teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste
Seção : Críticas - 09/10/2009 07:00
Bastardos inglórios - Todos os filmes são fábulas
Novo filme de Quentin Tarantino coloca no mesmo plano as histórias que fingem e as que contam a verdade
Marcello Castilho Avellar - EM Cultura
|
Veja mais fotos de Bastardos InglóriosÉ o melhor filme de Tarantino em muito tempo. O diretor está inteiro lá – a sangueira e a violência debochadas, a ironia constante, os cortes abruptos que revelam a história ou a imaginação das personagens, a narrativa em capítulos. Mas – primeira piada depois do título – ele começa como se apresentasse obra de outro cineasta, quase realizando um drama convencional, e vai, aos poucos caminhando para os extremos a que estamos acostumados em seus filmes. Confira os horários e onde está passando Bastardos Inglórios A brincadeira chega ao extremo de nos levar a pensar, em alguns momentos, que estamos assistindo a um filme de guerra, com algum fundamento histórico. Besteira. Bastardos inglórios é fascinado por cinema e só fala de cinema. Coloca o cinema no próprio centro da trama, como espaço físico e conceitual – e não apenas como fonte de uma tradição narrativa. Se fala de guerra e de história, é porque essa referência permanente ao cinema tem como ocupação o filme de guerra e o filme histórico. O mais divertido na brincadeira é que todo o enredo de Bastardos inglórios poderia ter ocorrido – exceto seu clímax, uma sequência com personagens históricas que a maioria de nós daria um braço para que houvesse sido verdadeira. Não importa se, infelizmente, as coisas não ocorreram, no mundo real, como na película: o filme é uma fábula, nos lembra o tempo todo desse fato, e também que todos os filmes são fábulas, dos que trabalham sobre a reconstituição histórica mesmo se seu enredo nunca ocorreu até os que fingem apresentar ao espectador fatos verídicos. Shakespeare apaixonado não é substancialmente diferente de Gandhi, lembra-nos Tarantino. Nesse contexto do cinema como leitura ou fraude histórica, ambos os aspectos inseparáveis, chega a ser uma experiência curiosa comparar a maneira como Bastardos inglórios apresenta Adolf Hitler e seus asseclas com o que vimos em obras comprometidas com uma reconstituição, como A queda, de Oliver Hirschbiegel. No filme de Tarantino, eles são arquétipos, são construídos sobre uma ideia coletiva do que teriam sido o nazismo e os nazistas. As personagens de Hirschbiegel só fazem sentido numa tentativa de mergulho profundo na psicologia das mesmas personalidades históricas, e de suas relações com o mundo daquela época. Pelo mesmo processo, é possível debater uma questão cara aos teóricos da interpretação: em Tarantino, temos um trabalho ostensivamente naturalista, em que importa apenas a aparência de verdade – mesmo se em meio à farsa –, enquanto Hirschbiegel e seus intérpretes compuseram realismo da melhor qualidade, em que cada detalhe se encadeia logicamente com todos os outros, num fluxo contínuo de causas e efeitos. Vale a pena lembrar ainda que, entre os elementos de Bastardos inglórios que são a cara de Quentin Tarantino está seu ritmo alucinante – algo incomum num filme com quase três horas de duração. A origem desse ritmo, como em outras obras do cineasta, está na pluralidade dos pontos de vista de onde ele conta sua história. É como se não fosse apenas a trama que seguisse em frente, mas o próprio espectador, transportado de ponto de vista para ponto de vista, sem um instante de repouso. BASTARDOS INGLÓRIOS - ![]() ![]() ![]() ![]() Assista ao trailer de Bastardos Inglórios![]() ![]() |


Veja mais fotos de Bastardos Inglórios
Assista ao trailer de Bastardos Inglórios

Aguarde.....