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Divirta-se

Seção : Música - 25/11/2008 16:57

D2 volta com A arte do barulho


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Washington Possato/Divulgação


Finda a trilogia hip hop com samba - que rendeu Eu tiro é onda (1998), À procura da batida perfeita (2003) e Meu samba é assim (2006) - Marcelo D2 foi até o Planet Hemp para confeccionar seu novo álbum: A arte do barulho. Não é um retorno à banda, mas uma busca por uma sonoridade mais pesada, que deixa de lado o sampler e concentra-se nas guitarras. "É um disco em que peguei tudo o que fiz até agora, tanto que ele traz guitarra, samba, bossa nova", afirma D2. Além disso, A arte do barulho não é somente nome do álbum e de sua faixa de abertura, mas também de um manifesto que vem no encarte do CD.

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"A gente vive o tempo do culto à celebridade, o que me deixa um pouco angustiado. Imagine artista que não faz arte, que vive de ser celebridade. E todo o mundo querendo saber quem está com quem, quem separou de quem. Isso é inacreditável. Então A arte do barulho é um chamado para as pessoas irem para a rua, façam barulho. Afinal de contas, o escritor José Saramago diz uma coisa na qual acredito também. Ele diz que não trabalha com a inspiração, que senta em frente ao papel em branco e começa a escrever. Ou seja, a gente tem de trabalhar as idéias o tempo todo, botar a cabeça para funcionar", afirma D2.

De volta ao disco, quando começou a pensar nele, o rapper só tinha uma certeza: de que teria muitas vozes femininas. "Se pensarmos nas várias maneiras de se fazer samba, sempre tem um refrãozinho com mulher cantando. Essa era a parada que eu queria fazer. O resto, foi pintando." Todas as 12 faixas contam com alguma participação: Mariana Aydar (Fala sério!); Thalma de Freitas (Ela disse); Zuzuka Poderosa (Meu tambor) e Roberta Sá (Minha missão).

DESABAFO

"Tirando a Roberta e a Zuzuka, conhecia a maioria. A Zuzuka Poderosa é uma menina que conheci no Myspace e nunca a vi na vida. O interessante é que todo o mundo foi muito solícito. Ninguém chegou dizendo que iria fazer isso ou aquilo. Sempre me perguntaram o que queria", continua D2. Há outra cantora que não gravou propriamente, mas tem uma das presenças mais marcantes do trabalho. Desabafo, o primeiro single, traz como refrão o sample de Deixa eu dizer, samba de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza gravado por Cláudia na década de 1970. É, por sinal, um dos raros samples do álbum.

Outro destaque do álbum é Afropunk no valle do rap, que marca o encontro de D2 com Marcos Valle. "Há muito tempo estávamos a fim de trabalhar juntos", comenta (Afropunk é o alter ego de D2). Há ainda Seu Jorge (A arte do barulho e Pode acreditar) e Stephan Peixoto, o primogênito de D2 (em Atividade na laje). Nos temas das canções, há alguma novidade. Ela disse fala de um primeiro encontro. Vem comigo que eu te levo pro céu, atualmente a faixa preferida de D2, é outra a tratar de um relacionamento amoroso.

PRODUÇÃO

Mais uma vez o rapper trabalhou ao lado do produtor Mário Caldato. "Trabalhar com ele é muito simples. Expliquei o conceito, ele me disse para montar meu estudiozinho portátil. Gravei as bases numa fazenda e também em Trancoso. Depois, apresentei para ele, que me disse o que funcionava e o que não. Como ele sabe exatamente o que quer, levamos dois dias para gravar os instrumentos e depois fomos para Los Angeles terminá-lo."

Aos 15 anos de carreira e nove discos - quatro com o Planet Hemp, os quatro solo e mais um Acústico MTV - Marcelo D2 tem uma situação confortável na música pop nacional. Ainda que A arte do barulho não seja inovador como À procura da batida perfeita (traz, inclusive, idéias já exploradas em trabalhos anteriores), mostra que D2 não se acomodou. "Quando conversei com o meu empresário sobre À procura... a gente achou que aquele disco não iria tocar em lugar nenhum. Que rádio iria tocar hip hop com samba? Mas aquilo virou a parada. A verdade é que quando a música é boa, é nova, você acaba convencendo as pessoas de que elas têm que ouvir. E música é música. Quando vou fazer um disco, não dou importância para rádio, nova tendência. Tento fugir disso, quero é bater de frente com os caras", conclui D2 que, a despeito do sucesso, parece não ter perdido a essência: ser a favor do contra.

TURNÊ

Oficialmente, a turnê de A arte do barulho só terá início em janeiro. Entretanto, nos shows que apresenta até o final do ano, Marcelo D2 incluiu algumas canções do novo trabalho. Por ora são somente quatro, mas ele pretende chegar a nove. Entre o final de janeiro e o início de fevereiro, quando essas músicas estiveram mais azeitadas, ele vai gravar um novo DVD. A gravação será aberta ao público nos Arcos da Lapa, no Rio.

MANIFESTO A ARTE DO BARULHO

"Quando sinto o impulso, escrevo sem pensar tudo que meu inconsciente me grita. Penso depois: não só para corrigir, como para justificar o que escrevi. É preciso escrever a nossa própria história... deixar de viver o sonho dos outros. Queremos cumprir nossa missão que é fazer algo de verdade que venha do coração. Nós temos a coragem d'Os Afrosambas de Vinicius de Moraes e Baden Powell... a visão de Tom Jobim. Nós queremos modernizar o passado como Chico Science falou. Nós declaramos que não somos só um número e queremos escrever o nosso nome. Não há beleza senão na luta, não há paz sem voz. Nós queremos o direito que é a garantia do exercício da possibilidade. A possibilidade de fazer e de participar. Nosso tempo é hoje! A hora é agora! Então vamos fazer barulho..."

LEIA ESTA REPORTAGEM NA ÍNTEGRA NESTA QUARTA-FEIRA NO ESTADO DE MINAS

Assista ao clipe da música Desabafo de Marcelo D2