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Seção : Música - 28/12/2009 13:32
Radiohead e AC/DC fizeram os melhores espetáculo do ano
BH, mais uma vez, ficou de fora. Diversidade marcou o calendário internacional
Mariana Peixoto - EM Cultura Daniel Seabra - EM Cultura
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Mesmo assim, BH não ficou totalmente de fora da festa. Houve grandes momentos por aqui, que também figuram entre os grandes do ano. Em março foram dois: Keane e Iron Maiden. O primeiro, um trio inglês de músicas fofas puxadas ao som de teclados, surpreendeu. O Chevrolet Hall, num meio de semana, estava longe de estar lotado. Mas a intensidade com que os fãs cantaram junto a Tom Chaplin canções como Everybody’s changing, Crystal ball e This is the last time surpreendeu até mesmo a banda, que ainda se portou bem numa versão bem próxima à original de Under pressure, do Queen. Leia mais Jovens cantoram se firmam no mercado da música em 2009
Na seara do rock pesado, em maio houve, novamente no Chevrolet Hall, show do Heaven and Hell, na verdade a formação clássica do Black Sabbath, com Ronnie James Dio e Tony Iommi. De uma praia bem diferente, mas igualmente com peso no som, o Faith No More, também em clima de revival, retornou a BH em novembro (depois de 17 anos). O show, no Chevrolet Hall, mostrou que Mike Patton continua com o mesmo gás dos anos 1990. Rolaram as clássicas Surprise! You’re dead, Easy, Midlife crisis e, óbvio, Epic. IGGY E OS INDIES Foram também no mês passado outras grandes noites do rock, mesmo que longe de BH. Na capital paulista, o Planeta Terra, que desde o fim do TIM Festival tomou o posto de melhor festival do país, trouxe duas atrações que mesmo longe de ser inéditas no Brasil, sempre têm a acrescentar a cada vez que aportam aqui: Iggy Pop (mais uma vez com os Stooges) e Sonic Youth. Houve confusão na apresentação do velho roqueiro, com briga de seguranças, fotógrafos e fãs (que foram devidamente chamados ao palco por Iggy). Mesmo assim, ele mostrou que tem fôlego de sobra ao tocar hits como Raw power, Search & destroy e The passenger. E o Sonic Youth, de disco novo (The eternal), priorizou canções deste repertório, acompanhado de perto pelo público indie. Terminando novembro, o Killers retornou a São Paulo para seu primeiro grande show aberto (até então, a banda de Las Vegas havia se apresentado para uma plateia pequena, há dois anos, no Tim Festival). O vocalista Brandon Flowers tem pretensão que o grupo vire um novo U2. Não vamos a tanto, mas o líder do Killers tem carisma e fôlego para ir longe. Debaixo de uma chuva que transformou a Chácara do Jóquei num completo lamaçal, ele, com seu pop despretensioso, bem executado e cheio de pose, levantou a plateia ao som de canções como Human, Somebody told me, Bones e When you were young. Kitsch como só uma banda de Vegas pode ser, porém irresistivelmente dançante, o Killers, de forma rápida e nada discreta, deixou de ser a promessa indie de 2004 para se transformar num pequeno grande grupo do mainstream.
PRESENÇA DOS MESTRES De volta a BH, a cidade também viu neste ano dois pilares do rock. Chuck Berry deixou muitíssimo a desejar em sua apresentação no Chevrolet Hall. Ok, há que se levar em consideração que o chamado pai do rock’n’roll já passou dos 80. Mas o que se viu no show em agosto foi uma coleção de erros na execução de clássicos e som embolado – algumas canções só se fizeram reconhecidas no refrão. Para a plateia, nada disso representou problema. Quando houve o vislumbre de que Chuck faria o famoso duckwalk (duas tentativas em vão), o público delirou. Já em setembro, Jerry Lee Lewis tocou no Music Hall em apresentação impecável. Ele é 10 anos mais novo do que Berry, mas tem uma vida tão complexa quanto (vício em drogas e álcool, morte de dois filhos e uma sucessão incrível de casamentos desfeitos). Mas do alto de seus 74 anos, mesmo sem os reflexos de outrora, mostrou que ao piano ele continua imbatível. Mudando de praia, Minas Gerais vem, nos últimos anos, ver despontarem uma série de festivais de jazz. São eventos de vertentes diferentes mas que vem formando público (é grande o número de jovens interessados naquele que durante muito tempo foi visto, erroneamente, como um gênero complexo e cerebral) e trazendo ao estado grandes nomes. Mais conhecido dos eventos, o Tudo é jazz, em Ouro Preto, reuniu em setembro uma banda de bambas – Madeleine Peyroux, Ron Carter, Bucky Pizzarelli, entre outros – para homenagear Billie Holiday em encontro inédito que ganhou reedição no Palácio das Artes na estreia do festival I love jazz. A participação de Mart’nália cantando músicas da Lady Day foi tão impactante que rendeu um convite para a sambista se apresentar com o repertório jazzístico em Nova York. Por fim, Tony Bennett, símbolo de sofisticação e elegância, o último dos cantores da era Sinatra, veio a Belo Horizonte para concorrido show em outubro no Chevrolet Hall. Aos 83 anos, e acompanhado por uma banda sensacional e de sua filha, Antonia, Tony desfilou simpatia, notas na medida, com sua consagrada voz e, claro, sucessos, que nunca faltaram em sua carreira. Como não poderia deixar de ser, o ponto alto do espetáculo foi I left my heart in San Francisco. "Não tenho certeza, mas acho que não", disse ao Estado de Minas na época do show, quando questionado se já havia feito alguma apresentação sem interpretar esse verdadeiro hino. E, ainda bem, não foi dessa vez.
AXL VEM AÍ Pelo jeito, 2010 vai começar sem deixar nada a dever ao ano que termina. Em 31 de janeiro, os irlandeses do Cranberries, que anunciaram um retorno há poucos meses, tocam no Chevrolet Hall. Também lá, só que em 14 de março, os noruegueses do A-Ha voltam à terrinha, em sua última passagem por aqui, já que eles anunciaram o fim da banda para dezembro de 2010. Mas a cereja do bolo é outra. Foi confirmada na última semana a vinda do Guns n’Roses em março para cinco shows no Brasil. Belo Horizonte será a segunda cidade a receber Axl Rose (foto) e sua trupe. A apresentação está marcada para 10 de março no Mineirinho. Os ingressos (o valor ainda não foi anunciado) começarão a ser vendidos em 13 de janeiro. |





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