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Seção : Música - 26/05/2009 10:55
Matuto Moderno lançao álbum Empreitada perigosa
Quarto disco de carreira do grupo tem clássicos do repertório sertanejo interpretados com viola caipira e eletrônica
Eduardo Tristão Girão - EM Cultura
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A diferença entre mistura e mistureba é enorme. Na música, a fusão de muitas influências ou de matrizes muito distintas é uma aposta arriscada. A linha é tênue. Mesmo assim, foi com coerência e talento que os paulistanos da banda Matuto Moderno passaram próximos dessa fronteira para lançar Empreitada perigosa, quarto disco em 10 anos de carreira. Como o nome do grupo indica, influências rurais e urbanas são unidas em torno de um único repertório: compositores tradicionais, elementos do rock, viola caipira e alguns efeitos eletrônicos. Equilibrar e dar sentido a tudo isso, fazendo com que 13 faixas pareçam ao ouvinte partes de um todo, não é tarefa fácil. Não por acaso foi o disco que a banda demorou mais para fazer – dois anos, no total –, lançado na esteira de Razão da raça rústica, de 2005. “Esse trabalho é diferente do anterior, a começar pelo repertório, que agora não é autoral. Não diria que escolhemos clássicos do repertório caipira, porque há muito lado B nesse disco. São músicas importantes para a gente”, afirma Ricardo Vignini, violeiro do grupo. Com ele, formam o Matuto Moderno Alez Mathias (guitarra), Marcelo Berzotti (baixo), Mingo Jacob (percussão) e Ricardo Berti (bateria). Juntos, pinçaram canções como Viola cósmica (Gildes Bezerra e Pereira da Viola), Ecologia brasileira (Índio Cachoeira), Seresteiro da lua (Pedro Bento e Cafezinho), Corimbatá (Palmeira e Mário Zan) e Peito sadio (Raul Torres e Carreirinho). “Mas é claro que não podia faltar Tião Carreiro, Tonico e Tinoco”, diz Ricardo. É por isso que no repertório também estão Navalha na carne, de Tião e Lourival dos Santos, e Cabocla, da dupla paulista. Além dessas, a banda tratou de regravar a clássica Índia (Hermínio Gimenez, José Fortuna e Pinheirinho Jr.), mas o fez de maneira peculiar: ganhou levada pesada de bateria, guitarra com efeitos, arranjos dissonantes e percussão. A interessante combinação serve de inspiração em outras faixas, como Canção do Jovino (Vidal França), na qual os versos “Bote a panela no fogo/ Vou tratar dos animais/ Na miragem desse horto/ Sou eu quem te quer mais” são embalados por acordes distorcidos e bateria roqueira. A guitarra suja volta a dar o ar da graça em vários outros momentos, como na faixa-título, escrita por Moacyr dos Santos e Jacozinho. ATITUDE A convivência dos integrantes da banda com diversos artistas da música caipira nos últimos quatro anos foi a principal fonte de inspiração para Empreitada perigosa. “Desde o começo, sempre tivemos como filosofia a música de viola na base. Neste disco, tivemos mais contato com a música caipira. Não foi aquela coisa de pesquisador, mas convívio mesmo. A música perde muito com uma releitura que não acrescenta nada ou que não respeita a tradição. Não temos problema com nenhuma dupla caipira”, defende o violeiro. “Por que a gente, que toca rock e é do Brasil, não pode ser influenciado pela nossa música? Não é só o rock que tem energia. Os solos do Tião Carreiro têm algo de Jimi Hendrix. Sapateado de catira também é puro rock and roll. O Índio Cachoeira é muito mais rock and roll do que esse rock fabricado e sem atitude de hoje. De uns tempos para cá, todo mundo teve influência do rock. Uns não falam, outros têm vergonha. Só tivemos projeção depois de assumir essa parada. Eu não sou um cara da música de raiz”, define. |


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