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Divirta-se

Seção : Críticas - 08/11/2009 15:39

Substitutos - Eu, robô

Filme mostra o futuro do homem, que, com medo da morte e da violência, abre mão da vida

Gracie Santos - EM Cultura
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Walt Disney Studios/ Divulgação

Depois dos replicantes de Blade runner, o caçador de androides (1982 – Ridley Scott) e das esposas robotizadas de Mulheres perfeitas (The Stepford wives, 2004 – Frank Oz), é a vez dos surrogates (substitutos) de Jonathan Mostow (diretor de O exterminador do futuro 3, de 2003). Se não tem o apuro visual da obra-prima de Scott, com Harrison Ford, ou o suspense psicológico do filme de Oz, baseado no livro de Ira Levin, o longa Substitutos, com Bruce Willis, desenha com perfeição a sociedade dominada pela mídia, que teme a finitude, busca a beleza e a juventude eternas e se esconde cada vez mais atrás das máquinas.

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Substitutos são robôs com aparência de cinco a 10 anos menos que seus “originais” humanos. Peles e corpos perfeitos, sarados, que desfilam pelas ruas enquanto sua fonte de carne, osso, sangue e emoções repousa (?) em casa plugada no clone. Quando voltam do trabalho ou da balada, os surrogates entram em carga. Assim, a raça humana se protege (ou se imagina protegida) da violência e da morte, sem perceber que está abrindo mão da vida. Quando o substituto leva uma bala perdida, por exemplo, basta desligar o plug, jogar o exemplar fora e comprar um novo. Quando alguém está levando um papo chato, o andróide é desplugado, deixando o interlocutor na mão.

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Se na triologia Matrix (1999 e 2003, de Andy e Larry Wachowski) o mundo é uma malha da rede, no futuro desenhado por Substitutos o planeta é real, irreais são os que trafegam pelas ruas. Mas a rede, claro, é fundamental. Estão todos (como nós) conectados à internet, aos computadores, celulares e afins. Não pense que, apesar da perfeição conquistada, robôs não vão se sentir vazios. Não dispensarão salões de beleza ou uma levantadinha nas bochechas, nem drogas, na forma (sofisticada) de descarga elétrica.

Cinéfilos mais exigentes dirão que a produção é um tanto descuidada. Verdade, e uma pena. O longa não prima pela boa fotografia e escorrega em grande parte do tempo para a ação, em detrimento do clima misterioso que acompanha boas ficções científicas. Detratores de Bruce Willis se sentirão vingados com seu surrogate esquisitérrimo, louro. Mas ator no papel do agente do FBI Greer, em carne e osso, está muito bem. O que impressiona no filme de Mostow não são interpretações; direção ou o conjunto da obra (parêntese para a boa trilha sonora, HitJacker, escrita e interpretada por Deane Ogden). O que impressiona é a atualidade do drama que mantém humanos encarcerados em casa, enquanto andróides roubam suas vidas. É isso que torna Substitutos boa provocação.

Afinal, quantas pessoas têm se transformado em outras com cirurgias plásticas, botox e silicones? Quantos vêm se anestesiando com drogas (medicamentos inclusive), em busca da eterna juventude e felicidade constante? Retrato fiel do mundo globalizado e conectado, no qual a emoção pode ser vivida, digo compartilhada, em comunidades da rede, Substitutos mostra que muita gente vem “se deixando” em casa, mandando seus clones para as ruas. Mas como sempre há quem resista, isso ocorre também no filme. No gueto dos homens de carne e osso, gente que odeia máquinas, robô não entra. Para circular pelo bairro das pessoas reais, comandado por um negro rastafari, o sujeito deve passar por máquinas rastreadoras, que dirão se ele é falso ou verdadeiro. Longe de ser previsível, o fim revela surpresas.

A origem

Deve sair no Brasil, pela Editora Devir, a HQ que deu origem a Substitutos, com roteiro de Robert Venditti e desenhos de Brett Weldele – foi lançada nos EUA, entre 2005 e 2006, pela Editora Top Shelf. Este ano, no rastro do filme, os autores produziram o álbum Surrogates: Flash and bone. A história se passa em 2054: humanos vivem reclusos e androides exercem suas atividades. Tudo parece perfeito até que começam a ocorrer assassinatos dos substitutos. E, o pior: os criminosos, à distância, podem matar também os humanos que controlam seus robôs.

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