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Seção : Música - 22/10/2008 11:01
Omara Portuondo e Maria Bethânia unindo Cuba e Brasil com a música
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Com direção de Mário Aratanha, o DVD recupera a emoção do espetáculo, captando o sutil jogo de interpenetração das culturas e de potente e impressionante diálogo. Os dois diretores musicais, Jaime Alem e Swami Jr., ambos brasileiros, parecem tecer com os arranjos e instrumentação uma conversa fácil entre Cuba e Brasil. Com artistas dos dois países, mais que duas bandas, os grupos se tornam parte de uma mesma orquestra, que mostra como os ritmos e timbres das duas tradições populares têm origem comum na matriz africana. O repertório escolhido por Maria Bethânia e Omara Portuondo é capaz de flagrar outros parentescos. Há temas que mostram a semelhança entre o samba-canção e o bolero; outras canções evidenciam a marca da música de origem rural nos dois países (Caipira de fato e El amor de me bohío); e ainda a presença da tradição dos musicais, com ritmos que lembram o teatro de revista e os cassinos. A canção de origem religiosa está presente na mais bela interpretação do espetáculo, Lacho, de Facundo Rivera e Pablo Miranda, que leva Omara a uma performance emocionante. O show tem como tema de abertura a canção Cio da terra, de Milton Nascimento e Chico Buarque, cantada em português e espanhol, seguida de Cálix bento, de Tavinho Moura, e Gente humilde, de Garoto, Chico e Vinicius, mais uma vez com direito a versão em espanhol. A seção seguinte tem a marca dos sambas lentos, que aproximam Bethânia do contexto latino abolerado, com canções como Arrependimento (Fernando César e Dolores Duran) e Negue (Adelino Moreira e Enzo de Almeida). A baiana mostra domínio do estilo cabaré/cassino com a divertida Escandalosa (Djalma Esteves e Moacyr Silva). Omara Portuondo, demonstrando por que se tornou a grande dama que emergiu da onda do Buena Vista Social Club, em momento solo, emenda clássicos da canção de seu país, como Talvez (Juan Formell) e Veinte años (Maria Teresa Veras), para levantar a platéia com Dos gardenias (Isolina Carrilo), maior clássico do repertório dos buena vistas, com o qual encantou o mundo ao lado do grande Ibrahim Ferrer. Bethânia e Omara voltam a cantar juntas vários temas cubanos e brasileiros, com destaque para o samba Só vendo que beleza(Marambaia), de Rubens Campos e Henricão, apresentado com nítida alegria pelas duas. A parte final do show traz merecida homenagem a Gonzaguinha, com Começaria tudo outra vez e Palavras. Um dos compositores mais identificados com Bethânia, para quem criou grandes sucessos, Gonzaguinha parece trazer um pouco do clima latino-americano, em seu derramamento e falta de vergonha em demonstrar a emoção, que já foi considerado brega e hoje ganha reavaliação. Bethânia, como sempre, sabia das coisas havia muito tempo. Ao final, Guantanamera. Tudo termina bem. O cenário de Gringo Cardia é bonito e funcional, explorado com sensibilidade pelas imagens. Para um DVD que não deixa de ser promessa de perenizar a emoção de um show, fica faltando material extra (resumido à discografia das duas cantoras). Depoimentos e, principalmente, entrevistas com Omara e Bethânia permitiriam ir além do registro para incorporar um novo patamar de informação e ligação entre as artistas e a música dos dois países. SENTIMENTO DE FRATERNIDADE
O sentimento de irmandade é estudado nos textos de Frank Padrón e Mônica Waldvogel (os mais longos e informativos do livro) e destacado nos depoimentos mais afetivos de Lya Luft, Nélida Piñon e Arnaldo Antunes. O texto de Bethânia, muito singelo, e o de Omara, mais reflexivo, abrem o livro com delicadeza e humildade. Elas nunca se colocam acima das canções que interpretam. Frank Padrón percorre os laços que unem os dois países, da música à religião, da alegria à tenacidade dos dois povos, desmontando mitos como o de que os cubanos não gostam de MPB, destacando a boa recepção dos artistas brasileiros e das trilhas de telenovelas. Recorda o trabalho em torno do cinema dos dois países, e o papel de vários artistas e intelectuais interessados no intercâmbio cultural, com atenção especial para Chico Buarque e sua relação com o movimento da Nova Trova. Seu texto, ao final, busca decifrar a impressão causada por Maria Bethânia, “uma atriz que canta”, conhecida em seu país desde os anos 1980. “Maria Bethânia é sem dúvida alguma a quintessência do Brasil, que inspira e encanta”, afirma o jornalista e escritor cubano. As fotos propõem curioso jogo de adivinhação (Cuba ou Bahia?) e misturam cenários e pessoas dos dois países, que tornam ainda mais indistintas as duas realidades. As cenas de rua em Havana e Santo Amaro da Purificação (na Bahia, terra natal de Maria Bethânia) evidenciam a semelhança no físico dos dois povos, na arquitetura com traços coloniais e em alguns aspectos culturais, como as religiões de origem africana. Tudo que não é cubano é baiano demais. Veja uma entrevista com Maria Bethânia e Omara Portuondo |



Veja uma entrevista com Maria Bethânia e Omara Portuondo
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