A Nação Zumbi mostra o projeto Los Sebozos Postizos na Serraria Souza Pinto
A Nação Zumbi desembarca nesta sexta em Belo Horizonte para dois shows cujo repertório não tem nada a ver com o da banda pernambucana. Como atração do Festival Lixo e Cidadania, que será promovido de hoje a sábado, na Serraria Souza Pinto, o combo traz Los Sebozos Postizos e 3 na Massa, projetos paralelos do grupo – ambos inéditos na cidade. O evento, que está em seu oitavo ano, traz ainda na programação nomes como Luiz Melodia, Velha-Guarda da Mangueira com participação de Aline Calixto e Fidelidade Partidária, além de grupos locais que venceram as seletivas de bandas: Graveola e o Lixo Polifônico, Djambê e Patuá.
Los Sebozos Postizos, que fecham a noite de sexta-feira, tocam somente Jorge Ben. O projeto nasceu em 2000, foi promovido durante alguns anos, ficou engavetado e retornou aos palcos há poucos meses, anunciando inclusive um disco (já gravado) que deve ser lançado em 2010. “Na época (2000), todo mundo da banda ainda morava em Recife e a gente ficava muito tempo de bobeira. Um belo dia resolvemos fazer um show só de cover. Não vou lembrar quem sugeriu, a escolha foi até meio óbvia, mas resolvemos que seria Jorge Ben. Marcamos os ensaios, fizemos o primeiro show e depois as temporadas das Noites do Ben”, comenta Dengue, baixista da Nação, hoje o único integrante do grupo a viver na capital pernambucana (os outros estão radicados em São Paulo).
A repercussão não demorou e logo o projeto foi levado a outras cidades. A formação é a mesma da Nação (sem os tambores), mais Bactéria (ex-Mundo Livre s/a, atual integrante da banda de Otto) nos teclados. Depois de um tempo, e por causa das atividades da Nação (já que os shows só acontecem nas brechas da agenda do grupo), os Sebozos pararam. Voltaram aos palcos há alguns meses, depois de registrarem em estúdio o repertório (bancado pela própria banda, o disco foi produzido por Mário Caldato Jr.). Até agora foram somente dois shows.
Também nos últimos anos os integrantes da Nação dedicaram-se a outros projetos. Lúcio Maia lançou o álbum Maquinado e Pupillo e Dengue, ao lado de Rica Amabis, do coletivo Instituto, criaram o 3 na Massa. “Em São Paulo, o Pupillo mora na casa do Rica e eu, sempre que vou para lá, fico com eles. Mesmo que a esmo, começamos a compor sem saber o que ia acontecer. Quando vimos, tínhamos 20 músicas”, recorda Dengue. Algumas foram utilizadas em comerciais e trilhas de filme e outras acabaram sendo aproveitadas para um disco do grupo, lançado em 2008.
Para os vocais, o trio convidou 13 cantoras. “A gente convidava mas dizia que não tinha dinheiro para pagar. O nome da Nação ajuda, tanto que a maioria topou fazer só por causa do currículo”, conta. Logicamente, colocar as 13 juntas no palco é inviável. No show de amanhã, vão participar as atrizes Karine Carvalho e Geanine Marques e as cantoras Lurdez da Luz (Mamelo Sound System) e Nina Becker (Orquestra Imperial). “Como estamos no final da turnê de Fome de tudo (álbum mais recente da Nação), há espaço para os outros projetos. Mas, se há algum convite para a Nação, a gente cancela todos os outros”, conclui Dengue.
O QUE VER Quinta-feira– Luiz Melodia e Graveola e o Lixo Polifônico Sexta-feira – Três na Massa, Los Sebozos Postizos (Nação Zumbi tocando Jorge Ben) e Djambê Sábado – Velha-Guarda da Portela com Aline Calixto, Fidelidade Partidária e Patuá
Marco do manguebeat Comemorando os 15 anos do álbum Da lama ao caos, a Nação Zumbi retorna a Belo Horizonte em novembro. A apresentação, que traz exclusivamente o repertório do disco, um dos mais importantes da década de 1990 e marco do manguebeat, será no dia 14 no Music Hall.
FESTIVAL LIXO E CIDADANIA De quinta a sábado, a partir das 21h, na Serraria Souza Pinto, Avenida Assis Chateaubriand, 809, Floresta, (31) 3275-2568. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia).