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Seção : Música - 13/03/2009 10:43
A cara do Brasil
Autor de grandes sucessos nas vozes de Alceu Valença e Maria Bethânia, Vicente Barreto lança novo disco em que retoma suas origens, com repertório que vai do samba ao baião
Ailton Magioli - EM Cultura
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“As duas foram registradas a pedido da gravadora”, conta ele, ao telefone, direto da Vila Mariana, em São Paulo, onde mora desde 1973. Dono de obra autoral celebrada, na voz de outros artistas – Morena tropicana, Cabelo no pente e Pelas ruas que andei, da parceria com Alceu Valença, estouraram na voz do pernambucano – Vicente continua ignorado e pouco valorizado por parte da mídia. Para surpresa de alguns, teve a oportunidade de dividir parceria inclusive com o poeta Vinicius de Moraes, em Eterno retorno, que Márcia gravou em 1977. “Ser deconhecido não me incomoda absolutamente em nada. A arte tem seu tempo para cada artista”, afirma ele, que diz ter ouvido de tudo para fazer a própria música, impregnada de Nordeste. “Vim ao mundo para fazer músicas, mas também com uma grande percepção de análise crítica daquilo que faço”, diz. E destaca que os mestres, como os integrantes do Buena Vista Social Clube, só viriam a ser descobertos aos 70, 80 e até 90 anos. “Se por um lado muitos que começaram comigo na década de 1970 estouraram, por outro eu acabei ficando conceituado naquilo que faço”, avalia o compositor. Em Vicente, ele também teve o privilégio de contar com o filho Rafa Barreto, em participação especial no disco. “Todos os segundos violões são ideia dele”, orgulha-se, admitindo que não há ninguém mais apropriado para entender aquilo que ele faz do que o próprio filho. “Rafa é crítico, detalhista e analítico”, lista as qualidades do jovem violonista. No 10º disco solo de carreira, Vicente Barreto gravou o mesmo número de composições inéditas (Conversa ao pé da porta, No desfile do Brasil, Santo sem andor, Esse rio, Dom, destino e profissão, Reverso, Sinfonia das marés, A barca do desejo, Flor ímpar e Roda de capoeira), todas absolutamente rítmicas conforme requer o universo nordestino em que foi criado. “O toque do violão é a minha marca”, afirma o discípulo de Jackson do Pandeiro na rítmica que, na composição, diz ter seguido os passos dos mestres Luiz Gonzaga, Tom Jobim, Edu Lobo e Gilberto Gil. A regravação de A cara do Brasil, em que reencontra o samba de roda do Recôncavo Baiano, é uma espécie de acerto de contas com a própria origem. Assim como a de Capitão do mato. O Brasil precisa descobrir Vicente, repleto de samba, coco, baião, toada, capoeira e outros ritmos. |



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