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Seção : Música - 22/10/2009 12:07
Quinteto inglês Mott The Hoople está de volta
Arthur G.Couto Duarte - EM Cultura
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Longe dos excessos hard rock do início da década de 1970 ou do hedonismo glam-rock de sua encarnação subsequente, Hunter – aos 70 anos – vem atacar o vazio e a futilidade da nova era com uma acidez corrosiva sem par. Vivendo hoje em quase anonimato em uma área rural de Connecticut, nos Estados Unidos, ele fez do novo disco o derradeiro uivo de um roqueiro insano. Algo como se Johnny Rotten, daqui a uns 30 anos, de repente se descobrindo sem teto, sem grana e à beira de uma forçada aposentadoria. A passagem do tempo acrescentou uma rispidez extra à sua já cavernosa voz, um timbre gutural não muito distante daquele de Rod Stewart, por ocasião do antológico Every picture tells a story. No som, golpes eletroacústicos são desfechados a torto e a direito, em ressonância aos épicos de Bob Dylan (assumidamente, sua maior influência) e dos seus arquirrivais Faces e The Rolling Stones. Entre os inúmeros destaques, impossível deixar de registrar toda a raiva da classe trabalhadora que move a meta-punk Up and running, o réquiem existencialista Babylon blues e a épica River of tears, hino de inspiração indígena que, ao final do disco, consegue prover uma espécie de bálsamo para tempos tão desesperançados quanto o nosso. |


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