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Seção : Arte e Livros - 27/11/2008 10:11
Da figuração à abstração radical
Livro resgata a vida e a trajetória profissional de Ana Horta, jovem artista mineira que teve sua vida bruscamente interrompida por um acidente de trânsito em 26 de março de 1987
Sérgio Rodrigo Reis - EM Cultura
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A lacuna permanece, assim como a urgência do seu discurso, como comprova o livro Ana Horta (Editora C/Arte, 199 páginas), que será lançado hoje, a partir das 19h, na Escola Guignard. O livro é resultado do intenso processo de imersão e pesquisa realizado este ano pelo jornalista Walter Sebastião, no curto espaço de 90 dias. A opção foi, desde o início, ater-se ao acervo familiar de recortes de jornais, catálogos, releases, que, provavelmente, pertenceram à pintora. “Optei por ir atrás da voz da própria Ana Horta. Ela tem uma pintura extremamente livre e solta, e eu ficava curioso em saber como chegou a esse resultado. Como sua pintura saiu da figuração tradicional até chegar à abstração mais radical, que é a informal?”. Além do arquivo pessoal, o autor foi atrás de outras entrevistas e textos críticos, que são como diálogos com a obra dela. O resultado do processo surpreendeu o pesquisador. “Busquei a artista e a obra e descobri uma grande mulher. Bem-resolvida, confiante, segura do trabalho, que batalhou para chegar onde chegou – expôs com atitude nas principais galerias e mostras do período no Rio, São Paulo e em Belo Horizonte”, exemplifica. O jornalista evitou interpretações do trabalho. Segundo ele, é algo que será possível em textos futuros, à medida que a criação de Ana Horta for mais apresentada. O livro não pretende concluir nem fechar questões. “Ela merece outros textos, tem escritos inéditos que permanecem. O livro serve para chamar as pessoas para conhecer essa artista que merece atenção maior do que recebeu. Num contexto como é o da cultura mineira, introvertido, ensimesmado, algo acomodado, uma experiência como a dela é um sol. Joga outra luz sobre o ambiente”, observa. Apesar dos 20 anos de ausência, a produção de Ana mantém a atualidade e a força. “A obra permanece com qualidade artística impecável. Dá até sensações perturbadoras. Toda aventura modernista brasileira, que começa lá atrás, com Tarsila, vem brincar festivamente com a obra de Ana Horta pelos sinais, simplicidade, alusão ao primitivismo, gosto pela cor forte e rebeldia. Como se, com brilho, ela injetasse energia quase juvenil em toda herança do velho modernismo”, conclui. VIDA E OBRA • A pintora, gravadora e desenhista Ana Horta nasce em Bom Despacho, no Centro-oeste de Minas. Em 1967, muda-se com a família para Belo Horizonte. Desde pequena desenha e pinta e, aos 15 anos, inicia estudo de artes plásticas com Frederico Bracher Jr. Nesta época, já expõe seus trabalhos na Feira de Artesanato da Praça da Liberdade. • Em 1978, ingressa na Escola de Belas-Artes da UFMG, onde faz especialização em gravura em metal. No ano seguinte, monta ateliê. Em 1980, recebe a primeira premiação: 12º Salão Nacional de Arte. Um ano depois apresenta a primeira individual – desenhos, gravuras e pinturas, no Escritório de Arte Anno Arte, em BH, iniciando carreira profícua na área. Em 1986, é premiada no 9º Salão Nacional de Arte, da Funarte, no Rio de Janeiro. • Enquanto sua geração tem gosto, algo cínico, pela citação e mistura de elementos, os trabalhos de Ana Horta deixam a sensação de verdade, experiência, visualidade pura e busca do novo. Em 26 de março de 1987, essa produção foi interrompida. Ana Horta perdeu a vida num acidente de trânsito. Deixou as filhas Branca, de 2 anos, e Jade, com nove meses. Nesta época, estava pintando em preto-e-branco. ANA HORTA
Lançamento do livro da artista, quinta-feira (27/11), das 19h30 às 22h30, na Escola Guignard, Rua Ascânio Bulamarque, 540, Mangabeiras. Na ocasião, será realizada mesa-redonda sobre Ana Horta com participação de Walter Sebastião, Isaura Pena, Ronan Horta e Marília Andrés. Informações: (31) 3491-2001 e www.comarte.com. |


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