Divirta-se Notícia - Vida do cantor Elymar Santos vai virar filme

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Seção : Cinema - 24/11/2008 10:17

Vida do cantor Elymar Santos vai virar filme


Redação Aqui
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Marcelo Franco/Agência O Globo
Da varanda de seu apartamento em Ramos, Elymar Santos admira a paisagem do Complexo do Alemão. Sim, o cantor mora numa cobertura no Leblon, mas é no subúrbio onde nasceu que passa a maior parte do tempo. Essa e muitas outras histórias vão servir de base para um filme, ainda sem nome, sobre a vida do artista que deverá ser lançado em 2010. “Não é um documentário, mas penso em colocar muitas coisas no filme. É o cineasta que vai decidir o que entra e o que fica de for a”, avisa o cantor, referindo-se ao espanhol Alberto Salvá, responsável por A menina do lado (1987) e várias pornochanchadas.

Salvá e Elymar se reuniram na semana passada para a primeira entrevista. A conversa durou mais de cinco horas e vai dar origem ao longa. No bate-papo, Elymar falou de seus desafetos e citou Walter Lacet, ex-diretor da Globo: “Lacet dirigia meus shows e, quando eu não quis mais trabalhar com ele, me fechou as portas na Globo. Deixei de ir a vários programas por influência dele. Mas não tenho mágoas. Ele é meu vizinho no Leblon”.

Marcelo Franco/Agência O Globo
Elymar posa em frente à casa onde morou, no Rio de Janeiro: "quando nasci, não tinha nem berço"
EM CASA

“Caxias, Vila Cruzeiro, Grota!” A frase, dita repetidas vezes num megafone por um cobrador de van, soa como música aos ouvidos de Elymar. “Isso me dá uma sensação de vida, e sinto que estou em Ramos. Não tem nada igual no Leblon. É uma pena”, lamenta o cantor, que soltou várias pérolas durante a entrevista. Ao lado do cineasta, o artista voltou ao Complexo do Alemão, onde passou a infância. Ele chega a bordo de um carrão importado e foi recebido como um mortal qualquer. “As pessoas estão acostumadas à minha presença aqui”, afirma ele.

É na favela que Elymar conta parte de sua história: “Morava naquela casa pequena, que hoje é rosa. Quando nasci, não tinha nem berço. Minha mãe juntava duas cadeiras para eu dormir”. Em junho, o cantor montava uma banca na porta de casa para vender balão e fogos de artifício. Ele lembra que a época mais triste foi quando saiu de casa e ficou perambulando pelas ruas do Aterro: “Sentia até sede”. Ficou curioso por mais histórias? Agora, só no filme.