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Seção : Críticas - 06/11/2009 07:00

Fama - Uma sombra do antecessor

Depois do sucesso nos anos 1980, nova produção não decola

Marcello Castilho Avellar - EM Cultura
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Saeed Adyani/Divulgação

O filme Fama, de Alan Parker, foi um dos primeiros grandes sucessos dos anos 1980 – sintomaticamente, inspirou, logo depois, uma série de televisão. Quase três décadas depois, outro filme com o mesmo título e o mesmo tema (o cotidiano dos estudantes de uma escola de ensino médio dedicada às artes em Nova York) tenta seguir o mesmo rumo. Mas os tempos são outros, e o novo Fama acaba sendo apenas uma sombra de seu antecessor ilustre.



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Kevin Tancharoen, diretor do filme, é prejudicado, principalmente, por dois fatores. Primeiro, não conta com um editor à altura da proposta. Myron I. Kerstein, o editor da versão 2009, não é capaz de perceber que boa parte da força do Fama original vinha da dinâmica de sua montagem, uma edição incomum, em que o corte nos sons parecia preceder e inspirar o corte nas imagens, e organizá-las. Graças a essa estratégia do editor Gerry Hambling, o filme de Alan Parker, mais que um drama com música, apresentava-se ao público como um drama de lógica musical, em que a agilidade da trilha sonora encontrava eco na força o enredo. Kerstein, infelizmente, é convencional em seu olhar – e com isso, o novo Fama acaba revelando o convencionalismo de sua história. Pior: expõe a superficialidade de suas personagens (difícil abordar quatro anos inteiros na vida de um bocado de personagens, em apenas duas horas de narrativa, sem que elas sejam superficiais) – um problema que, na versão anterior, mal era percebido por trás do jogo alucinante de cenas e sons.

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O segundo problema está nas próprias personagens, ou na maneira como o filme percebe sua inserção no mundo. O filme de 1980 era mais sensível a questões ligadas à condição social, etnia e gênero. Com isso, a situação pessoal de cada personagem ganhava dimensão por estar inserida num painel maior. O novo Fama acredita piamente que vivemos numa sociedade mais justa e menos dividida. Pode até ser – mas dramaticamente, esse olhar condena as personagens a contarem apenas com seu drama existencial ou amoroso para justificarem sua passagem pela tela. O que acaba sendo pouco, principalmente se pensarmos que a própria natureza do filme exige um elenco de gente pouco experiente. Encontraremos os tipos de sempre – o rapaz negro revoltado, a riquinha entediada, a moça insegura, e por aí vai; só que Fama 2009 não é capaz de definir a revolta, o tédio ou a insegurança como algo mais do que traços da personalidade ou consequências facilmente superáveis de trajetórias pessoais.

Como consequência, a capacidade de Fama emocionar seus espectadores em alguns momentos é produto apenas de alguma força intrínseca da situação que é apresentada – o filme, praticamente, nada lhe acrescenta. Bem que tenta. Homenageia a obra anterior construindo números musicais sobre duas das canções mais populares nos cinemas em 1980, Out here on my own e Fame – mas os arranjos são inferiores e o contexto, menos adequado. Realiza outras citações, sempre redutoras – como a jam session dos alunos na cafeteria da escola, mais verossímil que sua antecessora no meio do trânsito, mas menos empolgante. São tentativas honestas, mas seu fracasso acaba reforçando a impressão de que seria melhor rever o original.

FAMA -

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