Divirta-se Notícia - Relato pedagógico

Divirta-se

Seção : Arte e Livros - 23/11/2009 10:42

Relato pedagógico


Carlos Herculano Lopes - EM Cultura
aumentar fonte diminuir fonte imprimir
Euler Júnior/EM/D.A Press
O professor Délcio Salomon foi diretor da Fafich/UFMG
Quem olha para o passado perde um olho; quem não olha perde os dois, reza um velho ditado cigano. Se o professor Délcio Vieira Salomon, de 78 anos, conhece ou não essa máxima, é outra história. Mas foi com a ajuda das suas próprias lembranças, pesquisas e conversas com amigos e familiares que ele escreveu O cavalo de São Roque, quase memória (Editora Livro Pronto, 166 páginas, R$ 25), que será lançado hoje, na Biblioteca Pública Luiz de Bessa, em Belo Horizonte. Para facilitar a vida do leitor, que encontrará no relato passagens que transcendem a história pessoal e familiar do autor, Salomon o dividiu em cinco textos, das reminiscências da infância, adolescência e juventude a reflexões sobre o que isso representou para o escritor.

“Confesso que nunca tive intenção de escrever um livro de memórias. Muito menos uma autobiografia. Apesar de ter construído um curriculum vitae que pode servir de exemplo para a minha família, não me julgo uma pessoa importante e digna de transportar para a escritura a própria vida. Ao escrevê-lo, estou atendendo um pedido/interpelação de minhas duas netas, e senti que minhas histórias poderiam ser um testemunho pedagógico para elas”, explica Délcio Salomon, de uma família de cristãos-novos que fixou residência em Itajubá, em 1836.

Ex-diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG e autor de livros como Na mesma tecla (poesia) e Como fazer uma monografia, Délcio Salomon faz uma viagem de volta à adolescência e juventude em um seminário, onde ficou dos 10 aos 25 anos. Ali diz ter sofrido na alma a violência da castração intelectual e atentados à dignidade humana. “Não me foi fácil superar tanto conflito, para, ao fim, sair ileso, sem ter que procurar o divã de um psicanalista, como tantos ex-colegas, depois de secularizados, tiveram de fazer.”

Conflitos pessoais à parte, outro bom momento do livro está no capítulo em que Salomon conta a história do avô, Sebastião Maggi Salomon. Nascido em Itajubá, em 1861, ele também fez história em Ouro Preto e depois em Belo Horizonte, quando a cidade passou a ser a nova capital de Minas Gerais. Homem culto, como atesta o neto, foi ainda cônsul-geral do Brasil em Portugal, e hoje é nome de avenida em BH.

O CAVALO DE SÃO ROQUE, QUASE MEMÓRIA
Lançamento hoje, às 19h, na Biblioteca Pública Luiz de Bessa (Praça da Liberdade, 21, Funcionários). Informações: (31) 3264-4319.