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Seção : Cinema - 22/11/2008 09:43
Ñande Guarani disputa prêmio no Festival de Brasília
Ricardo Daehn
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Envolvido com a causa indígena, André Luís já trabalhou nas áreas caiapó, ianomâmi, macuxi, maioruna e marubo, além de, há dois anos, ter feito o média-metragem Vozes e visões em torno de reivindicações de mulheres indígenas. Avesso a meias-verdades, o diretor esclarece que Ñande Guarani tem a função de "dar um sacode" no público. "O assunto é muito bom, na medida em que ninguém conhece o que é o povo guarani, mesmo com a cultura milenar deles. São 260 mil pessoas que falam a mesma língua em estados como Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, além de países como Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. A cultura é a mesma: eles se entendem, têm a mesma reza, as mesmas músicas – é um povo transnacional porque, na verdade, eles estavam aqui muito antes da definição dos estados nacionais: o território amplo deles é de trânsito porque, enquanto grupo e grande família, eles se visitam", esclarece. Gestada em um ano, a fita teve a centelha inicial numa audiência no Ministério Público Federal, onde um fórum discutia questões indígenas. Com apoio da TV Cultura e financiamento da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, Ñande Guarani custou R$ 350 mil e, pelo planejamento, foi filmado em apenas 20 dias de junho, com montagem e finalização estendidas até novembro. Uma das etapas mais trabalhosas foi a da tradução (para legendagem) dos diálogos, o que consumiu quase um mês, para a garantia da "melhor expressão" nos depoimentos. Liderança indígena do Morro dos Cavalos (Santa Catarina), Leonardo Werá Tupã serviu como tradutor, assistente de direção e personagem do filme. Responsável pela direção, produção, montagem, fotografia e roteiro, o brasiliense André Luís pretende expandir ao máximo o circuito exibidor do longa, já tendo confeccionado 2 mil DVDs para distribuição entre entidades internacionais, associações indígenas, ONGs e escolas. CONVERGÊNCIA Diante de uma leva de filmes que abordam questões ligadas ao assassinato de lideranças integradas a terras (Mataram irmã Dorothy) e de exposições políticas associadas à cultura indígena (Pachamama, Serras da desordem e 500 almas), André Luís acredita num diálogo "complementar" entre todas as produções, que ainda incluem Terra vermelha, também em torno de suicídio e violência dos despejos dos guarani-caioua. Contando com depoimento do maior especialista espanhol em tópicos guarani, o jesuíta Bartolomeu Meliá, Ñande Guarani traz ainda participações de pajés, caciques e antropólogos. Um dos incentivos do diretor para a realização foi a persistência do grupo retratado. |




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