Divirta-se Notícia - Vibrações positivas: e o que mais se poderia esperar de Junior Marvin, um dos seguidores do rei?

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Seção : drops - Notícias - 04/02/2010 06:10

Vibrações positivas: e o que mais se poderia esperar de Junior Marvin, um dos seguidores do rei?


Daniel Ottoni - Ragga
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Bruno Senna


As horas, a partir dali, seriam bem mais longas e cheias de expectativas. A entrevista marcada para o hotel não rolou e a conversa com Junior Marvin, vocalista e guitarrista da banda The Original Wailers, acabou ocorrendo antes da passagem de som do grupo, no Restaurante Esopo, em Nova Lima. Em menos de um ano, o grupo desembarcou pela segunda vez no Brasil para uma série de shows, começando por Itacaré, em 14 de janeiro.

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Em uma rotina de viagens, aeroportos e muito cansaço, o tempo em que estivemos com Junior Marvin foi mais que suficiente e satisfatório para trocar uma ideia com o cara. Ele tocou com Bob Marley entre 1977 e 1981, ano da morte do artista mais significativo no cenário do reggae, estilo musical que exportou o nome e as cores da Jamaica para bem além do Caribe.

“Tivemos que interromper uma turnê que passaria por 60 cidades dos EUA quando foi confirmado o câncer de Bob. Os médicos deram duas semanas de vida a ele, mas esse período durou oito meses, graças a um tratamento que foi feito na região alemã da Bavária. Foi sugerido que ele amputasse o dedão, mas Bob preferiu seguir outro tipo de tratamento. Se cortassem seu dedão, ele não poderia mais dançar no palco ou jogar futebol, coisa de que ele gostava mais do que de tocar suas músicas.”

Entre o atual momento e o começo na música, ainda na infância, Junior passou por bons momentos, como a oportunidade de estudar teatro em Londres quando tinha 14 anos. Isso foi essencial para sua presença e desenvoltura em cima de palcos ao redor do mundo. Além do reggae, ele mostra habilidade com outros ritmos, como o blues e o rock.

Bruno Senna
Junior Marvin: quatro anos ao lado de Bob Marley fazem do cara, hoje, um privilegiado na cena do reggae


Até o fim do ano, o jamaicano pretende concretizar o lançamento de seu trabalho paralelo. Iniciado nos teclados por influência de sua tia, antes mesmo de dar as primeiras palavras, foi na guitarra que Junior encontrou sua melhor forma de apresentação.
“Mas o Original Wailers também vai lançar um CD ainda este ano, com algumas composições próprias.”

Na apresentação que rolou no Esopo na última sexta para 500 sortudos, pôde-se comprovar que a banda não depende só do som de Marley para fazer sucesso. Não era para menos. Com a presença de artistas que parecem sentir a batida do reggae na medula, não tinha como deixar de lado a possibilidade de se criar um som.

A oportunidade que apareceu na vida de Junior Marvin de ir para Londres foi ímpar, sobretudo na realidade jamaicana da década de 1960, que não mudou muito desde então.

“Meu pai queria que eu estudasse mais e tocasse menos, mas eu fazia o contrário. Lembro-me de ele ter escondido minha guitarra e de a minha mãe ter me dado um dinheiro, sem ele saber, para que eu comprasse outra. Sorri e agradeci a ela, imensamente.”

Criado em uma família católica, frequentadora assídua de igreja, Junior sempre teve contato com a Bíblia, mas foi somente quando foi apresentado a Bob Marley que ele descobriu o rastafarianismo.

“Antes de conhecê-lo, não tinha nem ideia da existência da religião rasta. Aos poucos, fui conhecendo mais e melhor sobre a história, que tem suas origens na Etiópia.”

Bruno Senna


Em um momento decisivo da carreira, ele recebeu convite para tocar com dois músicos de destaque no cenário internacional: Bob Marley e Stevie Wonder.

“Meus amigos me aconselharam a ir com Bob, pois éramos nascidos no mesmo país.”

Se você ainda tem dúvidas se a escolha deu certo, basta olhar no sorriso do cara ao deixar a galera cantar as lendárias músicas do rei do reggae.

Além dos palcos

2 BANDAS?

Além do Original Wailers, outra banda roda o mundo com o nome de The Wailers, que conta com o baixista Aston Barret, esse sim integrante da formação original de Marley.

QUEM ATIROU PRIMEIRO?

A música de Bob Marley I shot the sheriff é uma de suas composições mais famosas. Mas primeiro o responsável pelo sucesso foi Eric Clapton, que gravou a canção em 1974.

RASTA MAN

Entre as convicções de Bob Marley e da religião rasta, estavam o amor igual entre todos e o uso da maconha, tida como algo natural e espirituoso.

Bruno Senna


ATENTADO NA NOITE

Considerado um inimigo político por alguns pelas ideias revolucionárias, Bob Marley foi alvo de um atentado em 1975. Ele escapou ileso e criou a canção Ambush in the night, em referência à frustrada tentativa.

ANEL

O famoso anel usado por Bob e visto em muitas fotos foi um presente do príncipe Asfa Wossan, neto do imperador etíope Selassie, também conhecido como Jah Ras Tafari.

A ORIGEM DO CÂNCER

O câncer de Bob foi descoberto graças a uma pelada. A orientação era para amputar o dedão machucado, o que foi recusado pelo cantor. Três anos mais tarde, um câncer cerebral começaria a levá-lo embora.

DREADLOCK TIME IS NOW

Bob cortou o cabelo, pela última vez, em 1962. Foram quase 20 anos sem ver um barbeiro até sua morte, em 1981. Os dreads que caíram, devido ao câncer, foram grudados em sua cabeça antes do sepultamento.

INEVITÁVEL

Em 1973, os Wailers foram convidados para fazer uma turnê com a Sly & The Family Stone. Mas a banda de Bob foi tirada de cena quando se percebeu que ela fazia mais
sucesso do que o grupo que a convidou.

PARA CURTIR

youandmeonajamboree.blogspot.com

beagaska.wordpress.com/roodboss-soundsystem

rootsculturereggae.blogspot.com

Bruno Senna

 

Assista a vídeo da banda