Divirta-se Notícia - Para quando o Radiohead chegar

Divirta-se

Seção : Música - 16/01/2009 07:00

Para quando o Radiohead chegar


Terence Machado - Esquema Novo
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Yves Herman/Reuters - 27/2/08
O vocalista Thom Yorke e seu Radiohead vão cantar no Brasil
Pode voltar a escutar Creep, aquela balada que recebia ondas de guitarra tão arrasadoras quanto tsunamis, varrendo qualquer calmaria. Pode até começar por Creep – a canção que 11 entre 10 bandas inglesas queriam ter feito dos anos 1990 pra cá – caso você tenha abandonado o pop desde então. Caso comece uma imersão em Radiohead a partir de agora, nos pós-exageros da virada de ano, não perca muito tempo em Pablo honey, disco de estreia do grupo que, sim, pode soar um tanto datado, “noventista” demais, embora boa parte do conteúdo musical relevante daquela década tenha brotado a partir daí. O estrondoso sucesso de Creep como single abafou o crescimento pleno de outras sementes de grande potencial, tais como You, Stop whispering e Anyone can play guitar.

Mas foi com o álbum seguinte, The bends, com Planet telex, assustadoramente pulsante e com ares futuristas, puxando um repertório incrível, que Thom Yorke e cia. mostrariam que qualquer disputa cheirando a espírito juvenil deveria ficar mesmo entre o Blur e o Oasis. Eles não fariam absolutamente nada para apartá-la, a não ser produzir música pop com padrão ultraelevado. Mesmo que os irmãos Gallagher fiquem dóceis e a menos que criem um canal de inspiração para receberem melodias enviadas diretamente por Lennon e Harrison do “andar de cima”, mesmo que Damon Albarn e Graham Coxon do Blur façam pacto com o “coisa ruim”, numa encruzilhada qualquer de Oxford, nada fará com que eles produzam um conjunto de canções aparentemente doces, quebradas por distorções de amargor persistente e reunidas num só disco como o Radiohead, em The bends.

Ok computer, a obra seguinte, dispensa apresentações. Ter passado batido por esse disco e a épica Paranoid android e achar que ouviu música pop de 1997 em diante é como gostar do som de Seattle e pular o Nirvana. Em todos os sentidos! Ela, Karma police e No surprises, além de estupendas, ganharam clipes não menos acachapantes, que, somados a quatro outros vindos do CD anterior, formaram a videocoletânea 7 television commercials. Essa compilação pode, entre outras coisas, funcionar como sessão de gala para a introdução ao universo musical do Radiohead.

Depois de Ok computer, definitivamente, o quinteto britânico não poderia lançar algo convencional. Veio a sequência Kid A e Amnesiac, discos que dividiram os admiradores do grupo em duas facções – a dos que passaram a achar a banda mais chata e cheia de esquisitices (o que não deixa de ser verdadeiro “até a página dois”, da três em diante é só alegria!) e a dos que passaram de fãs a fanáticos (fanatismo nunca é algo saudável, portanto, achar Amnesiac o melhor álbum da banda é como entrar para o Hamas dos indies).

Hail to the thief surgiu como um aceno cínico a George W. Bush e, de certa forma, agrupando as experimentações sonoramente certeiras, presentes nos cinco discos anteriores. Já In rainbows é o melhor aceno musical para a indústria fonográfica, com o dedo médio em riste. Lançado de forma independente e vendido primeiramente pela internet pela quantia que o comprador quisesse pagar, canções como 15 steps, Weird fishes e Jigsaw falling in to places por si só valem mais do que milhares de CDs vendidos por aí por preço superior a R$ 15.

Mudando de assunto, quando será mesmo o carnaval este ano? Não sei quanto a vocês, mas pra mim será entre 20 e 22 de março.