O disco Sete chaves marca a virada na carreira da banda NX Zero
Sete chaves, novo álbum do NX Zero, acabou de ser lançado. Mas a turnê só estreia em março, por uma simples razão: a banda quer ter melhor infraestrutura. “Oitenta por cento de nossas apresentações são em feira agropecuária. Depois de nós, costumam se apresentar duplas sertanejas e elas têm um palco absurdo, com iluminação idem. A gente fica só olhando. Chegou a nossa hora de fazer isso também. Tanto que, a partir do ano que vem, em vez de ônibus, vamos ter um caminhão para levar equipamento para os shows, que serão espetáculos audiovisuais”, explica o baterista Dani Weksler.
Isso só demonstra o poderio de fogo do NX Zero, uma banda que tem nove anos de vida, mas há apenas quatro (quando saiu o primeiro disco pela Arsenal Music) se tornou conhecida do grande público. Ascensão mais do que rápida, levando-se em consideração o mercado fonográfico superinstável. Pois os cinco garotos, que mal acabaram de entrar na casa dos 20, querem provar que vieram para ficar. Banda pop rock do momento, o NX Zero sabe que a hora é agora. “Vejam os Beatles: eles lançavam um disco por ano. A gente tem de fazer isso neste momento. Depois que ficarmos velhos, estaremos mal-humorados, chatos e, talvez, sem inspiração. Agora estamos com pique para tudo”, acrescenta Weksler.
Quando a banda deixou o meio independente, foi vista como mais uma formação na cola do CPM 22 (mesma gravadora e mesmo produtor, Rick Bonadio). “Estamos mais exigentes com a gente mesmo, tanto que esse álbum é mais bem resolvido que os outros. Antes, por falta de experiência, chegávamos no estúdio sem as músicas prontas. Neste não, todos os arranjos e composição estavam ok, então tivemos cuidado com o som, exploramos mais as possibilidades”, continua o baterista.
Com isso, os rapazes puderam alçar outros voos. Mesmo que o hardcore melódico seja a principal referência, há outras influências. “Não somos fechados musicalmente, tudo o que ouvimos hoje está no disco. Da mesma forma que gostamos de música pesada, em casa escutamos balada. Lembro-me de que estávamos em BH no ano passado, fazendo show com o Maroon 5 (no Pop Rock Brasil). Sempre achamos a banda legal e, depois da apresentação, ficamos de boca aberta”.
Tanto por isso, o álbum conta com algumas baladas e com um groove que não havia nos trabalhos anteriores do grupo. Subliminar, por exemplo, bebeu direto na fonte de Red Hot Chilli Peppers. Na seara das canções mais calmas, Espero a minha vez e Mais além contam com arranjos de cordas gravados em Nashville.
O disco acabou beneficiado, quem diria, pela gripe suína. “Este foi o pior ano em número de shows. Por causa da gripe, muita coisa foi cancelada. A gente, com média de 12 shows por mês, até o meio do ano não fez mais que cinco. Nunca nos interessou parar de tocar por causa de disco, temos pique para as duas coisas, mas, por conta do número menor de apresentações, pudemos ficar dois meses mais focados no disco”, conclui Weksler. Ou como diz a máxima: há males que vêm para bem.