Divirta-se Notícia - Suítes Foz do Mundo cria diálogos inusitados

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Seção : Música - 22/10/2009 12:11

Suítes Foz do Mundo cria diálogos inusitados

Projeto faz a música interagir com a arquitetura, a internet e o respeito ao meio ambiente

Eduardo Tristão Girão - EM Cultura
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Fotos: Projeto Suítes Foz do Mundo/reprodução
João Diniz e Daniel D%u2019Olivier vão fazer dois shows na Fundação de Educação Artística
A princípio, música, arquitetura e meio ambiente não têm muito em comum, mas, para o compositor e instrumentista Daniel D’Olivier e o arquiteto João Diniz, as conexões entre essas áreas são praticamente óbvias. Tanto que resolveram materializar isso no projeto Suítes foz do mundo, pelo qual lançam dois discos cada. Daniel assina suiTi e Suíte mineira, mais acústicos, enquanto João apresenta Foz e Welt, calcados na música eletrônica e na polifonia. Um participa dos álbuns do outro. Os shows de lançamento serão realizados amanhã e sábado, na Fundação de Educação Artística, em Belo Horizonte.

Rotular como “experimental” a música difícil de definir como a que fazem (ainda que cada um numa vertente) talvez seja a primeira (e mais cômoda) maneira de perceber o trabalho da dupla. “Não chamo de experimental porque não considero estar experimentando. Nomino meu trabalho como música voltada para a saúde ambiental”, sintetiza Daniel. Para João, essa tarefa é mais fácil: “O trabalho é perpassado pelo minimalismo e progressivo, pela fala, com textos e poemas, e um pouco da questão do jazz. Além, é claro, dos espaços virtuais”.

A palavra espaço é importante para compreender a proposta dos artistas. Naturalmente, a explicação vem do arquiteto João: “Meu conhecimento musical é baseado na observação. Em 2001, caíram nas minhas mãos programas de computador para trabalhar com música e daí descobri o mundo das paisagens sonoras”.

Para ele, arquitetura e música compartilham uma série de conceitos, como volume e textura. Por meio desse raciocínio, habilitou a expressão “transarquitetura” como disciplina do curso de arquitetura da universidade Fumec, na capital mineira, onde leciona. “É uma forma ampla de enxergar a arquitetura”, completa.

Seus dois discos estão abrigados sob as asas do projeto batizado por ele com o sugestivo nome de Pterodata. Compositor de todas as faixas, João, que já empunhou violão e baixo em bandas de garagem, agora se dedica a tocar mouse, como gosta de salientar – sequenciamento digital, samplers e afins. Parte do material presente nos discos foi disponibilizada por ele em sites de compartilhamento de conteúdo para intervenções de internautas, mas a versão que apresenta agora é inédita. Também interessado em fotografia e poesia, João Diniz teve aulas e trabalhou com músicos ligados ao grupo belo-horizontino Uakti (Marco Antônio Guimarães e Paulo Santos).

Em Foz, a ênfase é nos instrumentistas, como Lincoln Cheib (bateria), Ricardo Cheib (percussão), Rick Bolina e Guilherme Alves (guitarras), o filho, João Marcelo Diniz (cuíca), e a cantora belga LamieLa (que participou das gravações pela internet), além do próprio Daniel, que tocou saxofone e violão. Já Welt privilegia experimentações e ambientes sonoros. Cada álbum conta com cinco faixas de duração variada: vão de 2 minutos e 20 segundos a 17 minutos e 36 segundos. “Uma de minhas preocupações na arquitetura é o desenvolvimento sustentável. Na música, isso se mostra na intenção de integrar vetores diferentes”, explica João Diniz.


QUALIDADE TOTAL

Os discos de Daniel d’Olivier, como os de João Diniz, foram finalizados no mês passado no estúdio Bemol, na capital mineira. A contribuição da experiente família Cheib (Dirceu, Ricardo e Lincoln), que comanda o estúdio, foi decisiva. Como Suíte mineira é composto por uma única faixa de pouco mais de 15 minutos, no qual o violonista Daniel faz duo com a soprano Marilene Clara, suiTi é o trabalho que mais se aproxima dos álbuns de João, pois conta com a participação do arquiteto na criação e na edição de samplers.

“Concentramos energia para ter qualidade, não quantidade. É música para reflexão, não de entretenimento”, define Daniel. A influência veio do grupo inglês Radiohead. “Pela primeira vez, abro-me a esses ambientes sonoros. Sou essencialmente compositor, mas como colocaria na minha música os sons do mundo, dos pássaros e do mar?”, esclarece.

Em suiTi, Daniel toca violão e saxofones (o norueguês Jan Garbarek é uma de suas principais referências no instrumento) acompanhado por Ricardo Cheib (percussão) e João. “Esse disco foi inspirado por Etiene Andrade Vilela dos Santos, médica da Prefeitura de Belo Horizonte que revolucionou a saúde ambiental”, revela. Ilustrada com aquarela do artista plástico Mario Zavagli, a capa é uma homenagem do paulistano Daniel a Minas Gerais, onde mora há 20 anos.

As duas apresentações, que contarão com a participação de Marilene Clara, Ricardo Cheib, Kiko Pederneiras D’Olivier (filho de Daniel) e João Marcelo Diniz, serão gravadas. O material dará origem a DVD que será lançado no ano que vem. Os discos chegarão em breve às lojas especializadas da cidade, mas estarão à venda nos shows.

SUÍTES FOZ DO MUNDO
Show de lançamento dos quatro discos de Daniel D’Olivier e João Diniz. Amanhã e sábado, às 20h30, na Fundação de Educação Artística (Rua Gonçalves Dias, 320, Funcionários). Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). Informações: (31) 3226-6866.