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Seção : Música - 22/03/2009 08:38

Radiohead faz show perfeito para 24 mil pessoas no Rio

O quinteto inglês faz sua última apresentação no Brasil este domingo em São Paulo

Mariana Peixoto - EM Cultura
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Marcos Hermes/Divulgação
Com performance emocionante, Thom Yorke mostrou por que é considerado o mais dramático intérprete do rock atual

Rio de Janeiro
– Existem bandas e existe o Radiohead. As 24 mil pessoas que foram ao sambódromo ver o primeiro show da banda inglesa no Brasil devem ter tido sensação semelhante depois de pouco mais de duas horas de uma apresentação perfeita. O apelo visual é forte: dezenas de luzes de led que vão do teto ao chão e mudam de cor a cada música, mais um imenso telão ao fundo que se divide em cinco, destacando cada um dos integrantes. Mas, se houvesse somente a música, o impacto não seria menor.

O show é o retrato exato do quinteto de Oxford hoje, 20 anos depois de sua formação. As canções intensas e climáticas se amplificam ao vivo. Pequeno e estranho, Thom Yorke leva ao máximo grau a interpretação – ora dança como um louco, ora é bastante teatral. Ainda que o vocalista concentre todas as atenções, a banda explode em cena, com destaque para o incansável guitarrista Jonny Greenwood.

O Radiohead levou para o palco todas as 10 canções de In rainbows (2007) – depois de alguns trabalhos quase herméticos, o grupo conseguiu, nesse disco, fazer canções acessíveis com sons algo abstratos. Abriu a apresentação com a percussiva 15 step, como vem fazendo em todos os shows dessa turnê. Mas depois, como prega a cartilha do grupo, não se repetiu em cena (como repertório deles é sempre imprevisível, podem fazer no show de São Paulo, na noite de hoje, uma história bem diferente).

Em cena, o arco-íris de que fala o título do disco mais recente se amplifica para canções de outras fases da banda. Cada uma das 25 apresentadas parecem ter sua cor. Em National anthem, mais pesada ao vivo, o palco foi tingido de vermelho. Na triste No surprises, de rosa e azul. Outros clássicos do repertório do grupo foram Karma Police (que Yorke terminou cantando a capella); There there, que tirou de Grenwood e Ed O’Brian de suas guitarras para levá-los a tocar tambor; Idioteque (com público e banda quase num transe coletivo), Paranoid android, There there, Just.

O público atuou de forma reverente. Ainda que o repertório não tenha sido nada óbvio, por alguns lados B, cantou praticamente tudo do início ao fim. Yorke se dirigiu diretamente para a plateia poucas vezes, como costumeiro. Já no fim do show, provocou um dos momentos mais fortes da apresentação. Anunciou You & whose army (de 2001) dizendo ser aquela uma velha canção, “da época em que a América do Norte f... com vocês” (referência à era Bush). Ao piano, começou a cantá-la com uma câmera bem próxima ao rosto, amplificada no telão (destacando o olho esquerdo que pouco abre, sua marca registrada).

No final, uma colher de chá com Creep, o primeiro hit, que a banda toca hoje em dia em raras ocasiões, fechou a apresentação. Depois da noite de sexta-feira – e não é difícil prever o mesmo para a de hoje – só há uma conclusão possível: depois do Radiohead, vai ser difícil assistir ao show de qualquer outra banda.

Marcos Hermes/Divulgacao
Optando por uma apresentação mais convencional, o grupo carioca ficou devendo aos fãs

Los Hermanos só bateu o cartão


Também depois de ver o Radiohead, ficou a pergunta no ar: Havia a necessidade de se convocar Los Hermanos e Kraftwerk para abrir o show? Absolutamente não. A anunciadíssima volta (somente para os dois shows) do Los Hermanos por pouco não foi um banho de água fria nos seguidores do quarteto carioca. Dois anos depois da separação temporária, o grupo não se mostrou com química em cena. Fez um show convencional, que só não perdeu mais porque havia uma retaguarda (os fãs) para dar apoio.

Depois de alguns (poucos) bons momentos (Além do que se vê, Sentimental, A flor e Cher Antoine, essa última das antigas, mas novidade em shows) a banda deixou o palco naquele clima de que havia estado ali para bater cartão. Já o Kraftwerk, grupo alemão que é um dos pilares do que conhecemos por música eletrônica, parecia somente deslocado.

Seu show (bastante parecido com o de 2004, que o grupo apresentou também no Rio), com telões enormes com imagens incríveis que traduzem o que os quatro “homens-robôs” fazem atrás de seus laptops, ficaram lindas no enorme sambódromo. Trans-Europe express e Robots (com os quatro integrantes literalmente substituídos por robôs) foram as mais celebradas. Mas o clima no ar era de sala de espera de Radiohead. E o Kraftwerk, vamos ou venhamos, merece muito mais.

Assista ao clipe da música House of cards, do Radiohead