Divirta-se Notícia - Memória da cidade ampliando o mapa

Divirta-se

Seção : Arte e Livros - 23/11/2009 10:50

Memória da cidade ampliando o mapa


Carlos Herculano Lopes - EM Cultura
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Euler Júnior/EM/D.A Press
Márcia Cruz escreveu sobre a comunidade do Morro do Papagaio
O objetivo da Editora Conceito, ao criar a coleção BH. A cidade de cada um, foi manter viva a história da capital mineira por meio de testemunhos de pessoas que, independentemente de terem nascido aqui, tiveram suas vidas, de uma forma ou de outra, ligadas à capital mineira, aos seus bairros, suas instituições e prédios. Entre outros, já foram lançados Lagoinha, de Wander Piroli; Livraria Amadeu, de João Antônio de Paula; e Lourdes, de Lúcia Helena Monteiro Machado. Com a mesma intenção, três novos livros, Colégio Sacré Coeur de Marie, de Marilene Guzella Martins Lemos; Carlos Prates, de Humberto Pereira; e Morro do Papagaio, de Márcia Cruz, acabam de sair do forno. O lançamento será hoje, no Palácio das Artes.

Nascida e criada no Morro do Papagaio, a jornalista Márcia Cruz faz um relato comovente, a partir de sua história pessoal e familiar, mostrando o que é viver naquele local, um dos maiores aglomerados de favelas de Belo Horizonte. “Na realidade, são muitos morros. Sua composição engloba cinco comunidades e sua cultura é marcada pela diversidade”, esclarece. Depois de contar, com rara sensibilidade, a história da avó, Ignácia Maria de Jesus, a autora convida o leitor a segui-la por esse universo, como tantos outros de Belo Horizonte, que a classe média insiste em continuar ignorando.

Natural do Bairro Carlos Prates, em 1939, Humberto Pereira escreve sobre uma das mais tradicionais regiões da cidade. Com texto leve, recheado de passagens saborosas, ele consegue emocionar o leitor em vários momentos. Como a lembrança da partida dos pracinhas mineiros para lutar na Itália, na 2ª Guerra Mundial, trecho primoroso do livro. Didático, conta que o engenheiro Carlos Prates nasceu em Montes Claros. Formado pela Escola de Minas de Ouro Preto, em 1890, ocupou cargos de destaque na nova capital. Entre eles o de chefe da seção técnica da Repartição de Terras e Colonização, que lhe permitiu criar núcleos coloniais, inclusive o que receberia seu nome.

Um dos mais tradicionais colégios de Belo Horizonte, o Sacré Coeur de Marie, que está em Belo Horizonte desde 1928, teve sua história contada pela ex-aluna, Marilena Guzzela Martins Lemos. Nascida em São Pedro dos Ferros, na década de 1950, ela foi interna no educandário, que até hoje é um dos mais tradicionais da cidade. Seu relato, como os demais, é muito feliz na reconstituição de histórias e farto de emoção.

BH. A CIDADE DE CADA UM
Lançamento de três títulos da coleção. Hoje, às 19h30, na Livraria Usina de Letras, do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro).