Divirta-se Notícia - Festa da Música apresenta frescor e maturidade

Divirta-se

Seção : Música - 09/10/2009 07:00

Festa da Música apresenta frescor e maturidade

Espaço para novos e antigos talentos, evento tem grupos novos e experts como Egberto Gismonti

Ailton Magioli - EM Cultura
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Luísa Rabello/Divulgação
O grupo Ramo aproveita para lançar seu primeiro disco durante o show
Procedentes da Escola de Música da UFMG, Daniel Pantoja (flautas), Felipe José (violoncelo, flauta e violão), Rafael Martini (piano e violão), Frederico Heliodoro (contrabaixo) e Antônio Loureiro (bateria) formam o grupo Ramo, cuja estreia fonográfica com disco homônimo ocorre, oportunamente, na Festa da Música. “A estrutura oferecida foi essencial para a decisão”, conta Rafael, lembrando que, apesar de gravado desde março, o CD sai somente agora, com direito a repertório novo no show, já que a produção autoral não parou.

Divisão ou subdivisão do caule ou eixo central das plantas; proveniência de um ancestral ou ramo familiar comum; descendência; complemento de uma parte do todo. Esses são alguns dos significados encontrados para ramo no dicionário, que cabem perfeitamente para definir o grupo instrumental, cuja alma reside exatamente na composição. “Nos reunimos por causa da composição”, acrescenta Rafael Martini, lembrando que, na universidade, cada um foi mostrando a sua produção ao outro. “Somos um circuito de autoinfluência”, resume o músico, salientando que a faixa etária dos integrantes do grupo varia dos 21 anos aos 28 anos.

“Nos enriquecemos podendo compartilhar dessa experiência. Fora a questão da amizade, que tem muito a ver com a própria idade de todos”, admite o baterista Antônio Loureiro. Segundo garante, o Ramo é algo muito especial para ele, porque sua escola instrumental foi de uma ou duas gerações acima. “Com o grupo começamos a fazer uma música diferente, nossa”, justifica o baterista, salientando que no grupo um sempre incentiva o outro. “Nos relacionamos com quem está descobrindo a mesma coisa”, conclui Antônio Loureiro.

De repertório autoral bem variado, o grupo vai do samba (Samba irmão, de Felipe José) ao maracatu (Volúpedes, de Antônio Loureiro, e José no Jabour, de Loureiro e Rafael Martini), passando pelo choro (Corre Loló que tá na hora, de Rafael Martini) e outros ritmos brasileiros. Outra característica marcante do Ramo é o fato de o grupo tocar música da maneira mais livre possível, incorporando a improvisação como parte da composição. A produção e direção musical do álbum ficaram a cargo do pianista e compositor paulistano Benjamim Taubkin.

NOITE DE ESTRELA

Presença marcante no festival, o músico fluminense Egberto Gismonti (foto) se apresenta hoje, às 21h, na Praça do Papa. Com 60 discos, 30 trilhas para balés, 22 trilhas para cinema e 11 trilhas para séries de TV no currículo, ele começou a estudar música aos 6 anos. Durante a infância e a adolescência, seus estudos no conservatório já incluíam flauta, clarinete, violão e piano. Em 1968, quando participou de festival da TV Globo, com a canção O sonho, atraiu pela primeira vez a atenção do público e elogios da crítica. Naquele mesmo ano, Gismonti foi para a França como músico e arranjador, convidado pela atriz e cantora Marie Laforêt. Durante sua estada por lá, estudou música dodecafônica com Jean Barraqué e análise musical com Nadia Boulanger. O primeiro disco foi lançado em1969, com forte influência da bossa nova. Sólida, a carreira de Gismonti reúne apresentações em palcos de diversos países.