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Seção : Arte e Livros - 26/11/2008 09:20

Exposição mostra pinturas de Rui Santana


Walter Sebastião - EM Cultura
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Tibério Franca/Divulgação
Rui Santana apresenta trabalhos em grandes dimensões, tendo as árvores como tema
“Pintura para mim é celebração da vida. Quando você pinta há muito tempo, chega um momento em que a pintura é mais mágica do que uma idéia racional”, garante o pintor Rui Santana, que abre exposição quinta, às 19h, na Agnus Dei Galeria de Arte. A declaração foi feita em momento dramático, com o artista internado, novamente, na luta contra um câncer. “Mas não vou morrer ainda não, guerreiro não tomba fácil”, avisa, abrindo drama que vem enfrentando há cinco anos, não só organizando evento importantes, como a recente Bienal do Grafite – sonho antigo dele – mas pintando e muito. É a terceira mostra nos últimos cinco anos.

Veja fotos da exposição

Rui Santana vai mostrar grandes pinturas de árvores (uma delas de 2,80m x 1,50m). Como é artista que se lança direto na tela, sem esboços ou projetos – “é a pintura que manda, ela me guia mais do que eu a ela” – ficou intrigado com as imagens. Consultou dicionário de símbolos e descobriu mais do que imaginava. “Árvores conectam três níveis: as profundezas, por meio da raiz; o plano terreno, com o tronco; e o mundo dos céus, com os galhos. São solidificações de uma existência”, explica. Vê nas novas obras algo que, como suspeita, está em tudo o que realizou: “Um sentir a força da natureza que é demanda não minha, mas da natureza humana”.

“Para mim a pintura sempre foi rito de passagem do plano concreto ao espiritual”, afirma Rui Santana. São trabalhos de artista fiel à linguagem “gestual, instintiva e orgânica”, que sempre teve na pintura de ação uma referência clara. “Não idealizo uma obra, ela começa e só termina onde tem que parar. Os grandes formatos também surgiram espontaneamente. “Permitem que a pintura não seja só direcionada à visão e seja relação do corpo com a obra”, esclarece. “É situação que torna o trabalho mais verdadeiro e não estou a fim de enganar ninguém”, avisa. Sobre o que tem significado a pintura em momento difícil, o artista é direto: “Descansa-me e me revitaliza, é paixão”.

Rui Santana nasceu em Juiz de Fora. Estou psicologia na Fumec e gravura na Escola Guignard. Integra geração de artistas que começou suas atividades a partir dos anos 1980. E, radicalizando perfil da turma, fez de tudo: desenhos, gravuras, design, pinturas e objetos, além de atuação em área de ensino, sendo pioneiro em trabalho com os grafiteiros de Belo Horizonte. É o idealizador de vários projetos dedicados à difusão das artes visuais. Vários deles (como o projeto Mural, do Belas Artes, e a recente Bienal de Grafite), ligados a tema caro ao artista: indagações sobre o que poderia ser um muralismo contemporâneo, restituindo dimensão social e artística da pintura.

PINTURAS 2008
Trabalhos de Rui Santana. Abertura Quinta-feira (27/11), às 19h, na Agnus Dei Galeria de Arte, Rua Santa Catarina, 1.155, Lourdes, (31) 3291-2101. De segunda a sexta-feira, das 9h às 18h; sábado, das 9h às 13h. Até 17 de dezembro. Entrada franca.