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| Projeto de revitalização do Edifício Cine Brasil, na Praça SeteAnexo do Museu Histórico Abílio Barreto, na Cidade Jardim |
Quer conhecer a Belo Horizonte da passagem do século 20 para o 21? Visite a exposição Minas Gerais: arquitetura contemporânea, na Casa do Baile. São mostradas fotos e plantas de 54 projetos de autores mineiros que tiveram destaque em publicações especializadas nos últimos 15 anos. Estão lá a nova Praça da Estação, a Serraria Souza Pinto, o Parque Ecológico da Pampulha, grandes edifícios comerciais e residenciais etc. Construções que provocam o diálogo do arrojo com a elegância, da forma com a cor. A reinvenção do antigo vem junto com o sonho de futuro, que integra prédio e paisagem, criando novas referências urbanas. Nasce a cidade neomodernista.
“É conjunto que mostra a relevância da arquitetura feita em Minas”, afirma Carlos Alberto Maciel, curador da exposição. Explica que são propostas variadas, desde obras que carregam nostalgia do modernismo até as que fazem releituras ou são intervenções que valorizam o que existe de importante nos locais (como no caso das intervenções em edifícios históricos). Muitas, avisa o pesquisador, com repercussões positivas, “ainda em processo”, para a vida cotidiana da cidade. O melhor modo de curtir arquitetura “é ir ao local e experimentar o espaço, não basta só ficar vendo imagens ou fachadas”, observa. Por isso, o catálogo da exposição é um miniguia com mapa.
Cinquenta e quatro obras, com bons projetos arquitetônicos, formam conjunto expressivo, mas é pouco diante do muito que se constrói em Belo Horizonte e em Minas. O que significa, segundo ele, que o arquiteto, infelizmente, continua profissional pouco solicitado na hora de construir a cidade (“por falta de interesse geral e, inclusive, do próprio arquiteto.”). A boa notícia é que foram retomados investimentos no setor e têm sido patrocinadas obras de porte, especialmente pelos governos (municipais, estaduais e federais), mas com participação importante de empresas privadas.
Galeria: Veja imagens da exposição
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| Anexo do Museu Histórico Abílio Barreto, na Cidade Jardim |
O que falta? “Que a arquitetura esteja mais presente no cotidiano da cidade como um todo e não apareça somente em pedaços privilegiados dela”, responde Carlos Alberto Maciel, lembrando que as periferias continuam com alta densidade de construções e sem nenhum edifício exemplar. “Estamos carentes de intervenções menos ligadas à construção de um edifício e mais voltadas para a mediação das relações humanas”, acrescenta. Este último aspecto foi critério para a seleção das obras. “A revitalização do Centro de BH interessa menos pelo aspecto formal e muito mais pelas consequências que teve sobre a região”, elogia, lembrando ação que somou o público e o privado.
Desafio posto, quando se fala em arquitetura no Brasil, para Carlos Alberto Maciel, é o aumento, geral da cultura arquitetônica, fazendo com que o assunto extrapole os círculos especializados. “Talvez, assim, tivéssemos demandas vindas da população e soluções compartilhadas com os moradores. Ainda precisamos revelar, de forma mais nítida, a importância do arquiteto para a vida cotidiana e não só como o construtor de monumentos”, afirma.
MINAS GERAIS: ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA
Projetos. Casa do Baile, Avenida Otacílio Negrão de Lima, 751, Pampulha. Terça a domingo, das 9h às 19h. Até dia 31. Informações: (31) 3277-7443.
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