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Seção : Arte e Livros - 24/11/2008 09:36
Igreja em Mariana reúne obras de Francisco Vieira Servas
Comparado a Aleijadinho, o artista português ainda é pouco conhecido pelo público
Sérgio Rodrigo Reis - EM Cultura
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A escolha da cidade histórica foi estratégica. Dentro da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, instalada no topo de uma colina, Servas deixou obras-primas no altar-mor e em dois altares laterais. Sua obra reúne aspectos estilísticos que o distinguem de outros artífices, como a arbaleta, elemento de arremate em movimento sinuoso, altamente refinado. Na imaginária, chamam a atenção a largura idêntica dos lábios, nariz e olhos, além da terminação em “s” dos cabelos na testa das imagens.
O Museu Servas deverá ser concluído em etapas, nos próximos três anos. Atualmente, o projeto é analisado pelo Ministério da Cultura. Posteriormente, bens móveis serão restaurados, a exposição permanente organizada e a recuperação da parte arquitetônica da igreja executada. A iniciativa envolve a arquidiocese e a Prefeitura de Mariana e o Instituto Flávio Gutierrez (IFG), responsável pela edição do livro dedicado ao escultor. “O projeto resgata a obra desse artista importante, propõe um contraponto ao Museu Aleijadinho, em Ouro Preto, e visa a diversos públicos – não só ao turista, mas também à comunidade da paróquia, que ajudou a manter o local em bom estado”, explica Célia Corsino, diretora de museologia do IFG.
A suntuosidade e o refinamento dos trabalhos chamam a atenção. “É uma escultura que concorre em qualidade com as de Aleijadinho. O resgate é importante”, diz padre Giovani. A colecionadora Ângela Gutierrez concorda: “Temos artistas únicos em Minas e, entre eles, Servas é destaque, pois produziu obra de extrema erudição”. Há pouco tempo, o português passou a ser mais conhecido. “Antigamente, toda imagem que aparecia era de Aleijadinho. Agora, vira e mexe, surge novo trabalho que tentam atribuir ao Servas”, conta ela. CONHEÇA O ARTISTA Nascido em 1720 nas proximidades de Braga, Norte de Portugal, Francisco Vieira Servas deixou a Europa para trabalhar em Minas Gerais, a região que mais produzia ouro no mundo. A primeira notícia de sua atuação por aqui é de 1751, na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Catas Altas do Mato Dentro. Na época, ele era oficial de outro grande escultor, Francisco de Faria Xavier. Com a morte do mestre, em 1769, ele assumiu o restante da decoração do templo. Em 1790, o vereador do Senado da Câmara de Mariana Joaquim José da Silva relatou para a rainha de Portugal, dona Maria, a grande movimentação artística que ocorria em Minas. Ele destacou a atuação de Francisco Vieira Servas no entalhe e na execução de imagens. Em 1770, o escultor português iniciou a construção dos altares da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Mariana, considerados obras-primas. Nos cinco anos seguintes, dedicou-se a esse trabalho. Também chama a atenção a atuação de Servas em igrejas de Ouro Preto, Congonhas e Sabará. A efervescência e a autonomia da Minas colonial foram fundamentais para que deixasse de lado influências barrocas portuguesas, aculturando-se em Minas. “Ele se adaptou às novidades e ao estilo rococó vigente”, explica Adriano Ramos. |





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