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Seção : Música - 14/10/2009 12:01
Joel Nascimento e Hamilton de Holanda gravam CD
Álbum reúne temas eruditos de Bach e Beethoven com composições de Pixinguinha e Gardel
Eduardo Tristão Girão - EM Cultura
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Apesar de ser entre aluno e professor, o encontro registrado no recém-lançado disco De bandolim a bandolim poderia ser descrito como encontro de titãs. Afinal, trata-se dos cariocas Joel Nascimento e Hamilton de Holanda, dois dos maiores bandolinistas brasileiros da atualidade e representantes de duas gerações distintas de chorões. Depois de ter aulas do instrumento com Joel, Hamilton virou fã do professor e juntos tocaram diversas vezes e até no exterior. Essa é a primeira vez que gravam juntos. O repertório vai de Pixinguinha a Vivaldi, interpretado sem instrumentos adicionais. “Considero esse disco didático, porque o que foi feito é inédito. Gravamos Beethoven, que escreveu para bandolim, sem alterar o original. Hamilton tocou exatamente o que ele escreveu para piano. A extensão toda do piano de Beethoven está no bandolim de 10 cordas do Hamilton. Não gravaríamos nada para deturpar, pois em obra de arte não se mexe”, conta Joel. A música em questão é Sonatina em C menor, originalmente escrita para bandolim e piano, que, como a maioria das obras incluídas no disco, chegou ao repertório quase por acaso. “Quase”, porque apesar de o processo de escolha das faixas que compõem De bandolim a bandolim não ter sido algo tão cerebral, cada música tem, é claro, uma história que as relaciona com um dos dois músicos. Ambos são apreciadores de música clássica e Joel iniciou sua vida musical como estudante de piano. “Sou chopiniano autêntico e gosto de transmitir esse lado romântico, lírico e sentimental para o bandolim”, conta Joel. “Tive conjunto de baile, pedi ao Radamés que transcrevesse a suíte Retratos para o bandolim e minha discoteca é cheia de música clássica. Não sou chorão radical”, completa. Foi com esse espírito que os dois gravaram, além da peça de Beethoven, Chorale prelude Num komm der Heiland Adagio, de Bach, e Concerto para dois bandolins em G II movimento, de Vivaldi. “Muita gente pensa que o bandolim é brasileiro. Todos esses compositores clássicos escreveram para bandolim. Agora é que o Brasil está prestes a ter seu primeiro curso superior de bandolim, mas na Europa ele sempre foi como o violino”, conta. Outros “clássicos” que gravaram foram o tango Por una cabeza (Carlos Gardel e Alfredo Le Pera) e trecho do segundo movimento do Concerto para bandolim e orquestra (Radamés Gnatalli). PEGOU FOGO A face mais popular do álbum fica por conta de Tu passaste por este jardim (Catulo da Paixão Cearense e Alfredo Dutra), Gotas de ouro (Ernesto Nazareth), Os cinco companheiros (Pixinguinha), Falta-me você (Jacob do Bandolim) e O bom filho à casa torna (Bonfiglio de Oliveira). Mesmo reunindo no mesmo disco músicas de compositores tão distintos, os bandolinistas conseguiram dar unidade e coerência ao trabalho, dosando com sabedoria o virtuosismo. “Todo mundo ficou achando que um disco nosso ia pegar fogo. Até pegou, mas de outro jeito”, relata Joel. “Não é só a velocidade que mostra a capacidade do músico. O leigo não gosta disso, gosta de coisas que tocam o coração”, diz. “Hamilton tem escola diferente e toca bandolim de 10 cordas, que representa outro estilo de tocar. Fica diferente do bandolim solista de oito cordas, como o meu, que é como um violino, mas tocado com palheta. A afinação é a mesma. A diferença está no instrumento e na forma de tocar, com acordes e outras possibilidades de harmonia. Hamilton é um chorão autêntico e pegou a fase da evolução do músico de choro. Talvez sem saber, ele tenha liderado isso”, conclui Joel Nascimento. |


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