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Seção : Música - 23/10/2009 07:00
Devotos é um dos convidados do 53HC Fest
Grupo surgiu na comunidade do Alto Zé do Pinho, no Recife
Mariana Peixoto - EM Cultura
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Para quem conhece superficialmente a música pop nascida no Recife na década de 1990, os primeiros nomes que vêm à cabeça são os de sempre: Chico Science e Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Eddie e poucos outros. Representantes do manguebeat, marcaram definitivamente a cena pernambucana. Mas o cenário é mais diverso. É o que prova o trio Devotos, que completou 20 anos (ou seja, é mais antigo que os artistas do mangue) de uma história de combate e resistência. Ao lado do Ratos de Porão, o grupo encabeça a terceira noite do 53 HC Fest, amanhã, no Lapa Multshow. Esta é a segunda vez que o Devotos toca em BH – a primeira foi há nove anos. Ainda que tenha nascido no Recife, o som do Devotos passa ao largo do manguebeat. Criado na comunidade do Alto Zé do Pinho, o grupo formado por Cannibal (vocal e baixo), Neilton (guitarra) e Celo Brown (bateria) bebeu na fonte do hardcore. Como a comunidade, uma das mais pobres e violentas do Recife, é rica em manifestações regionais, a mistura sempre foi bem aceita. Prova disso é que no recém-lançado CD comemorativo de duas décadas de Devotos, em show gravado ao vivo no Alto Zé do Pinho, houve a participação do Afoxé Ylê de Êgbar – além de Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado e de Clementes, do Inocentes, banda que influenciou diretamente o trio. Conta Cannibal: “Armamos um palco na rua e convidamos os amigos que fazem parte da nossa convivência. Como temos integração grande com a cultura do Alto, que tem caboclinhos, maracatus e afoxés, fizemos questão de que eles participassem.” Houve o registro em vídeo do show e a intenção é lançar também um DVD. O grupo nasceu em 1988 como Devotos do Ódio. O “sobrenome” foi devidamente retirado em 2000, quando a banda lançou seu segundo álbum. “O nome fazia apologia à violência e a maioria de nossas músicas é voltada para o social. Esse ódio era coisa de adolescente querendo chocar. Já no primeiro disco pensamos em tirar, mas como as pessoas nos conheciam assim, resolvemos deixar no início”, continua o vocalista. Com trajetória de engajamento – ainda encabeça a ONG Alto Falante, que atua na própria comunidade e mantém uma rádio na região –, o grupo nunca deixou o Alto Zé do Pinho. “Recebemos proposta de morar no Sul mas não fazia sentido morar fora para fazer shows. Vimos toda a cena de Recife nascendo e o Alto sair das páginas policiais e ir para as culturais com a música. Somos responsáveis por isso, o Brasil é grande pra caramba mas não é tudo que tem que sair do eixo”, diz ele, referindo-se ao Rio e a São Paulo. Hoje estáveis, passaram alguns maus bocados por causa de sua opção. “Chegamos a ficar meses sem tocar, mas agora a história mudou e a rapaziada sabe se virar fora do eixo”, conclui Cannibal. 53HC FEST
Sábado, a partir das 20h, no Lapa Multshow, Rua Álvares Maciel, 312, Santa Efigênia, (31) 3241-2074. Shows com Ratos de Porão, Devotos, DFC, Diabatz, Henry Paul Trio e Big Nitrons e Hold Your Breath. Ingressos: R$ 25 (antecipado) e R$ 30 (na portaria). Menores de 18 anos somente acompanhados pelos pais. Pais que acompanharem seus filhos menores não pagam. Informações: (31) 3271-7237. |


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