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Divirta-se

Seção : drops - Notícias - 22/01/2009 06:20

Confira entrevista exclusiva com o Tianastácia


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Bruno Senna - Esp. EM


São nove horas da noite e os cinco integrantes do Tianastácia não estão nem ensaiando e nem se preparando pra nenhum show. Na verdade, a conversa que rola no Brunswick, uma sinuca na Avenida Afonso Pena, em Belo Horizonte, não é nem sobre música. “Você tem visto a Taça São Paulo de futebol junior? Tem dois moleques lá no Cruzeiro que estão mandando bem demais”, conta Maurinho.

Confira galeria de fotos da banda

O garçom coloca a primeira cerveja na mesa e cumprimenta um a um, são todos fregueses da casa. “Querem uma mesa?”, pergunta o funcionário. Beto responde que só jogará depois e agradece gentilmente.
Isto é o Tianastácia: uma personificação da palavra tranquilidade e uma das poucas bandas de rock nacional que não mente quando diz: “Fazemos música pela música”.

Vocês apresentaram o Orange 7, em 2006, como o amadurecimento da banda. Qual é a maior diferença do Tianastácia de hoje com o de 10 anos atrás?

Maurinho - O amadurecimento de ontem já é bem diferente se comparado com o de hoje.
Beto - A verdade é que encaramos todos os discos como se fossem decisivos pra nossa carreira. Estávamos até fazendo uma reunião mais cedo pra decidirmos o que vamos gravar agora, que vai ser o trabalho decisivo pra carreira. (Rs) A gente tenta, ao máximo, fazer o que estamos a fim de fazer. Falar isso parece óbvio, mas gravar o que você realmente quer é algo muito difícil. Existem pressões de vários lados e tipos. Mas há meia hora atrás, a gente estava conversando sobre isso lá no ensaio. Queremos fazer um trabalho mais voltado para as origens da banda.
Maurinho - Agora não vai ser nem mais rock e nem mais pop, mas como era no começo: uma coisa mais baixo, guitarra, bateria, menos violão e com mais ironia e irreverência.
Glauco - E isso tudo é bem diferente do Orange, que era mais balada e violão.

Até que ponto ser mineiro não é bom para o sucesso de uma banda? Pensando que a mídia global costuma girar no eixo Rio-São Paulo.

Beto - Aqui em Minas não tem um movimento muito forte como na Bahia, ou mesmo como no sul do Brasil.

É interessante por que a galera do sul escuta bastante as bandas do sul, o que não acontece em Minas Gerais.

Beto - Exatamente. Lá existe um movimento forte igual a Bahia, mas que não sai muito de lá. Minas Gerais tá em um ponto que tem arte demais, bandas demais e muitos artistas, mas não tem a exposição de mídia que o Rio e São Paulo têm. O Rio de Janeiro ganha muito por ser uma cidade turística e São Paulo pela questão dos negócios. Em Minas não existe essa mesma facilidade então, a galera daqui tem que dar uma ralada maior, dar mais na cara, ter mais contatos.

Vocês já pensaram em deixar Minas Gerais, juntar tudo e ir morar em SP?

Maurinho - Já. Várias vezes, aliás.

O que segurou?

Antônio - Aqui é muito bom, né? (Rs)
Beto - Claro que existem vantagens e desvantagens de ficar por aqui, mas só vejo o lado melhor. O Brasil é muito grande e nós estamos no meio do país. Então você para pra pensar e vê que o que mais dificulta uma banda de tocar em outro estado é a distância. Outro dia, a gente recebeu um contato pra tocar em um festival em Roraima e só os vôos ficaram em R$38 mil. Em Minas Gerais a gente absorve tudo, podemos pegar influências de todos os outros estados, por estarmos no meio. Agora, é óbvio que se o Tianastácia estivesse em São Paulo ou Rio, nossa carreira poderia estar em outra posição. Mas nós estamos na música pela música, não pela grana. Não vale a pena mudar, abandonar os amigos, a família e as raízes pra se lançar. Ninguém aqui nunca quis mesmo ir morar no Rio ou em São Paulo. A gente não iria só pra ganhar mais dinheiro.

Qual música vocês nunca deixam de fora em um show?

