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Seção : drops - Notícias - 13/11/2008 05:55
Entrevista exclusiva com o cantor Armandinho 
Bernardo Biagioni - Ragga
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Por mais estranho que possa parecer, Armandinho, aquele mesmo do Desenho de deus, é gago. Mas não adianta procurar por palavras tropeçadas em alguma de suas gravações – O músico sabe segurar a onda quando encara um palco. Surfista desde moleque, o “Jack Johnson brasileiro” curte bem seus 38 anos: “Me sinto exatamente como quando tinha 20. O surfe e a música prolongam a juventude das pessoas”, garante.
Fora isso, Armandinho é a personificação da simpatia e coordena bem suas próprias ambições: “Fazer muitos shows é desgastante. Ganhar dinheiro é bom, mas não tenho a pretensão de colecionar notas. Dinheiro serve pra nos proporcionar as coisas que temos vontade de fazer”.
Bom, se hoje você acordou “querendo ver o mar”, pode aumentar o som, que a música vai começar. INFÂNCIA “Comecei a pegar onda aos 11 anos, na praia de Tamandaí, no Rio Grande do Sul. Morava em Porto Alegre que, apesar de não ter praia, é uma cidade que tem muitos surfistas. A praia mais próxima fica a 100km e o acesso é bem fácil. O surfe teve uma explosão na época e a gurizadinha do meu colégio começou a pegar onda. Nos verões, férias de colégio, a gente acabava indo pra Santa Catarina, onde meu avô morava. Minha relação com o surfe começou muito cedo. A música sempre serviu como terapia pra minha fala. Era muito gago – ainda sou um pouco –, mas era mais, não conseguia nem conversar. Chegava no colégio, começava a ler um texto e... Cara, eu gaguejava muito. Daí minha turma caía em cima. Começava a ler e eles ficavam rindo, me chamavam de Dirceu Borboleta, que era um personagem gago do seriado Bem Amado. Aquilo começou a ficar meio traumático. Então, descobri que quando cantava não gaguejava. Comecei a ler os textos cantando e acabei virando uma atração na sala. Era o ‘cantor da aula’. Minha mãe me botou na aula de violão nessa época. Sempre gostei de escrever também. Era um aluno que ia muito mal em matemática, mas muito bem em português.” ADOLESCÊNCIA “Comecei a andar com uma galera mais velha e acabava matando um pouco de aula, dava aquela esticadinha na praia. Saía depois do almoço pra pegar onda em Tamandaí e só voltava pra casa às seis, já de tardezinha.“ ADULTO “Com 25, 26 anos resolvi sair de casa. Minha mãe falou: ‘Tu vai ter que te sustentar, meu’. E eu não sabia fazer nada além de tocar e cantar. Estava na faculdade de educação física, pelo lance dos esportes, e de publicidade e propaganda, porque já trabalhava com jingles. Fazia jingles de todas as marcas de surfe do sul, as lojas colocavam nas rádios e virava meio que um chicletinho de ouvido. Então fui morar sozinho, comecei a ficar sem dinheiro e não pedia nada pra minha mãe, pela vergonha de ter saído de casa. Numa terça-feira, não tive aula de manhã. Peguei um barzinho e comecei a tocar na segunda à noite, em Porto Alegre. Começou a dar certo e o dono do bar quis me dar outro dia. No começo, saía do bar e ia direto pra aula, mas, depois, não consegui mais. Acabei trancando as duas faculdades. O dinheiro que estava ganhando era muito bom. Vieram os verões de 1999 e 2000, e comecei a tocar num bar da praia de Atlântida, no Rio Grande do Sul. Tinha capacidade para quatro ou cinco mil pessoas e o pessoal do interior do estado freqüentava. E aí, a cada temporada, eu era a banda da casa, ficava três vezes por semana. Acabava o verão e a galera voltava pras suas cidades querendo o ‘Armandinho da praia’.” FAMA “O diretor de uma rádio, que pegava em dois estados – Rio Grande do Sul e Santa Catarina – foi assistir a um show meu com a mulher. Ela se divertiu bastante, eles namoraram e tudo. Aí já viu: ganhei a mulher, ganhei o cara também, né? Rs. Daí, ele pediu pra levar Folha de bananeira e todas as minhas músicas pra ele. Gravei a parada em 2001 e ela começou a tocar nas rádios.
Estourou, cara. Em 15 dias estava em primeiro lugar. Daí, veio uma gravadora e saiu meus dois primeiros discos, o Armandinho, de 2002, e o Casinha, de 2004. O Armandinho ao vivo, de 2002, surgiu com as músicas desses dois primeiros CDs. Depois disso, começou aquela circulação pela internet, fui cativando as pessoas. Quando vi, já tava com uma comunidade de 200 mil pessoas. A música Desenho de Deus é que acabou levando o meu trabalho para o Brasil inteiro.” Se você pudesse escolher algum músico para dividir um palco? Hoje, tinha vontade de tocar com um brother que encontrei num hotel esses dias, o Evandro Mesquita. Ele me convidou pra escrevermos alguma coisa juntos. Ele é muito gente boa e fiquei muito a fim. Tava até conversando com meu empresário sobre isso. Seria bem bacana. Quem são seus ídolos na música? Vários. Mas acho que o Bob Marley é o eterno, não posso falar outro sem colocar ele em primeiro lugar. Curto muito som pesado também, apesar de não ser o estilo da minha música. Sou muito fã do Black Sabbath, gosto de Jimi Hendrix. Gosto bastante de música latino-americana, como a Mercedes Sosa. Como é seu show, como esse que fez mês passado, em Divinópolis? A impressão que tenho é que estou sempre levando o verão para os lugares onde vou. Isso, porque a galera se veste de uma maneira diferente, elas vão mais leves, querem curtir aquele astral de praia. Adoro Minas Gerais. Parece que estou numa cidade praiana, é incrível isso. O astral é igual de Porto Alegre. Uma galera que parece que mora na praia, mas não mora. Quais são os planos? Já tem algum novo álbum em mente? Tô concluindo meu estúdio em casa agora, que não fica atrás de nenhum aqui do Brasil. Assim, dá pra gravar com mais tranqüilidade, chamar os amigos. Não tenho mais que me preocupar com tempo, trânsito e essas coisas. Tem um álbum novo a caminho, ainda sem nome. Mas já tenho algumas músicas novas prontas. Confira vídeos de Armandinho |




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