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Seção : Música - 26/11/2008 09:24
Mais do que paixão
Cantora Jane Duboc lança Canção de espera, com músicas de Egberto Gismonti. Disco resgata ligação da artista com o compositor, que remonta aos anos 1970
Ailton Magioli - EM Cultura
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Adepta dos projetos temáticos desde a estréia em compacto simples da CBS, produzido por Raul Seixas, em que já denunciava a poluição que hoje ameaça o planeta, Jane Duboc recorda que foi por meio deste que o também estreante Egberto Gismonti se encantou com a sua voz. Por intermédio do pianista e produtor Luiz Eça, Egberto a convidou para participar do show Água e vinho, que faria no lendário Teatro Opinião, no Rio de Janeiro, em 1971. “Aprendi muito com Gismonti, com quem passei a trabalhar em trilhas de teatro e cinema, além de percorrer todo o circuito universitário”, lembra orgulhosa. “Depois, mesmo com ele se enveredando pela música instrumental, continuei cantando ao seu lado, fazendo vocalizes”, acrescenta. Amante da melodia e fã assumida do jazz, para Jane Duboc não foi difícil acompanhar Egberto Gismonti, um especialista em fazer canções que a própria intérprete classifica de lado B. “Prestava atenção na melodia, que normalmente era linda, e viajava, improvisando. O que mais me fascina na música é a melodia, apesar de amar a harmonia”, revela a intérprete de gosto refinado. “O fio melódico é a essência de todo trabalho. Enquanto cada um puder harmonizar de um jeito, a melodia é algo que eu carrego comigo. E a função do intérprete é apresentá-la ao público. Claro que a carga emotiva aumenta com a letra”, ensina Jane, salientando que em Egberto Gismonti tudo se equilibra: melodia, harmonia e letra. “As canções dele são um presente do céu, tocam a alma”, elogia. Romântico Ao promover uma reflexão sobre o que é o amor, ela acabou fazendo de Canção de espera – Jane Duboc canta Egberto Gismonti um disco romântico. A maior dificuldade talvez tenha sido selecionar as pérolas para o repertório, da relação de 60 que recebeu do amigo e parceiro. Depois de ouvir todas repetidas vezes, Jane Duboc acredita que as próprias foram se escolhendo. “Elas foram formando um roteiro, naturalmente”, explica. Não por acaso, das 12 canções registradas no disco, 10 (Janela de ouro (A traição das esmeraldas), Feliz ano-novo, Memória e fado, Ano zero, Quatro cantos, Sanfona, Água e vinho, Bodas de prata, Auto-retrato e a que batiza o CD) têm letra do poeta Geraldo Carneiro, parceiro mais constante de Egberto Gismonti. Sempre a serviço da música, como gosta de frisar, a cantora diz que fez questão de contar no projeto com músicos com os quais já havia trabalhado também. Além de três grandes arranjadores – Gilson Peranzzetta, Fernando Merlino e Lula Galvão – ela se deu ao luxo de convidar feras como Zeca Assumpção e Jorge Helder (baixos), Mauro Senise (flautas e sax), João Cortês (bateria) e Pantico Rocha (bateria/percussão) e o quarteto de cordas Bessier. Olivia Byington, que havia lançado Sanfona, foi convidada para fazer dueto com ela na nova gravação da pérola, enquanto Pery Ribeiro canta com Jane Janela de ouro (A traição das esmeraldas) e o filho Jay Vacquer, Ano zero. O bandolinista Hamilton de Holanda faz participação especial em Memória e fado. Um dos momentos mais tocantes do disco é quando ela canta Mais do que a paixão, de Gismonti e João Carlos Pádua, que havia ganhado gravação antológica da veterana Alaíde Costa. De Gismonti com Paulo César Pinheiro Jane gravou Saudações. A expectativa da cantora agora é lançar o CD em shows, a partir de fevereiro, com a participação de todos. Inclusive, o próprio homenageado, Egberto Gismonti. PARCERIA COM O FILHO Proprietária da Jam Music, que, além de lançar o próprio filho no mercado fonográfico, foi responsável por outros 35 discos que chegaram ao mercado, há dois anos Jane Duboc deu uma parada no negócio, devido ao fato de a produção ter afastado-a da carreira de intérprete. “Volto com a gravadora em 2009, agora no Rio de Janeiro, para onde me mudei e pretendo formar uma equipe”, anuncia a cantora, cujo estúdio de gravações anteriormente era mantido em São Paulo. Orgulhosa da carreira do filho Jay Vacquer, que, na semana passada, gravou o primeiro DVD no Canecão, ela diz que Jay já conseguiu dar uma marca própria a seu trabalho. “Hoje, o músico faz de tudo, já não delega nada a ninguém”, comenta a respeito da ampla atuação do filho, que, além de cantor, é ator e publicitário. Por duas vezes, ela e o filho já estiveram juntos no estúdio, além da participação de Jay em Canção de espera – Jane Duboc canta Egberto Gismonti. “Ele gravou comigo e Zezé Gonzaga a canção Menino vadio, para o disco Clássicas, além de eu ter gravado Ninguém, de autoria dele, em Todos os caminhos”. |




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