo, o doutor Mauricio de Souza está intimamente atrelado aos demônios interiores da sua cabeça. Todos esses seus sofrimentos arrastados pelos anos podem ser creditados aos impulsos explosivos da Mônica. Pare para pensar, eu lhe aconselho. Você pode estar sendo vigiado.

Bernardo Biagioni