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Seção : Mundo Ela - Carreira - 22/11/2009 14:52

Aquisição de novo idioma

por que às vezes é tão difícil aprender?

Pipa Cavalcanti - Mundo Ela
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sxc.hu
Adultos enfrentam mais dificuldades ao aprender uma nova língua
Em um cenário contemporâneo em que a globalização exige de nós atitudes globalizadas, a aquisição de uma nova língua é, com certeza, um diferencial. Mas por que falar uma nova língua às vezes é tão difícil?

O que os professores veem há tempos em sala agora é comprovado por estudos acadêmicos: adultos têm mais dificuldade para aprender uma segunda língua que crianças e adolescentes. Mas não quer dizer que os adultos 'emburrecem' O problema é muitas vezes psicológico e pode ser trabalhado.

O que acontece é que os adultos muitas vezes criam um filtro, um bloqueio que pode impedi-los de participar da aula. Têm vergonha de errar e os outros rirem. Fora da escola, são médicos, advogados e empresários bem-sucedidos. Eles se sentem ridicularizados quando erram. No entanto, a maturidade tem suas vantagens. Os adultos conseguem identificar com facilidade onde enfrentam mais dificuldade - se na escrita, na audição ou na fala, por exemplo. E, assim, sabem onde precisam se concentrar. Quando vão mal, as crianças dificilmente têm condições de fazer isso sozinhas.

Estudos sobre a aquisição de línguas estrangeiras mostram que fatores como a afetividade, por exemplo, podem influenciar na aquisição de um segundo idioma.

Em entrevista para o Mundo Ela, a linguista Ana Carolina Vilela, bacharel em Liguística Teórica pela UFMG e mestre em Linguística Aplicada pela mesma instituição, esclarece algumas verdades e mitos sobre a aquisição de língua estrangeira.

Quanto mais línguas a pessoa falar, mais fácil será o aprendizado de outras?

O primeiro ponto a se considerar é que o aprendiz de uma segunda língua não é um aprendiz "ingênuo" (me refiro ao aprendiz adulto, que já fala uma língua materna, como é o caso do aluno brasileiro que está aprendendo o inglês ou o espanhol, por exemplo). Com isso, quero dizer que ele é um aprendiz que já teve uma experiência linguística prévia. Esse conhecimento prévio pode auxiliá-lo em seu percurso pela língua estrangeira. Não é garantido que auxilie, mas pode. Então, nesse sentido, ter conhecimento de uma língua pode, sim, auxiliar no aprendizado de outra.

Se, por exemplo, a língua materna (ou alguma outra que ele conheça) e a língua que ele está aprendendo apresentam semelhanças, é possível que esse conhecimento facilite a aquisição da nova língua. Observe, no entanto, que eu disse que isso é possível e, não, que necessariamente ocorrerá. Há estudos, por exemplo, que mostram que a percepção das semelhanças, por parte do aprendiz, pode ser um elemento dificultador da aprendizagem e, não, facilitador. A razão é o aprendiz pode ser levado a pensar que as semelhanças entre as duas línguas são tantas, que não "há nada de realmente novo a ser aprendido". Isso pode levar a uma aquisição deficiente. A recíproca é verdadeira: a percepção de que há muitas diferenças entre a língua materna do aprendiz e a estrangeira (ou entre a 2a e a 3a línguas) pode levá-lo a ser mais atento em seu processo de aquisição, resultando num aprendizado mais rápido e eficaz. No entanto, é importante dizer que a relação entre os diversos conhecimentos linguísticos adquiridos por um falante não é tão óbvia, e as pesquisas não apontam respostas simples e generalizáveis, como por exemplo: "Todo falante da língua X tem facilidade para aprender a língua Y", ou "Para quem fala a língua W, aprender K é mais difícil". O processo de aquisição de uma língua estrangeira é altamente complexo e depende de muitas variáveis linguísticas e individuais.


Quanto mais velho mais difícil fica o aprendizado, ou isso é um mito?
A idade é sem dúvida uma variável importante na aquisição de língua estrangeira. Vários estudos apontam que o aprendizado tardio é mais lento e, em geral, resulta em níveis de proficiência menos elevados. As razões disso são inúmeras: o adulto, de modo geral, é mais tímido que a criança/adolescente e tende a se sentir mais constrangido, seja na sala de aula, ou numa situação real em que tenha de usar o idioma estrangeiro. Essa "vergonha" é um fator importante, pois pode impedir que o aprendiz se exponha às situações em que poderá praticar e fixar as estruturas da língua. Outra questão é a memória: quando somos jovens, temos mais facilidade de guardar informações. Outro ponto ainda é a audição, que vai piorando ao longo dos anos, dificultando ao aprendiz a percepção dos diferentes fonemas do idioma estrangeiro.

Quais são as maiores dificuldades que os alunos enfrentam ao aprender um novo idioma?

Acredito que um fator que dificulta o aprendizado é a falta de oportunidades reais para a prática do idioma, como situações externas à sala de aula, por exemplo. É claro que o turismo tem crescido e um número cada vez maior de estudantes tem buscado intercâmbios ou mesmo viajar a lazer para países de fala inglesa. Essa, contudo, não é a realidade da maioria dos estudantes, principalmente nas classes de menor poder aquisitivo. Sem essa exposição real, essa "inserção" na língua, o conhecimento adquirido em sala de aula permanece um tanto "abstrato" na mente do aprendiz, ou seja, não se torna (ou pelo menos essa transformação não se dá por completo) parte do dia a dia do aluno.