Divirta-se Notícia - Guerra ao terror - Um dos favoritos ao Oscar

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Seção : Críticas - 05/02/2010 11:03

Guerra ao terror - Um dos favoritos ao Oscar


Ricardo Daehn - Correio Braziliense
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Divulgação
Mais conhecido pela repercussão— apontado como o único rival de peso a ameaçar a soberania de Avatar na premiação do Oscar — do que propriamente pelo conteúdo, Guerra ao terror finalmente chega às telas do cinema depois de lançado em DVD. Pouco afeita a valorizar fitas de guerra como melhor filme (o sexto e mais recente caso foi Platoon, em 1986), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas tem à mão vários predicados para laurear o longa-metragem dirigido por Kathryn Bigelow. Além do mérito do impressionante realismo (com imagens captadas em super 16), o filme relativiza heroicos feitos de combatentes norte-americanos no conflito contra o Iraque, por apontar a tênue sanidade de quem está envolvido nas situações de estresse.

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Depois de competir no Festival de Veneza de 2008, Guerra ao terror tem se firmado como o preferido da maioria da crítica. Com dramatização comedida, se vale do vigor técnico da diretora, vocacionada a filmes de ação, como Estranhos prazeres (1995) e Caçadores de emoção (1991). A 38 dias para o fim das arriscadas missões, na trama, os militares Sanborn (Anthony Mackie) e Owen Eldridge (Brian Geraghty) são integrantes da companhia Bravo (responsável por coibir explosões no perímetro urbano de Bagdá), que recebe o recém-chegado e camicaze sargento William James (Jeremy Renner, candidato ao Oscar).

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Entre perrengues com moradores locais (vistos, de antemão, como suspeitos), aos trancos, e em ação perpétua (os sensos de solidão e de autonomia são acentuados), os combatentes exploram exaustiva gramática da violência. Pouca conversa é jogada fora e o cinismo se alastra, como na sequência em que se discute o padrão bege da paisagem desértica que “precisa de grama”. Nada indulgente, o roteiro — desenvolvido pelo jornalista nova-ioquino Mark Boal (de No vale das sombras) — trata com aspereza até figuras beneméritas, como a do coronel Cambridge (Christian Camargo, de Dexter).

Irrepreensível, no que chama de “réplica” do campo minado, Bigelow registra, com requintes técnicos (ainda mais envolventes do que visto em Falcão Negro em perigo), o desconforto de operações tão sistemáticas que invadem um nível absolutamente pessoal dos recrutas. Nesse tom, acrescido de carga descomedida, Jeremy Renner faz a diferença em Guerra ao terror. A partir de uma abordagem tensa, cheia de adrenalina e que reforça aspectos passageiros da existência, Kathryn Bigelow tem estofo para abater Avatar, em voo para inaugurar o pódio para uma ficção científica na 82ª edição do Oscar.

Indicações ao Oscar 2010
Melhor filme
Diretor (Kathryn Bigelow)
Ator (Jeremy Renner)
Roteiro original (Mark Boal)
Fotografia (Barry Ackroyd)
Montagem
Trilha sonora
Som
Edição de som

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