Prestes a apresentar Tianastácia no país das maravilhas, oitavo CD da banda, o Tianastácia recebeu o Ragga Drops para um café e uma conversa. Maurinho (vocal e violão), Podé (vocal e violão), Antônio Júlio (guitarra) e Beto (baixo) – “não consegui falar com o Glauco [baterista]. O celular só dá desligado”, comentou Beto a Maurinho – falaram sobre o novo disco, o show de lançamento e anunciaram um álbum de regravações para 2010. Como crianças que saíram do Sítio do picapau amarelo e foram brincar com Alice no país das maravilhas, o grupo segue a carreira com naturalidade, sem atropelar o tempo.
O Podé disse em uma entrevista que o novo álbum é o mais bem resolvido da banda, que vem com um rock and roll mais cru, mais simples. Desde o começo da gravação a proposta foi essa?
Maurinho – Nos dois discos anteriores a este, a gente tinha uma ideia de viajar por caminhos diferentes do que a gente já tinha feito até então. Não foi combinado, já estava no nosso inconsciente que este álbum seria voltar, procurar a raiz do comecinho do Tia. Conversando, vimos que estava batendo a mesma coisa em todo mundo. Aí falamos: “É isso mesmo, vamos encarar esse rock mais cru e voltar um pouco com a brincadeira, com a sacanagem que o Tia tinha no começo”. Já estava na cabeça que seria isso mesmo. É tipo um ciclo, são 13 anos de banda. Acho que é uma volta mesmo, fechar um ciclo e começar uma história nova. Pode ter essa viagem.
Beto – Este disco é quase que um balanço desses 13 anos, do que a gente colheu. A gente continua pensando da mesma forma de quando começou. Não estamos nem aí, é isso mesmo que a gente vai fazer e é um caminho meio sem volta. Não existe a possibilidade de a banda acabar, só quando a gente morrer. Nossa vida é essa mesmo.
Com relação aos shows em Minas e no Brasil, o que vocês estão pensando para este disco?
Podé – A ideia é fazer com esse disco o que a banda já vem fazendo, que é atender a demanda de um público que já é nosso. O que a gente pretende fazer nesta turnê é um show mais cru em todos os sentidos. Vendo o clipe da música Fica aqui, que está no disco novo, tem-se a impressão de que vocês se divertem muito e que estão felizes com este momento.
Diversão e irreverência são palavras que não podem faltar no Tianastácia?
Podé – Acho que na arte em geral, quando você está feliz, é porque está fazendo o que gosta. Com certeza a alegria e a felicidade têm que estar presentes, sim. Acho que o povo está querendo é alegria, né? Sujeito sai de casa e quer se divertir, beijar na boca, pegar uma gata, dançar, curtir. Depois de 13 anos, qual é o segredo para manter o tesão pelo rock and roll e a harmonia entre os integrantes da banda?
Maurinho – A gente está fazendo o que sempre quis fazer, com verdade, não tem enganação. Não estamos pegando uma onda, um estilo, porque esse estilo agora é que é bom ou aquele porque aquele vai ser bom. O grande segredo é a verdade no trabalho.
Vocês tiveram que deixar muita coisa de lado, fazer muitas concessões?
Antônio Júlio – Acho que é até o contrário e a gente saiu prejudicado nisso. Quando lançamos o segundo disco, fomos convidados para ir ao programa da Adriane Galisteu e era dublagem. Falamos: “Dublagem a gente não faz”, ou seja, fechamos as portas. Bobagem. Você ser muito radical é burrice, a vida é uma diplomacia. Abrir uma concessão não é vender a alma. Nunca fizemos nada que a gente não quisesse, mas já deixamos de fazer coisas que seriam interessantes.
Beto – Uma concessão que a gente não fez foi mudar de Belo Horizonte. Já falaram pra gente mudar para o Rio ou São Paulo. A gente optou por ficar por aqui porque temos raiz aqui. O preço a ser pago para fazer um sucesso maior pode não valer a pena.
Vocês saíram do Sítio do picapau amarelo e agora estão no País das maravilhas. Durante essa viagem toda, quais foram as mudanças no som da banda?
Beto – A gente misturou tudo o que você puder imaginar. Samba, bolero, brega, baião, heavy metal. No Acebolado tem tudo isso, era mais mistureba, uma coisa mais despretensiosa. Com o tempo, a gente quis fazer melodias mais bonitas, músicas com mais harmonia, experimentamos uns teclados. Nesse disco agora tem uma música que a galera fala que é um funk-rock-pancadão. A música tem rock, uma parte que vira heavy metal e depois cai num funk carioca. A música seguinte já começa com um samba-rock, aí depois no final tem uma rodinha de samba, com barulho de garrafa. O CD tem duas regravações: Faroeste caboclo e Balada do louco.
Podé – A primeira vez que a gente tocou Faroeste caboclo, do Legião, foi no Pop Rock Brasil, em 1999. Aí a gente começou a tocar e vem tocando há 10 anos. Nunca vi outra banda tocar essa música ao vivo e, já que a gente toca há tanto tempo, por que não gravar? E Balada do louco a gente já vinha tocando. Gostamos muito dessa música. Com o lançamento do CD, vai rolar o show dos finalistas do projeto Vozes do Morro.
O Tianastácia tem uma identificação muito grande com festivais. Como é participar deles e dar lugar também para essa galera que está buscando espaço?
Podé – Foi uma honra para o Tianastácia ter sido convidado para ser padrinho do Vozes do Morro. O padrinho tem que ajudar mesmo. A maneira que o Tianastácia tem de ajudar é colocando para tocar com a gente. Já passamos por muitos festivais e sabemos que é difícil trabalhar com arte. Eles precisam de oportunidade, de espaço, lugar para tocar.
Neste domingo é o lançamento oficial do álbum e 2010 já está batendo na porta. Qual será o caminho a ser trilhado?
Maurinho – Mostrar este disco para o maior número de pessoas possível. Já foram distribuídas 13 mil cópias do CD aqui em Minas, no Rio, Brasília e alguns lugares fora daqui. Agora é colher a sementinha do que foi plantado.
Serviço Show Tianastácia - Lançamento do disco Tianastácia no país das maravilhas
• Quando: Domingo, no Mineirinho A partir das 13h haverá apresentação dos finalistas do projeto Vozes do Morro. Às 17h, é a vez do Tianastácia pisar no palco.
• Quanto: A entrada é franca. A banda pede que as pessoas levem brinquedos novos, que serão doados para o Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas).
Novidades para 2010
Além de promover o Tianastácia no país das maravilhas, a banda já tem outro projeto engatilhado para o ano que vem: “Vamos lançar um disco só de regravações da banda Secos e Molhados.
O CD já está pronto. A gente sempre teve projetos tipo ‘Tianastácia canta Secos e molhados’ ou ‘Tianastácia canta Mutantes’. São músicas que a gente curte mesmo. Aí gravamos o Secos e Molhados”, conta Maurinho.
“Paralelamente ao autoral, são discos de bandas que nos influenciaram”, completa Beto. Legenda: Maurinho, Podé, Beto e Antônio Júlio: disco novo e muitos projetos pela frente