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Seção : Música - 18/09/2008 13:12
Esquema novo - O homem, o Camelo 
Thiago Pereira - Esquema novo
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Para minha geração, que perdeu os últimos bondes importantes da MPB – pessoas que não conseguiram ver Cazuza, Renato Russo e até mesmo Chico Science vivos –, a banda que Camelo liderava (lidera?), o Los Hermanos, era (é?) a materialização de tudo aquilo de que apenas ouvimos falar: shows histéricos, letras com as quais se pode identificar (por isso, não incluo nas minhas revoluções pessoais Raimundos ou Racionais Mc’s, mesmo nutrindo imensa admiração por ambos), hinos íntimos, mudanças de comportamento. Se a combinação barba e camisa xadrez voltou a fazer sentido longe dos diretórios acadêmicos universitários, pode culpar essa banda. E se você já estranhou encontrar com esses mesmos barbudos cantando a plenos corações coisas como “quem é mais sentimental que eu?”, pode colocar também na conta dos Hermanos. Não foram poucas as lições deixadas pela trajetória da (finada?) banda. Para mim, Los Hermanos começou há 10 anos, em um adorável pardieiro de BH chamado Butecário, onde a banda, pré-Anna Júlia, se apresentou para alguns pingados. E possivelmente acabou em um show no Lapa Multishow, na segunda visita que fizeram à cidade, trazendo o repertório do inspirado Ventura, uma apresentação arrepiante, pelos idos de 2004. Ainda me lembro com fidelidade da banda lançando o revolucionário Bloco do eu sozinho para poucos e em um lugar que nem existe mais, e de assistir, entediado, a uma apresentação deles em Goiânia, baseado no quarto e último álbum. Ou seja, a parada teve tempo, espaços, lugares. Então porque essa dificuldade? Talvez porque a memória – e não falo de saudosismo – seja o caminho mais interessante para ladrilhar o futuro. Ora, uma das melhores utilidades dessa relação quase doentia que os tarados com música têm com a mesma é justamente dividir suas vidinhas bestas por faixas, e não capítulos, anos, épocas. Pedaços de vida contados em alguns minutos de música pop. Portanto, lembrar de Los Hermanos hoje, mais do que voltar aos 20 e poucos anos, faz pensar que chego (Chegamos? Geração? Alguém?) aos 20 e muitos anos um pouco homem – sem conotações sexuais, por favor. Um pouco Camelo em seu trabalho-solo: meio descompromissado, uma desencanação saudável de quem quase já faz o que quer. E sem muita saudade das brigas para incluir O vencedor como música-tema para os formandos em jornalismo na faculdade, em 2005. Claro que ainda existem os que guardam sentimentos histéricos em relação a esse novo trabalho. Está quase tudo ali, ainda: a melancolia meio descabida, os flertes perigosos com o samba buarquiano, as tentativas de dança meio desengonçadas, as declarações exageradas de amor – se é que existem declarações exageradas de amor, mais uma lição discretamente deixada pela banda. Mas de outra forma – dá para cantar (quem sabe até compor?) tudo isso sem que o coração queira saltar pela boca. E ser compromissado apenas com o que quer. O grande lance em cima de Sou, álbum de Camelo, é essa redentora sensação de que, assim como ele, parecemos todos livres de certas amarras estéticas e emocionais tão presentes antigamente. É como se não precisássemos mais da obra de Camelo, é possível apenas fruí-la da forma que acharmos conveniente. Relax, numa tranqüila, numa boa. Fica a aí dica. Escute a nova música de Marcelo Camelo Doce Solidão |


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