Podé - Cabrobró.
Beto - Cabrobró.
Maurinho - O sol, também.

E cantar Cabrobró hoje, mais de dez anos depois da primeira vez, continua sendo a mesma coisa?

Maurinho - Acho que é a mesma coisa porque é uma música sensacional, a mensagem dela é genial.
Antônio - É engraçado que a galera explode mesmo.
Maurinho - É uma música que tem uma história pra contar, não é qualquer coisa.

Bruno Senna - Esp. EM


Existia alguma polêmica, no começo? Porque é uma letra polêmica...

Antônio - A verdade é que nós começamos na música como diversão, não como profissão. Então, como a gente se divertia, as músicas eram pra gente rir. Se você escutar o primeiro disco, vai ver lá: “Eu não tomo mais o chá, caretei eu vou parar”. Isso tudo era uma bagunça, só que uma bagunça que começou a dar certo. Foi só depois que a gente percebeu que estávamos cantando pra adultos, crianças e tudo mais. Hoje, sendo politicamente correto, eu pegaria a Cabrobró e falaria: “Só transar com camisinha pra AIDS não te pegar”, sabe?

O melhor show que vocês já foram?

Maurinho - Neil Young, no Rock in Rio que a gente tocou.
Beto - Tem dois shows que acho memoráveis. Um foi o Jimmy Page e o Robert Plant, no Rio de Janeiro. Outro foi a volta do Mutantes, aqui em Belo Horizonte. Chorei naquele show, de verdade. Todo mundo cantando Balado do louco junto, aquilo foi incrível.
Podé - Esse show foi foda mesmo.
Beto - Mutantes pra mim é igual Led Zeppelin, cara. É mundial, é a melhor coisa que existe.

Eugenio Gurgel Especial para o EM UAI HIT 1


Os fãs do Tianastácia se orgulham de gostar de uma banda que toca rock e ponto. Mas existe a possibilidade de um dia vocês gravarem um CD só de reggae, por exemplo?

Glauco - Reggae? De jeito nenhum.

(Rs) Foi só um exemplo...

Beto - Reggae é muito difícil. Dançar daquele jeito alternando os pés é até tranquilo. Mas dançar assim tocando guitarra, não tem jeito.
Antônio - Mas se nós quisermos fazer uma coisa completamente diferente daqui alguns anos, vamos fazer sim. Se for nossa vontade, por que não fazer?

E em 2009? Sai CD mesmo?

Maurinho - Até o final deste semestre, se tudo der certo. Também devemos lançar um DVD com umas imagens bacanas.

Já tem nome?

Maurinho - Não, não. Bola oito, talvez. (Rs) Brincadeira. Ainda está nascendo, não dá pra saber.

Paulo Filgueras Estado de Minas


Shows

O MELHOR SHOW QUE O TIANASTÁCIA FEZ

A resposta foi quase em uníssono: Rock in Rio. Em 2001, o Tianastácia subiu no palco da Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, construída especialmente para o festival. “Foi inacreditável tocar naquele lugar. Pra todo lugar que a gente olhava tinha gente. Estávamos no mesmo lugar onde George Benson e AC/DC já tinham tocado. Foi muito foda”, lembra Podé.

Mas os mineiros também reconhecem a importância de todos os Pop Rock Brasil que participaram, em Belo Horizonte. “Nosso primeiro show no festival foi incrível. Isso, porque a gente chegou lá com nosso mérito, nossa música. Foi a escalada do rock n’ roll mesmo, sabe?”, explica Maurinho.

OS PRÓXIMOS

Amanhã e sábado, dias 21 e 22, tem show do Tianastácia. Galera que está em BH e Divinópolis vai poder curtir, se liga:

Sexta – DIVINÓPOLIS

Hangar Music - hangarmusicbar.com.br
Rua Pará, 280 - Centro // (37) 3222-6665
Entre R$ 20 e R$ 40 (sujeito a alterações)
A partir de 22h // Censura 18 anos

Sábado – BELO HORIZONTE

Lord Pub - lordpub.com.br
Rua Viçosa, 263 - São Pedro // (31) 3223-5979
R$ 40

A partir de 23h // Censura 18 anos

Confira vídeo do Tianastácia