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Seção : Críticas - 30/10/2009 07:00

Alô Alô Terezinha - A falta que ele faz

Nelson Hoineff resgata em documentário a imagem do Velho Guerreiro

Mariana Peixoto - EM Cultura
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ComAlt/Divulgação
Para a geração que cresceu assistindo na TV o discurso mauricinho politicamente correto de Luciano Huck e o palavrório sem fundamento de Fausto Silva, Chacrinha nada mais é do que uma imagem do passado que povoa o YouTube e sites do gênero. Temperamental, imprevisível e sem papas na língua, a figura daquele senhor que a cada semana se travestia de algum personagem e soltava bordões impagáveis – sem se preocupar se o interlocutor era artista ou anônimo do povo – faz falta numa televisão cada vez pasteurizada. É essa imagem que o jornalista, crítico e diretor Nelson Hoineff resgata no documentário Alô alô Terezinha.

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Hoineff nunca pretendeu criar uma cinebiografia de Abelardo Barbosa, coisa que qualquer canal de TV poderia fazer sem muito esforço. A questão, aqui, é olhar para o universo, ou melhor, o circo que o cercava em seus programas, seja na extinta Tupi, na Band ou na Globo. Em hora e meia de exibição (a partir de um material bruto de 300 horas, metade delas de arquivo), o diretor reuniu boa parte das pessoas que circularam pelos programas Discoteca do Chacrinha, Buzina do Chacrinha e Cassino do Chacrinha. Dessa maneira, criou um esquema bastante simples. Conjugado a imagens de arquivo de determinado personagem (artista, calouro ou chacrete), o diretor traz a mesma pessoa para o presente (mais precisamente 2007, quando a equipe foi a campo).

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É meritória a pesquisa realizada pela equipe do documentário. Há depoimentos de 27 artistas (incluindo Roberto Carlos, que geralmente só abre a boca para a Rede Globo); 18 chacretes; oito pessoas da equipe que trabalhou com ele; e 10 calouros. São justamente esses últimos, assim como as dançarinas que faziam a alegria dos marmanjos, que trazem os melhores momentos do filme.

Vinte e um anos depois da morte de Chacrinha, essas pessoas, honoráveis anônimos que eram buzinados poucos segundos depois de começarem a se apresentar, mostram como aquele circo (dos horrores, poderiam dizer os mais críticos) foi determinante para suas vidas. Há o ex-calouro que se considera muito melhor do que Roberto Carlos; o outro, que ganhou apelido de Abacaxi pela quantidade de troféus recebidos, que se emociona com a época em que, vestido de mulher, atacava de Liza Minelli para o auditório.

As chacretes, celebridades na época e hoje ilustres desconhecidas (a exceção de Rita Cadillac), aparecem bem diferentes do que se viu na TV. É delas que vêm as melhores histórias. Conversas de bastidor, que não poderiam vir à tona naqueles anos, surgem agora com um outro sabor. Como da moça que admitiu não ter ido para a cama com Chico Buarque porque ele, bêbado como um gambá, foi colocado por ela pelado no chuveiro para tentar melhorar do porre; ou da paixão de Chacrinha por Clara Nunes, que algumas admitem ter sido real e outras apenas conversa fiada.

Chacrinha era politicamente incorreto ao extremo. Alô alô Terezinha procura também andar por esse viés. Porém, a diversão vai até que algumas interferências da equipe do filme, totalmente dispensáveis, tornam grosseira a aparição das mulheres. Cadillac, hoje conhecida como rainha dos filmes pornôs, “interage” com um fã criador de uma comunidade no Orkut dedicada a ela. O mínimo que o cara faz é beijar, na cama dela, o traseiro da chacrete. Índia Potira, que hoje vive com dificuldades no subúrbio carioca, veste-se com a fantasia da época e é levada para um chafariz numa rua miserável onde, nua, dança e canta o refrão “Ó Terezinha, é um barato o Cassino do Chacrinha”. Isso não tem graça nenhuma.

ALÔ, ALÔ TEREZINHA –

Assista ao trailer de Alô Alô Terezinha