Em sua segunda vinda ao Brasil, o trio inglês Keane deixa de lado canções mais tristonhas que marcaram os dois primeiros álbuns e centra o foco num momento mais ensolarado, principal marca de Perfect symmetry, seu disco mais recente, base dos shows no país. Foi assim anteontem, em São Paulo, na estreia da curta turnê nacional, e deve ser da mesma maneira na noite de quinta, quando o grupo de Tom Chaplin (voz), Tim Rice-Oxley (piano) e Richard Hughes (bateria) se apresentar no Chevrolet Hall.
No repertório do show estão canções obrigatórias de Hopes and fears (2004), como Everybody’s changing, Somewhere only we know (as tais que marcaram o Keane como banda tristonha e de canções intensas) e Under the iron sea (2006), o disco que foi na mesma onda do primeiro, em músicas como Try again. Mas o grosso do material vem de Perfect symmetry, com faixas como The lovers are losing, Spiralling e a canção-título. Em São Paulo, Chaplin, que fez um set acústico na metade do show, ainda reservou para o bis a versão do Keane para o clássico do Queen Under pressure.
Em entrevista recente ao Estado de Minas, Richard Hughes comentou que, a despeito das críticas, que chamaram a atenção para a alegria do álbum, Perfect symmetry tem um lado negro. “Quando você faz sucesso logo no início da carreira, é muito mais fácil ir para um caminho já percorrido. Não queríamos nos repetir. A intenção era experimentar. Não é um disco feliz, há músicas bem depressivas. The lovers are losing é uma canção que olha o mundo a partir do movimento hippie, no fim da década de 1960, pois fala de amor versus ódio.”
O álbum foi gravado em várias cidades, mas a maior parte dos registros foi feita em Berlim. “É uma cidade que traz muita história na política e na cultura, carrega vários fantasmas e meio que se reinventou inúmeras vezes. Uma boa metáfora para o Keane”, acrescentou Hughes. Com 10 anos de carreira, o Keane, mesmo sendo bom vendedor de discos e com popularidade em alta, ainda é visto como sub-Coldplay. Isso se dá porque os dois primeiros discos apostaram mais no piano do que na guitarra. Pelo menos lá fora, Hughes acredita que a situação vem mudando. “É só ouvir Spiralling ou You haven’t told me anything e ver que não soamos mais como eles. Toda banda leva alguns álbuns até que as pessoas parem de tentar encontrar referências. Tenho certeza de que o U2 foi comparado com outros grupos no início da carreira”, conclui.
Assista ao clipe do Keane com a música Perfect Symmetry