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Seção : Mundo Ela - Livro - 17/11/2009 09:00

Meu Israel

Com fotos, entrevistas e relatos de viagens, livro é ideal para quem quer saber mais sobre um país que está sempre na mídia

Pipa Cavalcanti - Mundo Ela
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Se distanciando de estereótipos que costumam ser ligados à Israel, a queridíssima Sabrina Abreu (aqui do Mundo Ela!), lança hoje seu livro "Meu Israel". Um livro reportagem que convida o leitor a conhecer um pouco mais desse país que está constantemente na mídia. O lançamento será na Leitura do Pátio Savassi, apartir das 19:30 de hoje.

Entre pesquisas entrevistas e muitas xícaras de chá tomadas dentro dos lares israelenses, Sabrina constrói o livro com mais de 100 fotos das paisagens e pessoas encontradas pelo caminho. A mistura do texto e da imagem, do diário de viagem com as entrevistas tão caras ao jornalismo, fazem de "Meu Israel" uma obra das mais delicadas – ainda que seja um livro forte, muitas vezes, e engraçado, em tantas outras.

Para Moacyr Scliar, que assina a contracapa, o livro é "um retrato vívido, informado e sensível da realidade israelense. Uma excelente contribuição (e muito brasileira) para um tema que está sempre na ordem do dia". A propósito, a novela Viver a vida já exibe capítulos gravados em Israel.

 

Veja a galeria dos famosos em Israel

 
A leitura é uma aventura deliciosa. Prepare-se para conhecer Israel de Norte a sul, passando pelas principais cidades Tel-Aviv, Jerusalém, Eilat, Haifa, Tiberíades e pelos pontos turísticos imperdíveis como Mar Morto, Galileia, além de descobrir o ponto de vista do adolescente sudanês refugiado em Israel, do árabe muçulmano, que vive em Jerusalém Oriente, da primeira mulher a ser ordenada rabina e da octagenária sobrevivente do Holocausto que saiu da antiga Tchecoslováquia e, hoje, vive bem perto do mar de Tel-Aviv.


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Sabrina Abreu, jornalista e autora de "Meu Israel"
Confira a entrevista com a autora:

Conte para nós como começou o fascínio por este país do Oriente Médio?


Sou fascinada com o Oriente Médio, sim. Mas, na verdade, meu foco sempre foi Israel. Tem a ver com a família do meu pai. Sempre tivemos muitos livros e documentários em casa relacionados à criação do Estado de Israel, ao Judaísmo, ao Holocausto. Esse foi o começo.

Entre 2007 e 2008 você viveu em Israel e passou por várias regiões do País. Se fosse para escolher uma cidade para morar definitivamente, qual seria?


Quando morei em Israel, vivi a maior parte do tempo em Jerusalém. É uma cidade que amo e onde tenho muitos amigos. Escolhi esse lugar para me fixar, porque queria ter uma experiência verdadeiramente reveladora sobre o Oriente Médio, para entender ao máximo as diferentes culturas que permeiam a região (e há muito para se observar em relação a isso quando se está em Jerusalém). Além disso, sou jornalista e a maior parte dos membros da imprensa internacional moram lá. Mas já que a pergunta é em relação a uma cidade para "morar definitivamente", eu escolheria Tel Aviv, porque se trata de um local mais liberal, mais cosmopolita. A longo prazo, essa vivência me deixaria mais satisfeita (mas eu sempre continuaria visitando minha Jerusalém, que está só a uma hora de distância!).


Além de um ótimo guia turístico, o seu livro esclarece informações importantes sobre o povo judeu. Como fez para pesquisar as diferenças culturais?

 
Muitas das diferenças já eram claras para mim, mesmo antes de eu conhecer Israel. Entretanto, uma vez lá, as peculiaridades dos costumes mantidos pelos judeus que vieram de diferentes países (o Shabat na casa de uma família de ascendência polonesa é bem diferente daquele presenciado em meio a uma família de ascendência portuguesa, por exemplo) começaram a chamar mais e mais minha atenção. Assim, a pesquisa se deu por meio da "observação participante", aquele método da antropologia em que você aprende ao mesmo tempo em que convive com as pessoas. Também, claro, há os livros e os amigos israelenses ou judeus de diferentes lugares do mundo, sempre muito pacientes em me ensinar acerca da cultura deles.

O turismo religioso é o que mantém Jerusalém? O passeio pelos locais sagrados provocou alguma sensação diferente?

 
O turismo religioso mantém Jerusalém, ao lado das atividades políticas e burocráticas do Estado (parlamento, ministérios etc), que se concentram na cidade, por ser a capital israelense. Visitar os locais sagrados foi emocionante, por perceber o desejo do homem por encontrar Deus. Mesmo em templos de religiões diferentes da minha (que sou protestante), sempre tive um grande senso de respeito pelos ritos e cultos dos outros: muçulmanos ou católicos, por exemplo. De todos os lugares, o mais especial é o Muro das Lamentações, onde eu ia constantemente para rezar. Segundo a tradição judaica (com a qual também me identifico religiosamente) a Presença Divina está ali de uma forma especial. Há até uma brincadeira que se faz em Jerusalém, dizendo que na cidade não é preciso fazer ligação interurbana para falar com Deus, a ligação é direta. Acho, mesmo, que há uma verdade nessa brincadeira. E no Muro das Lamentações isso se torna mais claro para mim.

O que mais chocou você na visita que fez ao Museu do Holocausto, em Jerusalém?

 
Essa é uma pergunta interessante, porque sempre que pergunto a conhecidos o que lhes pareceu mais marcante no Museu do Holocausto, escuto uma resposta diferente vinda de cada pessoa. Há tanto com o que se chocar. No meu caso, eu diria que foram os objetos pessoais das vítimas: cartas, fotos... É, de fato, muito triste imaginar que, quando ainda tinham seus pertences, aquelas pessoas também tinham uma vida, individualidade, possibilidades. Uma vez que foram tomadas as cartas, fotos, móveis, casas, também foi tirado tudo o que é invisível e importante: a liberdade, a identidade. Vejo os objetos pessoais com muito respeito, lembrando que estou diante dos pequenos tesouros de pessoas que teriam dado de tudo para rever um retrato ou reler algo que pudesse lembrá-los de como a vida, um dia, foi boa e agradável. E me assombra terrivelmente saber que milhões não viveram o suficiente para fazer isso.